
A transformação digital já não é apenas uma questão tecnológica. No setor de tecnologia da informação do estado do Rio de Janeiro, o desafio passa cada vez mais pela dimensão humana da liderança. É o que revela a última edição da Pesquisa TI Rio de RH, que identifica uma mudança clara no perfil das competências mais valorizadas pelas empresas.
O levantamento mostra que o setor fluminense é majoritariamente composto por pequenas e médias empresas, com estruturas enxutas e equipes de até 50 colaboradores em quase metade dos casos. Esse formato organizacional exige lideranças mais próximas, adaptáveis e com forte capacidade de gestão de pessoas.
Estruturas enxutas exigem líderes completos
Com quase metade das empresas operando com equipes entre 11 e 50 colaboradores e uma parcela relevante funcionando com até 10 profissionais, o modelo predominante no estado é o de organizações ágeis, menos hierarquizadas e com alta integração entre áreas.
Nesse contexto, habilidades como comunicação, escuta ativa, gestão de conflitos e visão estratégica tornam-se tão importantes quanto o domínio técnico. Em empresas com equipes compactas, o líder não atua apenas como gestor de tarefas, mas como articulador de cultura, estratégia e performance.
A própria distribuição dos cargos reforça essa característica. A maior parte das empresas mantém número reduzido de profissionais em posições de senioridade elevada, como gerentes e diretores, o que amplia a responsabilidade das lideranças intermediárias e exige maturidade comportamental.
Transição geracional e novo perfil de liderança
A pesquisa também revela uma transição clara nas gerações que compõem as equipes de TI. Profissionais das gerações mais jovens já ocupam espaço relevante nas organizações, principalmente em equipes pequenas e médias.
Esse movimento altera a dinâmica interna das empresas. Novas gerações demandam ambientes mais colaborativos, flexíveis e com propósito definido, fatores que pressionam as lideranças a desenvolver competências socioemocionais mais sofisticadas.
Ao mesmo tempo, a permanência mais longa nos cargos de maior senioridade indica estabilidade estratégica no topo das organizações, mas também reforça a necessidade de atualização constante do modelo de gestão.
Um desafio estrutural para o setor
Outro dado relevante é que o mercado é predominantemente formado por empresas de pequeno e médio porte. Em ambientes assim, decisões são tomadas com rapidez e os líderes precisam equilibrar pressão por resultados, retenção de talentos e inovação contínua.
A última edição da Pesquisa TI Rio de RH sugere que o desafio central do setor já não está apenas na escassez de profissionais técnicos, mas na formação de lideranças capazes de integrar estratégia, tecnologia e gestão de pessoas.
O PAPEL DO TI RIO
Ao consolidar esses dados, o TI Rio reforça seu papel como produtor de inteligência setorial e como articulador de uma agenda que ultrapassa a representatividade, avançando para a dimensão estrutural da sustentabilidade organizacional.
A maturidade do setor fluminense de tecnologia não se mede apenas pelo tempo de mercado, mas pela capacidade de adaptar sua cultura e sua liderança às novas exigências do trabalho contemporâneo.
Texto: Redação TI Rio