Venda de participações antes do IPO abre novas possibilidades para empresas de tecnologia

venda de participações antes do ipo abre novas possibilidades para empresas de tecnologia

Operações da OpenAI e da brasileira Enter mostram como empresas de capital fechado podem oferecer liquidez a funcionários e investidores. Salvas as proporções, o movimento traz questões importantes para o setor de tecnologia do Rio de Janeiro

A abertura de capital ou a venda da empresa já não são as únicas possibilidades para que fundadores, investidores e profissionais transformem suas participações societárias em dinheiro. Com startups permanecendo fechadas por mais tempo, cresce o mercado de vendas secundárias, operações que permitem negociar participações antes de um IPO ou de uma aquisição.

Segundo dados publicados pela plataforma Carta, essas operações movimentaram aproximadamente US$ 61,1 bilhões entre julho de 2024 e junho de 2025, superando o valor combinado dos IPOs de empresas financiadas por venture capital no mesmo período.

Dos grandes casos à realidade brasileira

Um exemplo recente veio da OpenAI. Conforme publicado pelo site Quartz, a empresa concluiu uma operação de aproximadamente US$ 7 bilhões que permitiu a funcionários e ex-funcionários vender parte de suas participações. No Brasil, a Enter, startup de inteligência artificial para o setor jurídico, captou mais de US$ 100 milhões em uma Série B e alcançou valuation de US$ 1,2 bilhão. A operação também possibilitou a venda de participações por integrantes da equipe com stock options.

Salvas as proporções, os casos mostram uma mudança importante. A participação societária oferecida aos profissionais pode deixar de ser apenas uma promessa condicionada à futura abertura ou venda da empresa. Com uma operação secundária, parte desse valor pode ser realizada enquanto o negócio continua fechado e em expansão.

Essa possibilidade também fortalece as stock options como instrumento de atração e retenção de profissionais. Quando existe uma perspectiva concreta de liquidez, a participação na empresa ganha mais valor para o funcionário e pode complementar salários, benefícios e oportunidades de desenvolvimento.

O que as empresas do Rio devem observar

O movimento merece atenção no ecossistema tecnológico fluminense. O Mapeamento do Setor de TIC do Estado do Rio de Janeiro identificou 951 startups abertas entre 2000 e abril de 2025. Entre elas, 94% buscavam investimentos ativamente, principalmente por meio de investidores-anjo.

A maioria dessas empresas ainda está distante de realizar uma venda secundária de grandes proporções. O tema, entretanto, mostra a importância de preparar o negócio para crescer, receber investidores e, eventualmente, compartilhar valor com profissionais, fundadores e sócios iniciais.

Essa preparação começa pela governança. A empresa precisa manter seu quadro societário organizado, estabelecer critérios de avaliação e definir regras para a entrada e a saída de investidores e funcionários. Também é necessário deixar claras as condições das stock options, como prazo de aquisição do direito, preço de exercício e possibilidades de venda.

A questão se relaciona diretamente com a gestão de pessoas. A Pesquisa de RH da TI Rio mostra que remuneração e benefícios competitivos, reconhecimento e desenvolvimento de carreira estão entre os principais fatores de atração e retenção de profissionais. Nesse cenário, a participação societária pode representar um diferencial, especialmente para empresas menores que disputam talentos com grandes organizações.

Também precisam ser considerados os aspectos jurídicos, societários e tributários. Muitas empresas brasileiras são sociedades limitadas e trabalham com quotas, não com ações. Por isso, qualquer programa deve ser adequado à estrutura do negócio e desenvolvido com assessoria especializada.

Mais do que uma nova forma de vender participações, o avanço do mercado secundário sinaliza uma mudança na relação entre empresas, capital e profissionais. Para o setor de tecnologia do Rio, a principal mensagem é que compartilhar o crescimento pode se tornar uma ferramenta de competitividade. Mas a possibilidade de oferecer liquidez no futuro depende de uma organização que precisa começar muito antes.

Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser

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