Um aplicativo de realidade aumentada nascido no Rio, e no momento sendo desenvolvido dentro da incubadora de empresas da Uerj em São Cristóvão, promete dar informações sobre ônibus, restaurantes e hotéis da Cidade Maravilhosa e outros centros urbanos do país. Trata-se do Paprika, app para iOS e Android da start-up Eyllo, que participará do desafio Smart Cities, da Campus Party, na próxima semana, competindo com 40 start-ups de 23 países.
— Estamos mais avançados no iOS e trabalhando com afinco na versão Android — afirma Enylton Machado, doutor em Ciência da Computação e um dos responsáveis pelo Paprika. — A plataforma fica hospedada na nuvem, e já usamos serviços como Amazon Web Services e Azure, da Microsoft. Agora, para a competição em São Paulo, estamos usando o ambiente de nuvem da plataforma FI-Ware.
O aplicativo assinala locais importantes numa região da cidade quando se aponta a câmera do telefone para eles — de pontos turísticos a paradas de ônibus, por exemplo. Ele pode mostrar isso em textos, áudios ou tweets, segundo o desenvolvedor Hendy Coelho. Também pode exibir dados de outras redes sociais, como Foursquare.
Segundo Enylton, no fim de 2013, a Faperj aprovou projeto da Eyllo para colocar no Paprika informações sobre linhas de ônibus cariocas.
— A partir de dados da Fetranspor, o aplicativo permitirá ao usuário apontar o smartphone para um ponto de ônibus e receber informação sobre as linhas que passam lá. Também poderá inserir o nome de um lugar e receber os números das linhas que vão para tal destino. No momento, estamos com o foco na Zona Sul. Um objetivo futuro é colocar no app também o tempo que levará para determinado ônibus chegar ao ponto ou ao destino buscado, mas isso exigirá bastante trabalho — explica.
Para a competição na Campus Party, a equipe da start-up está adicionando ao app dados sobre hotéis e restaurantes em São Paulo.
O sistema coleta informações públicas para aplicar a geolocalização à realidade aumentada.
— Também usamos sistemas como o Geocoding e Reverse Geocoding, da Google, entre vários outros. Procuramos sempre verificar a localização precisa para evitar confusões, comparando serviços web diferentes — explica Enylton.
A Eyllo obteve recursos de Faperj e CNPq para tocar o desenvolvimento, num total aproximado de R$ 900 mil, entre equipamentos e salários da equipe. A incubadora da Uerj oferece espaço físico, e um valor de aluguel acessível que inclui todas as contas do mês.
Embora a plataforma esteja em estágio avançado de desenvolvimento, o Paprika ainda não está completo, pois falta conteúdo. De acordo com Enylton, a start-up está em busca de parcerias nesse sentido. Dessas parcerias viria a monetização do aplicativo (gratuito para os usuários), já que os provedores de conteúdo poderiam inclusive usar estratégias de publicidade com a realidade aumentada.
Na final do Smart Cities, em que o Paprika concorre, o primeiro colocado receberá € 75 mil (aproximadamente R$ 240 mil). Ao vice-campeão caberão € 40 mil (R$ 128,2 mil) e ao terceiro colocado, € 20 mil (R$ 64 mil).
— Também participamos de outras competições — conta Enylton. — Por exemplo, temos até o final de fevereiro para entregar um projeto piloto ligado à marca dos biscoitos Club Social, da Mondelez International (antiga Kraft Foods) envolvendo o Paprika, e para isso foram disponibilizados R$ 50 mil.
Além de Enylton e Hendy, a equipe da Eyllo conta com Lia Rodrigues, Roberto Oliveira, Isabela Medeiros e Eric Corrêa.
Site: O Globo
Data: 24/01/2014
Hora: 8h
Seção: Tecnologia
Autor: André Machado
Link: http://oglobo.globo.com/tecnologia/start-up-carioca-desenvolve-app-de-realidade-aumentada-11382920