O Estado do Rio de Janeiro tem 1,5 milhão de empreendedores, ou 22% da população ocupada. No grupo — que reúne trabalhadores por conta própria e empregadores —, apenas 10% têm ensino superior e a maioria está no Grande Rio, sendo 39% na capital e 21% na Baixada Fluminense. Os dados fazem parte do estudo “Empreendedorismo no Estado do Rio de Janeiro: uma análise do Censo 2010”, apresentado nesta terça-feira pelo professor do Instituto de Economia da UFRJ Rudi Rocha durante o seminário Oportunidades do Rio, realizado pelo Globo, em parceria com o Sebrae-RJ e com apoio do Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade (Iets). Para efeito de comparação, Rocha destaca que em Manhattan, centro do empreendedorismo nos Estados Unidos, essa relação entre os empreendedores e a população ocupada é de 8%.
– Somos muitos empreendedores no Rio. É muita gente, mas é uma população heterogênea. Há pessoas que estão ali por falta de escolha, enquanto outros optam pelo empreendedorismo. Essa taxa de 22% reflete um pouco o problema da informalidade — afirmou Rocha, durante o 6º e último encontro do seminário, com o tema “Empreendedorismo no Estado do Rio de Janeiro”. O encontro foi mediado por Cristina Alves, editora de Economia do Globo.
No Rio, 76% pretendem empreender
Na avaliação do diretor-superintendente do Sebrae/RJ, Cezar Vasquez, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas específicas para a região:
– O Rio tem uma peculiaridade no empreendedorismo, com uma das maiores proporções de trabalhadores por conta própria do país. O que faz com que, na média, a contribuição do pequeno empreendedor em termos de renda e geração de postos de trabalho seja inferior à do Sudeste e até do Brasil. Agora, as oportunidades estão criadas e estudamos nos seminários os gargalos e vimos caminhos possíveis.
Diretor regional da Endeavor — organização de fomento ao empreendedorismo —, Illan Sztejnman destaca que a escolha do empreendedorismo pelo potencial da atividade, e não apenas por falta de opção, tem avançado:
– No Brasil, 60% do empreendedorismo ocorrem por oportunidade. É um dado extremamente positivo. A gente vê que tem mais empreendedores nos últimos cinco anos que empreenderam porque viram oportunidade de mercado, e não por precisar trabalhar de casa, por exemplo. É uma evolução do empreendedorismo.
Pesquisa da Endeavor aponta que 76% dos brasileiros têm intenção de empreender, taxa que só fica atrás da Turquia (82%). O Rio reúne 7,8% das empresas com alto impacto — aquelas com crescimento no número de vagas superior a 20% por ano. O estado fica atrás de São Paulo (30%) e de Minas Gerais (9,5%).
– Mas a gente tem o segundo maior PIB, com contribuição de 10,8%, então a gente tem total condição de chegar ao segundo lugar em empreendedorismo – defende Illan Sztejnman.
Esta evolução do empreendedorismo também se traduz em mais competitividade. Membro do Conselho Consultivo da Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje), Eduardo Machado avalia que a competição está cada vez maior e é preciso apostar no empreendedorismo inteligente.
– Nas micro e pequenas empresas, o empresário tem que se vestir de super-herói ou é mágico. Para ter sucesso, é preciso iniciativa, disposição ao risco, bom relacionamento com as pessoas e visão de negócios – diz Machado.
Educação é gargalo
O fundador do Easy Taxi, Tallis Gomes, é um desses empreendedores com disposição ao risco. Lançado em 2011, o aplicativo para chamar táxi está presente hoje em 17 países e em 60 cidades.
– O Brasil é polo de empreendedorismo – afirma Tallis Gomes, citando quatro fatores para o sucesso: equipe, modelo de negócio, ciência e execução.
Apesar dos avanços no empreendedorismo, o presidente da Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro, Paulo Alcantara Gomes, diz que a educação é fundamental para o setor hoje:
– Anualmente cerca de 1,2 milhão de cidadãos abandonam o ensino médio. No Rio, perto de dois milhões de pessoas acima dos 18 anos não têm o ensino médio completo. Temos uma quantidade enorme de trabalhadores sem os níveis de escolaridade que esperamos de uma empresa que seja capaz de inovar. O que estrangula o empreendedorismo é a educação.
O levantamento feito por Rudi Rocha a partir do Censo 2010 revela ainda que, na média, o rendimento dos trabalhadores por conta própria (R$ 1.590) é próximo dos trabalhadores com carteira assinada (R$ 1.469). Nesta comparação, no entanto, não se considera benefícios trabalhistas. Os setores com mais trabalhadores por conta própria no Rio de Janeiro são construção civil, serviços não qualificados e comércio. Já entre os empregadores, o setor de comércio é o mais comum.
Site: O Globo
Data: 5/11/2013
Hora: 23h42
Seção: Economia
Autor: Luciane Carneiro
Link: http://oglobo.globo.com/economia/rio-tem-15-milhao-de-empreendedores-10696963