Semanas atrás, a InfoWorld lançou o Windows Red, uma releitura do Windows 8 que propôs separá-lo em dois — o Windows Desktop para PCs e laptops, e a Metro para smartphones e tablets — preservando, ao mesmo tempo, alguma interoperabilidade entre os dois. Dada a deplorável resposta ao Windows 8, a ideia básica parecia bastante óbvia para nós.
Mas será o mashup de duas interfaces o único problema? Ou a Metro — conhecida como a interface Modern — é o elefante no caminho para a adoção do Windows 8? Afinal, nem os smartphones com Windows nem os tablets com Windows RT estão exatamente voando das prateleiras, comparados aos dispositivos Android e iOS.
Em uma postagem no seu blog Getwired.com, Wes Miller, do Directions on Microsoft, inspirou-me a revisitar esta questão. Ele argumenta que a premissa da Microsoft para a Metro foca nos blocos em tempo real, os quais ele acredita serem frequentemente não muito úteis.
O dilema dos blocos
Miller diz que os blocos em tempo real da Microsoft chamam atenção demais para o SO e desviam a atenção dos aplicativos. Eu vi Steve Ballmer usar o argumento contrário: uma tela Iniciar personalizada, com blocos em tempo real, daria ao usuário uma leitura de informações dos aplicativos que você mais utiliza, semelhante a um painel, sem que o usuário tenha que clicar em nada.
Ambos têm razão. Há algo sobre os blocos em tempo real que me faz lembrar dos primeiros dias da internet, quando as páginas enlouqueceram com brinquedinhos giratórios e piscantes. Por outro lado, eu conheço pessoalmente fãs da interface Metro, que gostam de ter esse grande nível de informações na tela.
O dilema é: os blocos já tomam bastante espaço em comparação aos ícones, e, se você gosta de blocos em tempo real, você provavelmente os quer grandes o suficiente para carregar informações úteis — últimas mensagens, clima e etc. Obviamente, isto significa muito menos aplicativos visíveis na tela ao mesmo tempo, embora seja bem fácil rolar horizontalmente para encontrá-los.
Você poderia atribuir tudo isso a uma questão de gosto. Exceto por um ponto: se a principal razão de vendas é uma tela Iniciar, com blocos em tempo real nos quais você mexe para exibir apenas o que quer, a personalização deveria ser bem mais fácil.
Dedos mágicos
É muito fácil arrastar os blocos com os dedos e organizá-los da maneira que quiser. Mas para desafixar um bloco do menu Iniciar, alterar seu tamanho ou ativar e desativar sua funcionalidade de tempo real, você precisa deslizar o bloco para baixo de forma a entrar no modo de edição.
Deslizar para baixo na Metro equivale a clicar com o botão direito. Mas para novos usuários, não há nenhuma maneira de intuir aquele gesto, e tal qual no famoso teste do Pai [6], não há nenhuma maneira de adivinhar como fazer a Charms bar aparecer, sem ser dito como.
De modo simples, os gestos são um problema para a interface Metro. O expert em IU, Jakob Nielsen, deixou isso bem claro em novembro do ano passado:
A versão do Windows 8 para tablets introduz um monte gestos complicados, que são fáceis de errar e, assim, reduzem drasticamente a aprendizagem da IU. Se algo não funcionar, os usuários não sabem se fizeram o gesto de maneira errada, se o gesto não funciona no atual contexto, ou se eles precisam fazer um gesto completamente diferente. Isto torna difícil aprender e lembrar os gestos. E isto torna o uso efetivo altamente propenso a erros e mais demorado do que o necessário.
Como um exemplo extremo, Nielsen menciona o gesto para revelar a lista de aplicativos atualmente em execução, o que requer algo como uma pirueta com o dedo. Particularmente, acho a criação de novos grupos de blocos um pouco pesada. O primeiro passo — arrastar os blocos para que atinjam o lado direito, até que uma barra cinza apareça — pode ser complicado. Menos ainda eu teria adivinhado aleatoriamente que reduzir o zoom e deslizar para baixo forneceria uma opção para nominar tal grupo.
Eu poderia continuar. Poucos usuários parecem gostar da versão Metro do IE10 e sua interface minimalista, com URLs arbitrariamente na parte inferior. Menos ainda gostam do aplicativo Xbox Music da Metro. Além disso, o Bing é empurrado demais na sua cara, e como Matt Rosoff, da CITEworld, apontou recentemente, o Bing não chega nem aos pés da pesquisa do Google.
Há mais coisas, mas não são necessárias para a óbvia conclusão: a interface Modern (antiga Metro) por si só é uma inibidora da adoção do Windows 8, não apenas a mashup da Metro e da área de trabalho.
Ajustes e promessas
O Windows 8.1 (vulgo Windows “Blue”) aborda algumas das desvantagens — por exemplo, o 8.1 adiciona a capacidade de classificar os blocos em mais usados, data e categoria. Logicamente, o IE 11 está a caminho, juntamente com melhorias para outros aplicativos fundamentais da Metro, incluindo o aplicativos Xbox Music.
Para ser sincero, tenho poucas dúvidas de que parte da resistência à Metro seja simplesmente por causa da interface ser realmente nova. Os partidários da Microsoft gritam bem alto que, aqueles que se recusam a passar um tempo aprendendo sobre como utilizar a Metro são simplesmente ludistas, cegos demais para verem a beleza de uma interface fabulosamente nova.
Talvez. Mas para fazer os usuários subirem uma curva de aprendizagem, você precisa de uma recompensa no final do arco-íris. Hoje, os aplicativos Modern não equivalem exatamente a um pote de ouro — e até agora vimos poucos sinais de que desenvolvedores externos migrarão para uma plataforma que ainda precisa dar provas ao mercado.
Site: CIO
Data: 03/07/2013
Hora: 7h10
Seção: Tecnologia
Autor: Eric Knorr
Link: http://cio.uol.com.br/tecnologia/2013/07/03/sera-a-interface-modern-o-verdadeiro-problema-do-windows/