As empresas de segmentos pouco representados na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa) serão o alvo preferencial dos fundos de pensão brasileiros que investirão pela primeira vez fora do país.
O grupo deve, em um primeiro momento, comprar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões, em papéis de renda variável. Grandes fundos, como Previ, Petros e Funcef, além de fundos de pensão menores como a Fundação Itaú, já fecharam a sua participação. “Toda a estrutura já está montada, já há massa crítica para ir a mercado. Temos apenas que acertar a composição de cada fundo de pensão no grupo”, afirmou o presidente da BB DTVM, Carlos Takahashi.
Cada fundação pode investir até 25% de seus patrimônios em aplicações no exterior.
A BB DTVM é a administradora nacional dos recursos do grupo. No exterior, os gestores Black Rock, J.P. Morgan, Schroders e Franklin Templeton irão aplicar em fundos globais compostos por apenas renda variável. “Faz todo sentido diversificar para buscar a dinamização do portfólio”, disse Takahashi durante o 34º Congresso da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar).
Entre os segmentos que devem ser escolhidos, o presidente da BB DTVM cita o de saúde, consumo, tecnologia da informação e indústria química, pouco representados na BM&F Bovespa. Segundo Takahashi, a perspectiva é de valorização das ações no exterior diante da recuperação da economia americana. Uma das principais vantagens da diversificação do investimento rumo ao exterior é a tendência de declínio da taxa básica de juros no país, o que diminuiria o retorno financeiro das aplicações dos fundos de pensão.
Durante apresentação no congresso da Abrapp, Axel Christensen, diretor para fundos de investimento no exterior da Black Rock, disse que o início desde tipo de aplicação é modesta. O objetivo é que, posteriormente, sejam criadas condições para estimular esse mercado, com novas regulamentações e mais flexibilidade ao investidor.
“Para se chegar à maturidade, é preciso fazer reformas, chegar à regulamentação adequada”, disse, ao citar o caso do Chile, onde cerca de 40% dos investimentos dos fundos de pensão de todos os trabalhadores é formado por aplicações no exterior. “O mercado local era pequeno para obter as taxas de retorno requeridas”, afirmou o executivo do maior gestor de fundos globais do mundo. “É um processo gradual, mas sem volta”.
O presidente da Abrapp, José de Souza Mendonça, vê o novo tipo de investimento com cautela. “No momento, estamos olhando lá fora. Um grupo da Abrapp foi ao Chile para ver como funciona lá. Se precisarmos nadar para o outro lado, já saberemos. Ainda não vimos necessidade, mas se ela chegar, já aprendemos”, disse afirmou Mendonça. Os investimentos previdenciários no Chile correspondem a 60% do PIB.
No setor, comenta-se que a Previ, maior fundo de pensão do Brasil, pretende destinar R$ 300 milhões de sua carteira para ações de empresas no exterior. O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil planeja tem R$ 160 bilhões aplicados em ações e em papéis atrelados à renda fixa.
Site: Midia News
Data: 10/09/2013
Hora: 16h16
Seção: Negócios
Autor: ——
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