Cada vez mais líderes serão desafiados por uma rotina de revisão de planejamentos e cortes de custos. No caso específico da área de TI, a adoção do modelo de terceirização de operações pode ser uma boa opção na busca pelo equilíbrio entre redução de despesas e melhoria na produtividade.
Assim, é tempo para que o CIO revise os contratos de outsourcing já firmados e avalie a formalização de outros. Entretanto, para que possam ganhar vantagens competitivas nesse momento de crise vale priorizar três iniciativas:
1 – Revisar a estrutura dos contratos firmados
Por não terem sido selados em tempos de instabilidade financeira, a maioria das parceiras de outsourcing soa ineficaz e ultrapassada. As empresas buscaram um provedor que pudesse realizar algumas tarefas, negociaram uma boa taxa de pagamento e nada mais. Como tais acordos já representavam economia de recursos para a companhia, requisitos como produtividade e nível de serviços não foram discutidos. Assim, formou-se uma parceira baseada em pessoas, preços e duração de contrato.
Em linhas gerais, esses acordos tradicionais são como um aluguel de imóvel: paga-se um montante de acordo com o tempo de utilização do serviço. Nesses documentos não há menções sobre incentivar produção, aumentar eficiência ou chegar mais rápido ao mercado – o que os torna essencialmente diferente das necessidades do negócio.
A questão é que muitos executivos não tiveram tal percepção no momento de formalizarem as parcerias. E estes quesitos, atualmente, podem ser a diferença entre os CIOs superarem as instabilidades ou sucumbirem à crise.
Para os gestores de TI que não se preocuparam com os resultados efetivos dos contratos de outsourcing, a sugestão é, rapidamente, rever os acordos para que eles não tenham um tempo de duração fixo, mas que dependam da satisfação do contratante para continuar, ou não. Assim, aumenta o nível de serviço prestado e a concorrência entre as prestadoras de tais serviços, gerando uma competição também em nível de preços.
2 – Racionalizar o portfólio
Muitas companhias adotaram o outsourcing por conta de duas ou três grandes prestadoras de serviços indianas, que apostavam pesado nas políticas de preço para atrair novos clientes.
Atualmente, mais empresas de terceirização surgiram no mercado, com sedes em diversos países e diferentes formas de atuação. Isso dá ao CIO a possibilidade de buscar novos parceiros, com melhores ofertas e menores custos.
Além disso, com o cenário de hoje, o ideal é que os profissionais de TI busquem contratos com diferentes empresas – para que não fiquem reféns de uma parceira que pode vir abaixo por conta de problemas na prestação de serviços, falência ou aquisição do prestador.
3 – Corte de custos
A combinação entre crise econômica e amadurecimento da indústria do outsourcing permite ao CIO buscar novas maneiras de reduzir despesas. Como? Antes de mais nada, todo executivo deve ter a consciência de que, muitas vezes, diminuir custos não significa simplesmente cortar preços de serviços.
Com tal entendimento, devem focar suas energias nas seguintes iniciativas:
• Offshore X Onsite: A terceirização é, certamente, a maneira mais rápida de diminuir custos com aplicações e suítes de serviços e soluções. A indústria de TI atualmente faz uso do modelo de offshore conhecido como 80:20 (80% das atividades realizadas fora do País, em mercados com melhores taxas; e 20% na empresa em si, com equipes próprias). Com os processos mais maduros e mais foco em governança, não há motivos para permanecer tal estrutura e vale pensar em mudar para 90:10 – na qual seja mantida ‘onsite’ apenas as atividades estratégicas da companhia.
• Time-to-market: Se produtos e aplicações podem ser desenvolvidos e entregues mais rapidamente pelos prestadores de serviço, os ganhos financeiros serão percebidos antes. É válido que os gestores de TI executem juntos o planejamento dos projetos e acompanhem suas execuções – assim poderão sugerir mudanças que dêem agilidade às ações.
• Melhoria na qualidade: Se produtos e aplicações podem ser desenvolvidas e entregues com menos defeitos, menos tempo e dinheiro serão gastos para consertá-los. As contratantes devem passar toda a experiência adquirida e conhecimento possíveis ao parceiro para evitar erros, principalmente no início dos trabalhos.
Este é um ano interessante e, ao mesmo tempo, desafiador. CIOs e companhias de TI terão de buscar formas de otimizar os contratos de outsourcing para reduzir custos operacionais e aumentar a produtividade.
(*) Scott Staples é CEO da Mind Tree
Site: CIO
Data: 23/10/2013
Hora: 8h40
Seção: Gestão
Autor: Scott Staples
Link: http://cio.uol.com.br/gestao/2013/10/23/tres-pontos-devem-ser-revistos-nos-acordos-de-outsourcing/