Tecnologia deve ocupar papel central no desenvolvimento do Rio, defende Tatiana Roque

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Durante encontro promovido pela TI Rio, candidata a deputada federal discutiu reforma tributária, soberania digital, compras públicas de inovação, qualificação profissional, interiorização e fortalecimento das empresas de tecnologia

O desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro deve partir de uma estratégia que articule ciência, tecnologia, empresas, universidades e poder público. A avaliação foi apresentada por Tatiana Roque, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, durante o Café da Manhã com o Candidato, promovido pela TI Rio, em articulação com a Riosoft e a Assespro-RJ, nesta quarta-feira (26).

O encontro reuniu empresários, lideranças e representantes do setor de tecnologia, que apresentaram demandas e discutiram os principais desafios enfrentados pelas empresas fluminenses. Entre os temas abordados estiveram reforma tributária, soberania digital, inteligência artificial, compras públicas de inovação, acesso a financiamento, formação profissional, infraestrutura computacional e desenvolvimento tecnológico no interior do estado.

Na abertura, o presidente da TI Rio, Alberto Blois, ressaltou que o setor fluminense é formado majoritariamente por pequenas e médias empresas, muitas delas com décadas de atuação, que precisam de apoio para atravessar as transformações provocadas pela inteligência artificial, pela segurança de dados e por outras novas vertentes tecnológicas.

Segundo Blois, ampliar as condições para que essas empresas inovem, cresçam e permaneçam competitivas é fundamental para que o Rio de Janeiro transforme sua capacidade tecnológica em geração de empregos e desenvolvimento econômico.

“Nós precisamos reforçar o apoio a essas empresas, porque elas representam a possibilidade de o Rio de Janeiro construir, no curto prazo, alternativas de desenvolvimento tecnológico diante dos novos desafios”, afirmou.

Ciência e tecnologia como estratégia de desenvolvimento

Professora da UFRJ, vereadora e ex-secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Tatiana apresentou as principais diretrizes do plano Brasil Soberano 4.0, estruturado a partir de quatro pilares: natureza, ciência, cultura e povo brasileiro.

Segundo a candidata, o país precisa de um projeto coordenado capaz de transformar essas riquezas em crescimento, empregos, renda e maior capacidade produtiva. Na área tecnológica, a proposta passa pelo desenvolvimento de soluções nacionais, pela ampliação da soberania digital e pela redução da dependência de infraestruturas e ferramentas estrangeiras.

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“Nós precisamos ter projetos para fazer com que os nossos dados sejam tratados por ferramentas desenvolvidas por nós mesmos. Isso pode gerar emprego, renda e novas empresas de tecnologia”, declarou.

Tatiana também defendeu que o Brasil utilize suas vantagens em energia limpa, biodiversidade e minerais estratégicos para desenvolver cadeias produtivas de maior valor agregado. Na avaliação da candidata, recursos como as terras raras devem ser processados no país, evitando a reprodução de um modelo econômico baseado apenas na exportação de matérias-primas.

Poder público como indutor da inovação

Durante sua apresentação, Tatiana destacou projetos implementados durante sua passagem pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação. Entre eles está a ampliação das Naves do Conhecimento, que passaram de nove para 33 unidades e estruturas associadas, incluindo espaços instalados nas zonas Norte e Oeste e em comunidades da cidade.

As Naves oferecem acesso à tecnologia, inclusão digital e qualificação profissional. Para Tatiana, a velocidade das transformações no mundo do trabalho torna necessário criar oportunidades permanentes de aprendizado, especialmente diante da dificuldade das empresas para encontrar profissionais qualificados.

“Hoje, com a tecnologia, não basta mais o ensino formal. Precisamos qualificar as pessoas ao longo da vida, porque o mundo do trabalho está mudando muito rápido”, afirmou.

Outra iniciativa apresentada foi o Desafio Rio, que utiliza problemas enfrentados pela administração municipal como ponto de partida para a criação de soluções tecnológicas. Por meio do projeto, empresas recebem recursos para desenvolver provas de conceito que possam, posteriormente, ser contratadas pelo poder público.

Tatiana destacou que as compras públicas de soluções inovadoras permitem utilizar a capacidade de contratação do Estado para estimular empresas, desenvolver novos produtos e modernizar os serviços oferecidos à população.

“O próprio poder de compra do setor público pode gerar fomento, inovação e estímulo ao desenvolvimento de soluções. É um instrumento muito potente para as empresas de tecnologia do Rio de Janeiro”, declarou.

A candidata também mencionou o Rio.IA, projeto realizado em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, a ABDI. A iniciativa identifica demandas tecnológicas da indústria nacional e aproxima essas necessidades de empresas do Rio de Janeiro capazes de desenvolver soluções.

A proposta é permitir que as empresas fluminenses atuem como fornecedoras de tecnologia para indústrias instaladas em diferentes estados, vinculando o ecossistema do Rio à estratégia de reindustrialização do país.

Novas verticais para a economia fluminense

Tatiana defendeu a identificação de áreas nas quais o Rio de Janeiro reúne capacidade científica, empresas, profissionais qualificados e grandes organizações capazes de funcionar como demandantes de tecnologia.

O setor de petróleo e gás foi apontado como exemplo de uma articulação já consolidada, especialmente em torno da Petrobras, da UFRJ e de seu parque tecnológico. Para a candidata, o desafio é reproduzir essa integração em outras atividades econômicas.

Saúde, economia criativa, audiovisual e games foram citados como setores nos quais o estado pode organizar novos polos de empresas tecnológicas. O desenvolvimento dessas áreas dependeria de uma articulação mais consistente entre universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público.

“O Rio de Janeiro tem muita pesquisa que pode virar produto. Precisamos organizar melhor essa articulação para criar hubs de empresas e movimentar o setor de tecnologia”, afirmou.

Representantes das entidades também lembraram a experiência do Rio com soluções para cidades inteligentes, integração de dados e modernização dos serviços urbanos. A avaliação apresentada foi de que a cidade possui condições para se consolidar como referência internacional nessa área.

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Interiorização e corredores tecnológicos

O fortalecimento das empresas instaladas fora da capital também ocupou parte do encontro. Empresários destacaram que o interior possui universidades, instituições de pesquisa e iniciativas empresariais relevantes, mas ainda enfrenta dificuldades para manter profissionais qualificados e garantir condições para o crescimento das empresas.

Foi defendida a criação de corredores tecnológicos que conectem as vocações econômicas das diferentes regiões às instituições de ensino e pesquisa já interiorizadas. Petrópolis, Teresópolis, Macaé, Niterói, a Baixada Fluminense, o Norte e o Sul do estado foram citados como territórios com características que podem sustentar políticas regionais de inovação.

As entidades ressaltaram ainda o trabalho de interiorização realizado por meio das regionais e do circuito Rio Info, que promove encontros em diferentes municípios para aproximar empresas, universidades, estudantes, gestores públicos e instituições de fomento.

Na avaliação dos participantes, uma política estadual de tecnologia deve reconhecer as especificidades de cada região e criar condições para que empresas e profissionais possam permanecer no interior.

Reforma tributária preocupa empresas de tecnologia

A reforma tributária esteve entre os pontos centrais do debate. Representantes das empresas alertaram que o setor de tecnologia é intensivo em mão de obra, mas a folha de pagamento não gera créditos tributários nos mesmos moldes dos insumos utilizados por atividades industriais.

A preocupação é que a combinação entre a reoneração da folha e as novas regras de tributação sobre o consumo aumente os custos das empresas de serviços tecnológicos. O efeito pode ser ainda mais expressivo para negócios que possuem grande parte de suas despesas concentrada na contratação de profissionais.

Também foi destacado o impacto sobre a competitividade internacional. Segundo os empresários, o aumento dos custos pode levar grandes companhias a contratar serviços tecnológicos em outros países, reduzindo oportunidades para empresas e profissionais brasileiros.

Tatiana afirmou que a especificidade do setor de TI precisa ser incorporada à discussão e se comprometeu a incluir o tema em seu programa.

“É importante pensar a especificidade do setor de TI diante das mudanças da reforma tributária. Quero aprofundar essa discussão e atuar na defesa dessas empresas”, declarou.

A candidata também propôs a realização de uma reunião específica sobre o assunto, com participação de empresários da capital e do interior, para reunir informações e aprofundar as propostas.

Infraestrutura computacional e soberania digital

Durante o encontro, Tatiana informou que o Rio de Janeiro deverá receber um dos supercomputadores previstos na estratégia federal de inteligência artificial. Segundo ela, o equipamento será fornecido pela Huawei e envolverá transferência de tecnologia, com possibilidade de utilização por instituições científicas e empresas do ecossistema fluminense.

A presença de universidades, centros de pesquisa e profissionais qualificados teria sido um dos fatores considerados para a escolha do Rio. A expectativa é que a infraestrutura amplie a capacidade de processamento disponível para pesquisas e para o desenvolvimento de soluções empresariais, especialmente em inteligência artificial.

“A ideia é que o supercomputador também seja utilizado para estimular empresas do Rio de Janeiro. Ter essa capacidade computacional aqui pode se transformar em um importante polo de desenvolvimento tecnológico”, afirmou.

Os participantes também defenderam maior organização e abertura dos dados públicos municipais. A avaliação é de que informações produzidas pela Prefeitura podem servir de base para novos produtos, serviços e soluções, desde que sejam disponibilizadas de maneira acessível e acompanhadas por uma estratégia de desenvolvimento de negócios.

Uma agenda construída com o setor

Ao final do encontro, representantes da TI Rio, da Riosoft e da Assespro-RJ reforçaram a unidade das entidades em torno de uma agenda comum para o setor de tecnologia do Estado do Rio de Janeiro.

Para Tatiana, essa articulação amplia a capacidade de levar as demandas das empresas ao debate político nacional e de transformar questões como reforma tributária, financiamento, soberania digital e compras públicas em uma agenda estratégica para o estado.

Tradicionalmente, a TI Rio promove encontros com candidatos e pré-candidatos a diferentes cargos eletivos. A iniciativa cria um espaço para apresentar as demandas das empresas de tecnologia, conhecer as propostas dos participantes e ampliar o diálogo sobre o papel do setor no desenvolvimento econômico e social do Estado do Rio de Janeiro.

A agenda terá continuidade, com novos encontros divulgados à medida que forem confirmados.

Texto: Bruno Nasser

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