
Durante encontro promovido pela TI Rio, candidato ao Senado defendeu maior articulação política em favor do estado e discutiu inteligência artificial, data centers, financiamento, infraestrutura científica e apoio às empresas de tecnologia
O Rio de Janeiro precisa utilizar melhor sua representação no Senado para defender investimentos, articular políticas públicas e transformar sua capacidade tecnológica em desenvolvimento econômico. A avaliação foi apresentada por Pedro Paulo, candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, durante o Café da Manhã com o Candidato, promovido pela TI Rio, em articulação com a Riosoft e a Assespro-RJ, nesta quarta-feira (12).
O encontro reuniu empresários, lideranças e representantes do setor de tecnologia, que puderam apresentar demandas, levantar questões e discutir os principais desafios enfrentados pelas empresas fluminenses. Entre os temas abordados estiveram inteligência artificial, data centers, fomento à inovação, compras públicas, infraestrutura científica, transição energética e acesso das micro e pequenas empresas aos instrumentos de financiamento.
Na abertura, o presidente da TI Rio, Alberto Blois, destacou a dimensão do setor de tecnologia no estado, que reúne cerca de 130 mil CNPJs, considerando diferentes portes e modelos empresariais. Ele também chamou a atenção para a presença de polos tecnológicos em diversas regiões e para a necessidade de ampliar a integração entre a capital, o interior, as empresas, as universidades e o poder público.
“O Rio de Janeiro precisa de articulação na área de tecnologia, tanto em Brasília quanto dentro do próprio estado. Temos empresas inovadoras, profissionais altamente qualificados e polos importantes em diferentes regiões, mas precisamos transformar essa capacidade em uma malha colaborativa”, afirmou Blois.
O papel estratégico do Senado
Pedro Paulo afirmou que o Rio de Janeiro ainda aproveita pouco o potencial político e institucional de sua representação no Senado. Segundo o candidato, o cargo possui instrumentos importantes para articular ministérios, agências reguladoras, investimentos federais e políticas capazes de fortalecer setores estratégicos da economia fluminense.
Para ele, o senador deve atuar não apenas na elaboração e votação de leis, mas também como interlocutor permanente entre o setor produtivo e o governo federal.
“O senador tem um papel de articulação muito importante para ajudar o estado, as cidades e os diferentes segmentos. Se o setor precisa discutir uma pauta com a Anatel, com um ministério ou com outra instituição federal, precisa ter um representante que esteja presente, qualificado e disposto a abrir esse diálogo”, declarou.
Pedro Paulo também defendeu maior articulação entre os três senadores do Rio de Janeiro em torno de uma agenda comum para o estado. Na avaliação do candidato, a ausência dessa coordenação faz com que o Rio perca espaço na disputa por investimentos, infraestrutura e recursos federais.
Data centers e o potencial do Rio de Janeiro
Entre os exemplos apresentados durante o encontro, Pedro Paulo destacou a oportunidade representada pela instalação de data centers. Segundo ele, o Rio reúne vantagens competitivas importantes, como disponibilidade de energia, infraestrutura e capacidade científica, mas precisa agir de forma coordenada para atrair os investimentos.
O candidato criticou o arquivamento do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, o Redata, e defendeu a retomada da discussão no Senado. Para ele, uma nova proposta deve combinar incentivos ao desenvolvimento da infraestrutura digital com exigências mais claras de sustentabilidade.
“Para colocar o Redata em funcionamento, será necessário construir um Redata 2.0, recuperando pontos importantes da discussão e fortalecendo as exigências relacionadas ao uso de energias renováveis”, afirmou.
Durante o debate, representantes do setor também defenderam que a expansão dos data centers seja acompanhada por investimentos adicionais em fontes renováveis. A proposta é aproveitar a demanda energética dessas estruturas para estimular novos projetos de geração sustentável em diferentes regiões do estado.
Infraestrutura científica e inteligência artificial
A permanência e a atualização do supercomputador Santos Dumont, instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica, em Petrópolis, também foram discutidas. O equipamento é considerado estratégico para pesquisas em inteligência artificial, ciência de dados, energia, saúde, clima e outras áreas de alta complexidade.
Pedro Paulo afirmou que a infraestrutura instalada no LNCC pode impulsionar um ecossistema tecnológico na Região Serrana, mas alertou que o Rio precisa garantir as condições necessárias para receber novos investimentos e ampliar sua capacidade computacional.
Para o candidato, a disputa internacional em torno da inteligência artificial exige uma estratégia que reúna energia, telecomunicações, data centers, universidades, centros de pesquisa, empresas e formação profissional.
“O Brasil ainda é muito tímido em relação ao desenvolvimento da tecnologia e da inteligência artificial. Precisamos estar em Brasília para provocar, estimular e fazer com que essa agenda avance também no Estado do Rio de Janeiro”, declarou.
Uma política digital coordenada
Durante o encontro, empresários defenderam a construção de uma política nacional digital mais integrada. A avaliação apresentada foi de que as competências relacionadas à transformação digital estão distribuídas entre diferentes ministérios, agências e órgãos públicos, sem uma coordenação estratégica capaz de estabelecer objetivos comuns.
Pedro Paulo concordou com o diagnóstico e afirmou que o país precisa fortalecer sua cultura de planejamento. Segundo ele, governos devem trabalhar com metas, indicadores e resultados definidos, permitindo que as políticas públicas sejam acompanhadas e avaliadas.
O candidato relacionou essa discussão à proposta de reforma administrativa, que, de acordo com ele, deve ampliar o uso da tecnologia, estimular a inovação no serviço público e exigir planejamento estratégico dos governos federal, estaduais e municipais.
“Sem planejamento, não conseguimos realizar um diálogo de alto nível sobre políticas públicas. O setor público precisa definir onde quer chegar, estabelecer metas e trabalhar orientado por resultados”, afirmou.
Fomento e acesso das pequenas empresas
A dificuldade de acesso das empresas fluminenses aos mecanismos de fomento também ocupou parte do debate. Representantes da TI Rio ressaltaram que aproximadamente 95% das empresas de tecnologia do estado são micro ou pequenas e que, apesar da capacidade de desenvolver projetos, poucas conseguem acessar programas federais de financiamento e inovação.
Entre as questões apresentadas estiveram o uso de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, o Fust, a possibilidade de destinar parte dos royalties a projetos tecnológicos e a criação de estruturas de crédito adequadas à realidade das empresas do Rio de Janeiro.
Pedro Paulo afirmou estar aberto a discutir novas formas de utilização desses recursos e defendeu a construção de instrumentos que ajudem a financiar a inovação e o crescimento das empresas fluminenses.
O Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, criado no contexto da reforma tributária, também foi abordado como possível instrumento para apoiar infraestrutura, crédito e investimentos estratégicos. O candidato alertou, no entanto, que o comprometimento de parte dos recursos destinados ao Rio pode reduzir a capacidade do estado de financiar políticas de desenvolvimento.
Compra pública e fortalecimento das empresas nacionais
Representantes das entidades defenderam ainda a utilização das compras públicas como instrumento de desenvolvimento tecnológico. A avaliação é de que o poder público pode exercer papel importante ao contratar soluções desenvolvidas por empresas brasileiras, contribuindo para a consolidação de negócios, a geração de empregos qualificados e o fortalecimento da capacidade tecnológica nacional.
Também foram reivindicadas linhas específicas de financiamento, maior acesso a editais e uma política pública que considere as características do ecossistema fluminense, formado majoritariamente por empresas de pequeno e médio porte.
Para a TI Rio, o fortalecimento do setor depende de uma representação política capaz de compreender essa realidade e transformar as demandas das empresas em políticas públicas, investimentos e oportunidades.
Uma tradição de diálogo com candidatos
Tradicionalmente, a TI Rio promove encontros com candidatos e pré-candidatos a diferentes cargos eletivos. A iniciativa cria um espaço para apresentar as demandas das empresas de tecnologia, conhecer as propostas dos participantes e ampliar o diálogo sobre o papel estratégico do setor no desenvolvimento econômico e social do Estado do Rio de Janeiro.
A agenda terá continuidade, com novos encontros divulgados à medida que forem confirmados.
Texto: Bruno Nasser