Propostas de negócios em TI (tecnologia da informação) atraem o interesse de 75% dos investidores-anjo brasileiros, revelou uma mapeamento divulgado nesta terça-feira (2) pela Anjos do Brasil, entidade que fomenta este tipo de negócios no País, durante o 1º Congresso de Investimento-Anjo, em São Paulo.
Pelo menos 56% dos ‘anjos’ consultados também consideram apostar em novos aplicativos para smartphones, enquanto 44% deles acreditam que as áreas de saúde e biotecnologia podem ser promissoras para novas empresas.
O comércio eletrônico aparece em quarto lugar na lista de interesses, com 42%. Em seguida, 38% dos potenciais investidores acreditam em projetos de educação, e 35%, em ideias ligadas ao entretenimento. Os 13% restantes miram outros setores, como alimentação e moda.
Segundo Cassio Spina, empresário e fundador da Anjos do Brasil, pelo menos 6.300 investidores já aplicaram seus recursos em projetos de startups no País até 2012. Eles costumam investir entre 5% e 10% de seu patrimônio pessoal e dedicam uma média de 25% de seu tempo ao novo negócio.
Com idade média de 44,3 anos, metade dos investidores já empreendeu ou ainda possui suas empresas. Os outros 50% dividem-se em executivos de empresas (29%), profissionais liberais (6%) e outras categorias (15%).
Outro dado que chama atenção é a baixa participação feminina neste tipo de investimento. “As mulheres representam apenas 2% do total de investidores. Elas ainda são minoria absoluta”, afirma Spina.
O mapeamento mostrou, ainda, que os ‘anjos’ estão dispostos a aplicar uma média individual de R$ 416 mil nos próximos dois anos, e pretendem diversificar os investimentos em 4,1 projetos. Boa parte deles ainda está em fase de formação de carteira, segundo o fundador da Anjos do Brasil. “O potencial de crescimento até o fim do ano é de 20%. Estimamos que os investimentos serão de mais de R$ 3,1 bilhões para o período de 2013/2014”.
A falta de estímulos fiscais foi apontada como a principal barreira dos investidores-anjo ativos — aqueles que já assumiram o risco do negócio. Dificuldades em fazer o desinvestimento e receber projetos bons vieram em seguida. A preocupação em como administrar os passivos que a empresa possa adquirir no futuro também é grande, e aparece como a maior dor de cabeça entre os potenciais investidores.
O que é investimento-anjo
Este tipo de investimento é feito por pessoas físicas, de diferentes perfis profissionais, dispostas a aplicar seu capital em empresas (ou startups) em fase inicial ou de maturação. Para receber o aporte de ‘anjos’, estes projetos precisam ser inovadoras, com algum diferencial no mercado.
Os ‘anjos’ não apenas injetam capital no negócio, como também o acompanham de perto, exercendo o papel de mentores do empreendedor que recebeu o aporte financeiro. A cobrança por resultados também é grande, de acordo com Spina, da Anjos do Brasil.
Segundo ele, o potencial de retorno pode chegar a 50 vezes o capital investido, mas os riscos implicados são altíssimos.
Para se ter uma ideia, em países como os Estados Unidos, onde o investimento-anjo é bem mais avançado que no Brasil, mais de 50% dos ‘anjos’ não têm o retorno financeiro esperado. A afirmação é de Cate Ambrose, presidente da Lavca (Latin American Private Equity & Venture Capital Association). “Os investidores com mais de três anos de capital investido costumam ter melhor retorno que os sem experiência”, disse.
Site: IG
Data: 02/07/2013
Hora: 18h
Seção: Economia
Autor: Taís Laporta
Link: http://economia.ig.com.br/financas/seunegocio/2013-07-02/ti-e-aplicativos-sao-as-maiores-apostas-dos-investidores-anjo-aponta-pesquisa.html