
No primeiro encontro da nova série promovida pela TI Rio, pré-candidato a deputado federal defendeu a união entre conhecimento técnico e articulação política para viabilizar investimentos, formação profissional e políticas de fomento.
O Rio de Janeiro possui uma das maiores estruturas de ciência, tecnologia e inovação do país, mas ainda precisa transformar essa capacidade instalada em uma estratégia integrada de desenvolvimento. A avaliação foi apresentada por Celso Pansera, pré-candidato a deputado federal, durante o primeiro encontro da nova série promovida pela TI Rio, em articulação com a Riosoft e a Assespro-RJ.
Participaram do encontro representantes de diversas entidades, empresários e profissionais do setor de tecnologia, que tiveram a oportunidade de apresentar demandas, levantar questões e discutir os principais desafios enfrentados pelo segmento no Estado do Rio de Janeiro.
Segundo Pansera, o avanço do setor depende da aproximação entre empresas, entidades representativas, instituições científicas e poder público, além de uma representação política que combine conhecimento técnico e capacidade de articulação.
“É muito importante retomar o diálogo com o setor de informática e com as três instituições que o representam aqui no Rio de Janeiro. São mais de 70 mil CNPJs ligados ao segmento, que hoje não possui uma representação sólida no Congresso Nacional”, afirmou.
Infraestrutura e articulação estadual
Entre os temas abordados durante o encontro, Pansera alertou para o risco de o Rio de Janeiro perder investimentos estratégicos por falta de articulação institucional. Um dos exemplos citados foi a possível instalação de um supercomputador de última geração vinculado ao Laboratório Nacional de Computação Científica, o LNCC.
Pansera defendeu que o equipamento seja instalado no Rio de Janeiro e afirmou que pretende atuar politicamente para viabilizar sua permanência no estado, articulando a oferta do terreno e da infraestrutura necessária ao funcionamento, como água e energia elétrica. Segundo ele, sem essa mobilização, o investimento poderá ser direcionado para outro estado.
Como parte de uma estratégia para fortalecer o ecossistema fluminense, o pré-candidato também propôs a criação de uma “Cidade da Ciência”. A iniciativa reuniria universidades, instituições científicas e empresas em um eixo integrado de conhecimento, aproximando organizações como UERJ, UFRJ e Fiocruz. A proposta busca ampliar a cooperação entre pesquisa, formação profissional e desenvolvimento tecnológico, transformando a capacidade científica instalada no estado em inovação, investimentos e oportunidades.
Ensino técnico e formação profissional
A qualificação de profissionais para o setor de tecnologia também esteve entre os pontos centrais do encontro. Pansera defendeu uma reformulação da Faetec, com maior autonomia para suas unidades.
“Nós temos que mudar a estrutura da Faetec e transformá-la em institutos estaduais, com autonomia pedagógica e administrativa, inclusive para formar profissionais para as empresas do setor”, disse.
A proposta busca aproximar a formação técnica das demandas reais do mercado, contribuindo para enfrentar a escassez de profissionais qualificados e ampliar as oportunidades de inserção produtiva.
Fomento à inovação
Pansera também defendeu maior aproximação da Faperj com as empresas e instituições que integram o ecossistema tecnológico.
“A Faperj precisa voltar a dialogar com o setor e apresentar editais claros, voltados ao desenvolvimento científico e tecnológico”, afirmou.
Para proteger os recursos destinados à ciência, à tecnologia e à formação profissional, o pré-candidato sugeriu que estruturas como a Faperj e a Faetec adotem mecanismos semelhantes aos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o FNDCT. Segundo ele, a transformação desses recursos em fundos financeiros ajudaria a separá-los da conta única do estado, reduzindo os riscos de contingenciamento.
A união entre o técnico e o político
Para Pansera, o conhecimento técnico isolado e a política sem compreensão especializada são insuficientes para destravar as pautas do setor. O Rio de Janeiro, segundo ele, precisa de representantes capazes de entender as necessidades das empresas e, ao mesmo tempo, navegar na burocracia de Brasília para transformar demandas em políticas públicas e investimentos.
“Tem que ter alguém que articule. Você tem que unir a política com o técnico. Não dá para ser só um técnico, mas também não dá para ser só político. Tem que ter alguém que tenha um pouquinho de política e muito conhecimento do setor”, defendeu.
Na avaliação do pré-candidato, essa combinação é fundamental para atuar em frentes complexas, como a gestão dos fundos de ciência e tecnologia, a elaboração de leis e a disputa por investimentos federais.
“Eu vou ser um parlamentar para ir à Finep, pressionar o ministério, pressionar o secretário executivo, seja lá quem for, para que um pouco desse dinheiro fique aqui”, afirmou.
Agenda legislativa federal
No campo do fomento, Pansera destacou um projeto de lei de sua autoria que prevê a destinação de 25% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal ao FNDCT. Segundo ele, a proposta poderia acrescentar cerca de R$ 15 bilhões anuais ao financiamento da ciência, tecnologia e inovação no país.
O pré-candidato também defendeu a aprovação de uma nova redação para a Lei do Bem e a revisão da Lei de Informática. Nesse último caso, a proposta busca garantir que as patentes desenvolvidas com incentivos fiscais permaneçam no Brasil, fortalecendo a capacidade tecnológica e produtiva nacional.
Pansera também abordou a soberania tecnológica brasileira. Ele defendeu políticas para estruturar ecossistemas nacionais de produção de ímãs elétricos e semicondutores, reduzindo a dependência externa e ampliando a capacidade do país de transformar seus recursos minerais em produtos tecnológicos de maior valor agregado.
Reforma política
Ao tratar de questões políticas mais amplas, Pansera posicionou-se contra a obrigatoriedade do voto. Para ele, o modelo leva parte da população a comparecer às urnas sem interesse pelo processo eleitoral, produzindo o que classificou como “voto mal-humorado” e favorecendo escolhas pouco qualificadas.
O pré-candidato também se declarou favorável ao voto distrital e destacou sua participação na relatoria da cláusula de barreira, mecanismo criado para reduzir a fragmentação partidária e limitar o acesso de legendas com baixa representação aos recursos públicos e à estrutura parlamentar.
O parlamentar como parceiro do setor
Pansera afirmou que pretende atuar não apenas na elaboração de leis, mas também como articulador direto das demandas das empresas e das entidades representativas. Durante o encontro, lideranças ressaltaram que o setor de tecnologia ainda é pouco compreendido no Congresso Nacional, inclusive em questões tributárias e trabalhistas que afetam diretamente suas atividades.
“Eu quero ser de novo um parlamentar que se articula com o setor, que ouve o setor, que se reúne, que vai ao sindicato, que frequenta o sindicato, escuta as empresas e trabalha pelo setor”, declarou.
Para o pré-candidato, a construção de um mandato voltado à tecnologia depende do diálogo permanente com quem produz conhecimento, movimenta a economia e gera empregos.
“Se eu não tiver da parte de vocês, que produzem massa crítica e geram economia e emprego, esse suporte, o meu mandato não tem muito sentido”, concluiu.
Uma tradição de diálogo com candidatos
Tradicionalmente, a TI Rio promove encontros com candidatos e pré-candidatos a diferentes cargos eletivos, criando um espaço para apresentar as demandas das empresas de tecnologia, conhecer as propostas dos participantes e ampliar o diálogo sobre o papel estratégico do setor no desenvolvimento econômico e social do Estado do Rio de Janeiro.
Outras agendas serão realizadas, com as datas divulgadas à medida que forem confirmadas.
Texto: Bruno Nasser