Smart grid: Fornecedores cobram padrão do governo brasileiro

Na última semana de janeiro, o Brasil recebeu a visita de Frank Hyldmar, vice-presidente executivo Elster Soluções Integradas. Conhecida como fabricante de medidores elétricos, há quatro anos a companhia iniciou, globalmente, um trabalho de estímulo ao desenvolvimento de smart grids, as chamadas redes inteligentes, junto às empresas de utilities. No Brasil, a iniciativa toma corpo há um ano.

Hyldmar também é presidente da Esmig, sigla em inglês para Grupo de Indústrias de Fabricantes Europeus de Medidores Inteligentes, e um dos motivos de sua visita ao Brasil foi a possibilidade de criar por aqui um movimento semelhante. “Precisamos incentivar e influenciar o mercado. Muitas operadoras já estão trabalhando, mas sem direcionamento”, afirma.

A falta de direcionamento não ocorre sem razão. No Brasil, ainda não há qualquer diretriz governamental em relação aos padrões a serem adotados pelas redes inteligentes.  Geraldo Guimarães, vice-presidente da Elster para a América Latina, lembra que nos Estados Unidos e na Europa já existem regras claras.

“Tivemos um sinal da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) há dois anos, quando eles divulgaram o primeiro draft de padrões, mas isso não foi lançado até hoje”, diz Guimarães. Ele lembra também que, no final do governo Lula, um grupo chegou a ser formado para discutir o assunto, mas ele foi extinto pela presidente Dilma.

Por contas destas incertezas, os dois executivos acreditam que uma associação nos moldes da Esmig poderia acelerar a criação de padrões e o desenvolvimento de redes inteligentes. “Uma instituição desta natureza reuniria operadoras, fabricantes e fornecedores de tecnologia em torno da definição destes padrões e das melhores práticas para a implementação destas redes”, explica Hyldmar.

Ele lembra que, na Inglaterra, por exemplo, o governo deu ao mercado um prazo de oito meses para que os padrões fossem definidos. “Será um processo parecido com o vivido pela indústria de telecomunicações há alguns anos. Ela definiu padrões que hoje nos permitem usar nossos celulares em qualquer lugar do mundo”, compara.  A nova associação incluiria diversos membros do grupo europeu com operações no Brasil, como SAP, Cisco, Oracle, Siemens e Accenture.

Até lá, a indústria seguirá tateando sobre as melhores formas de implementar smart grids no País. Guimarães afirma que hoje a Elster trabalha com as dez maiores companhias brasileiras de utilities e que todas, sem exceção, está realizando algum tipo de piloto com smart grid. “As redes vem evoluindo há anos, mas agora chegamos ao ponto em que os padrões precisam ser definidos para que o mercado possa acelerar e seguir em frente”, diz.

Um dos pilotos em andamento no Brasil está sendo realizado em parceria com a Light, no Rio de Janeiro. Ali foram instalados 41 mil medidores inteligentes em dez comunidades que receberam UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Guimarães revela que o plano da Light é que todas as comunidades com UPPs passem a contar com a tecnologia até o final de 2016.

Site: Convergência Digital
Data: 27/01/2012
Hora: 16h21
Seção: Inovação
Autor: Fabio Barros
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=29056&sid=3

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