O Google anunciou uma nova versão do Android esta semana com alguns novos recursos que impressionam, mas não está claro se foi feito o suficiente para resolver um problema que tem persistido em seu sistema operacional móvel: a fragmentação.
Mesmo quando anunciou o lançamento do Android 4.1, ou JellyBean, a maioria dos usuários ainda está utilizando o Gingerbread, três versões anteriores. De acordo com dados do próprio Google, apenas 7% estão executando a versão atual, o Ice Cream Sandwich, lançado em outubro passado.
Isso significa que aplicativos desenvolvidos junto com a última versão do OS não estão disponíveis para a maioria dos usuários Android. Isso também significa que desenvolvedores, o sangue vital da plataforma, são forçados a testar suas inovações em diversos dispositivos e versões do sistema.
Então, quando Hugo Barra, diretor de gestão de produtos do Android, anunciou um “kit de desenvolvimento de plataforma”, durante a palestra de abertura durante a conferência do Google I/O, a notícia foi recebida com aplausos. O SDK irá fornecer aos fabricantes de celulares Android uma prévia da nova versão do Android, tornando mais fácil para eles obter o recente software em seus novos telefones.
Atualmente o Google completa uma atualização do sistema operacional e, em seguida, a compartilha com fabricantes, que se certificam de que o sistema realmente funciona em seu hardware e para ajustá-lo as suas necessidades, caso necessário. Depois, os dispositivos são vendidos para os consumidores.
Segundo informações do Google, com o novo kit, fabricantes irão receber a atualização do Android antes do processo de produção ser finalizado. Isso lhes permitirá começar seu trabalho de desenvolvimento mais cedo e entregar o software nas mãos de consumidores assim que a atualização foi terminada.
Mas o kit é suficiente para garantir aos desenvolvedores a experiência única para o grande números de usuários que os desenvolvedores almejam?
Em uma conversa com a equipe do Android, os desenvolvedores tinham mais perguntas sobre a fragmentação do sistema operacional da Google do que a gigante tinha de respostas.
Perguntado sobre como a empresa pretendia liberar o JellyBean aos usuários mais rápido que o Ice Cream Sandwich, um funcionário disse: “Nós vamos primeiramente dar-lhes dispositivos grátis, essa é uma boa maneira de começar.” Google está dando telefones e tablets gratuitamente a desenvolvedores durante o evento.
Um desenvolvedor perguntou sobre o Android Alliance, anunciado no I/O 2011, que garantiria que smartphones teriam atualizações regulares por pelo menos 18 meses. O Alliance era um compromisso das OEMs (sigla para Original EquipmentManufacturers, ou Fabricantes de Equipamentos Originais, em tradução livre) para garantir que os usuários dos telefones Google tivessem atualizações relevantes liberadas mais rapidamente, afirmou a gigante.
A resposta foi um pouco irreverente. “O que dissemos no ano passado é que teríamos dispositivos com suporte por 18 meses, mas não tem sido 18 meses desde o ano passado. Então não podemos atestar ou refutar se ele está funcionando ou não”, disse Dave Burke, diretor de engenharia do Android.
Talvez tenha sido esse tipo de comentário que levou o analista Brian Blau, da Gartner, concluir que o Google “não liga muito” para a questão da fragmentação.
Para ser justo, o Google enfrenta um problema difícil. Ambos fabricantes e operadoras móveis personalizam o sistema operacional open-source, então há diferenças mesmo para usuários que executam a mesma versão de Android em dispositivos diferentes, ou com diferentes fornecedores. Nem os OEMs, nem as operadoras fornecessem atualizações do sistema operacional, e incentivam os usuários a comprar novos aparelhos ao invés disso.
O kit não mudará qualquer um desses fatores. Seu objetivo é simplesmente ter celulares executando uma versão em particular do sistema operacional nas mãos dos consumidores mais rápido, segundo disse o Google aos representantes de desenvolvedores.
O Google tem pelo menos uma maneira de corrigir o problema, de acordo com o analista Ezra Gottheil, da Technology Business Research. A empresa poderia fazer uma versão do Android que é mais uniforme em todos os dispositivos e operadoras, disse. Usuários poderiam, então, atualizar o sistema operacional diretamente do Google, da mesma forma que usuários do iOS fazem. Mas os OEMs e operadoras querem ser capazes de personalizar o sistema operacional para fazer parecer com seus produto.
A empresa deve, portanto, escolher entre irritar seus parceiros de hardware e seus desenvolvedores. “Eles estão tentando atacar o problema pelas bordas”, disse Gottheil.
Mas, de acordo com a empresa de análise de serviços móveis Flurry, a fragmentação contribui para um maior custo para desenvolver aplicativos para Android, ou seja, a Google corre o risco de afugentar seus desenvolvedores se fizer pouco para resolver o problema. “O perigo seria recebem uma reputação de não possuírem aplicativos decentes, mas eu acho que estão um pouco longe disso”, disse Gottheil.
De fato, desenvolvedores presentes na conferência pareciam aceitar que a fragmentação poderia ser um risco próprio do desenvolvimento open-source. Eles também observaram que o Google oferece ferramentas para ajudá-los a trabalharem com as múltiplas versões do Android.
“Com o Android é realmente a primeira vez que temos um sistema operacional que pode funcionar com esse amplo leque de diferente de dispositivos. E mais ou menos, você pode escrever o mesmo código, facilmente transportável, o que tem sido um sonho. Eu realmente acho que os prós compensam um sistema mais integrado, onde você só tem alguns diferentes pedaços de hardware”, disse ZackJuhasz, da startupTenkiv.
Site: IDG Now!
Data: 03/07/2012
Hora: 11h
Seção: Internet
Autor: ——
Link: http://idgnow.uol.com.br/internet/2012/07/02/sera-que-o-google-fez-o-suficiente-para-manter-o-android-atualizado/