A concorrência entre os diversos fabricantes de celulares, tablets e computadores, assim como dos sistemas operacionais, é bom para os consumidores. É possível encontrar produtos adequados para todos os gostos e quase todos os bolsos. Contudo, a multiplicidade de modelos é uma pedra no sapato de desenvolvedores de sites e aplicativos. É comum, por exemplo, uma aplicação funcionar no computador, mas não abrir no smartphone.
De olho nesse problema, o carioca Leandro Ginane, de 34 anos, abriu no início deste ano a DeviceLab, start-up especializada em testes de usabilidade de soluções web e aplicativos.
Apesar de nova, a empresa já está abrindo uma filial em São Paulo e faz planos para abrir escritórios em Brasília e na região Sul do país.
– Não somos uma empresa de teste convencional, nós avaliamos questões de usabilidade que precisam do olhar humano – explica Ginane. – Nós estamos prontos para realizar testes em mais de 140 ambientes, entre computadores, smartphones e tablets. O Android é bem problemático, porque ele tem diferentes versões em uma infinidade de aparelhos.
“Mobile first”
Como a popularização dos dispositivos móveis é recente no país, muitas aplicações não estão adaptadas para funcionar nas pequenas telas. Em maio deste ano, a start-up avaliou os sites das maiores lojas virtuais do país e percebeu que todas apresentavam algum problema que inviabilizava a finalização da compra em tablets e smartphones.
– Hoje, as empresas devem pensar em “mobile first”. A boa prática prega que o desenvolvedor deve pensar primeiro na tela pequena, já sabendo da limitação de interface – recomenda.
Ginane recomenda que as empresas invistam no desenvolvimento de ambientes com design responsivo, que se adaptam a qualquer tela. No Brasil, ainda é comum o desenvolvimento de versões diferentes de sites para desktops e smartphones, as chamadas versões mobile, que aparecem com um “m.” no navegador. De acordo com o especialista, os custos de manutenção de dois ambientes diferentes são maiores, além de o usuário não ter a mesma experiência.
Sobre o investimento em aplicativos próprios, Ginane é direto: “depende das necessidades”. Não adianta investir no desenvolvimento de um aplicativo que ofereça as mesmas funções que o site. A experiência deve ser diferenciada.
– As pessoas não vão buscar no aplicativo as mesmas coisas que no site – diz.
Para dar uma força aos novos empreendedores, a DeviceLab empresta o escritório para que desenvolvedores testem suas aplicações em diferentes ambientes. A iniciativa faz parte de um movimento mundial chamado OpenDeviceLab.com. No Brasil, apenas a start-up oferece o serviço.
Site: O Globo
Data: 8/11/2013
Hora: 13h34
Seção: Tecnologia
Autor: Sérgio Matsuura
Link: http://oglobo.globo.com/tecnologia/start-up-avalia-usabilidade-em-plataformas-moveis-10724602