Ainda que o setor de TI não repita em 2013 o desempenho do ano passado, quando só o segmento de software e serviços cresceu quase 30%, parece haver motivos de sobra para otimismo entre os pequenos e médios empresários do setor.
“O Brasil ainda tem os melhores números da informática”, festeja Vincenzo Di Giorgio, que lidera no país a aposta da argentina Dinatech. “Este é um dos motivos que gente decidiu investir aqui. Há um potencial enorme de crescimento, uma demanda enorme de software, e nem é por causa apenas dos grandes eventos, que representam uma pequena parte”, completa.
A lógica dessa atratividade: ainda que em ritmo menor, o Brasil ainda cresce, enquanto o cenário na Europa e mesmo nos EUA ainda é de crise. Sediada em Buenos Aires, a Dinatech chegou no início deste ano ao Rio de Janeiro. Além de ferramentas de GPS voltadas para serviços, no que tem desenvolvimento próprio, é também integradora de sistemas.
“Vemos um crescimento muito forte de pequenas e médias empresas. É mais difícil para as ‘gigantes’ venderem diretamente, sobretudo com a necessidade de customizar as soluções, o que exige presença local”, diz. E se ainda é cedo para falar em faturamento local – na América Latina, o grupo gira US$ 300 milhões por ano – já há resultados animadores: “conseguimos ser fornecedores do TCU.”
Boom
Sócio-proprietário da Druid, Rafael Estima parece fazer coro sobre as perspectivas favoráveis. “Estamos vindo de dois anos muito bons, um boom para nós em telecomunicações e no setor bancário. Embora pequenos, temos 55 pessoas entre Rio e São Paulo, estamos faturando mais de R$ 11 milhões.”
Criada há 15 anos, a Druid atua mais fortemente em integração de sistemas complexos, com destaque para os mencionados bancos e teles. “Há pouquíssimas empresas nesse campo em telecom que conhecem os protocolos do setor, o que nos destacou até para fazermos uma parceria com a Oracle”, conta.
A Druid tem desenvolvimento próprio e também atua em aplicativos móveis, por exemplo – foi quem criou o ‘ingresso.com’, para aparelhos Android e iPhones. Também desenvolveu um sistema para a Vivo que, pelos aparelhos dos funcionários, monitora a qualidade da rede da operadora.
Agora responsável pela integração de mainframes do Bradesco, a Druid acredita que os ventos favoráveis da TI vão continuar. “O mercado de software é descolado do geral da economia. E outras portas vão se abrindo, como cloud computing e big data, que já terão muita demanda em 2014.”
Startups
Com 200 funcionários e R$ 26 milhões de faturamento, a Nasajon Sistemas é outra que comemora o bom momento. “Foi muito além do que a gente imaginava em função dos resultados da nação. Ano passado crescemos na ordem de 30%, um avanço muito focado em pequenas e médias empresas”, diz Cláudio Nasajon. “No nosso caso, vamos repetir esse crescimento”.
Ele aposta que 90% do mercado de TI vai se direcionar para o mercado de aplicativos móveis – telefones e tablets; para tecnologias de ‘social business’, ou seja, nas redes sociais; e os serviços de computação em nuvem. “É só o inicio. A expectativa é que em 2014, em 2015, tenha uma explosão dessas aplicações”.
Veteraníssima – a empresa é de 1982 – a Nasajon atua na integração de sistemas, com destaque para aplicações em contabilidade. “Buscamos o escritório contábil como parceiro, não tanto como cliente, porque é o principal consultor de 90% das empresas e temos suíte para automação comercial e para ERP”.
A Nasajon também tem desenvolvimento próprio e garante que o Brasil tem um futuro forte pela frente. “As empresas brasileiras estão em igualdade de condições com qualquer país do mundo. E ao contrário do que acontecia no passado, quando exportávamos cabeças, hoje vemos o movimento contrário. Temos as mesmas condições de desenvolver um Google, um Facebook.”
Não por menos, o empresário busca fomentar novos negócios. “Criamos o Startup Nasajon, captamos dinheiro de investidores, inclusive de fora, e vamos formar empreendedores profissionais. Em fevereiro ou março, faremos a seleção dos empreendedores, que vão receber R$ 2 mil por mês mais capital da ordem de R$ 100 mil para lançar o negócio”.
Site: Convergência Digital
Data: 16/12/2013
Hora: 10h22
Seção: Negócios
Autor: Luís Osvaldo Grossmann e Luiz Queiroz
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=35633&sid=5#.Uq9Kb9JUeSQ