Resíduos eletrônicos podem ser fonte de renda e inclusão social

Os resíduos eletrônicos, sobremaneira de microcomputadores, tratados apenas como lixo e geralmente descartados de forma incorreta, são na verdade uma possibilidade de grandes ganhos econômicos e um caminho para inclusão social. Esse foi o conteúdo das palestras do consultor da Riosoft, Paulo Braga Prado, que falou sobre TI Verde e a Destinação de Resíduos Eletrônicos: Ganhos Econômicos e Ambientais. O tema fez parte da programação da Semana Sebrae de Inovação e Tecnologia.

Braga, que palestrou no dia 16/10, no Hotel Sofitel, em Copacabana, e no dia seguinte nas Naves do Conhecimento de Irajá e do Parque de Madureira, enfatizou que no Brasil não possui uma política de destinação de lixo eletrônico, reciclagem, tão pouco a consciência da possibilidade do reuso. “Quando algum equipamento não nos atende mais, nós nos desfazemos dele como qualquer outro lixo. Não pensamos nos materiais poluentes que eles possuem, e por isso precisam de um descarte correto, muito menos nos atentamos de que aquilo que não nos serve mais pode ser útil a outra pessoa”.

Nos componentes de um computador estão presentes, ferro, cobre, alumínio, chumbo, prata e inclusive ouro, dentre outros materiais. “Todos esses materiais que as mineradoras gastam fortunas para encontrar, gerando poluição e degradação ao meio ambiente, estão presentes,  muitos deles, nas placas dos computadores e estão sendo jogados no lixo. Estamos jogando ouro no lixo”, afirmou o consultor.

Segundo Braga, da mesma forma como a indústria da reciclagem de papel, garrafas pet e latinhas teve início e hoje é bem estruturada, é preciso dar passos audaciosos no sentido de pensar no resíduo eletrônico como um mercado que pode gerar ganhos financeiros significativos. “Existem belas ações isoladas, mas não existe uma movimentação que transforme a reciclagem de eletrônicos em uma indústria. É preciso pensar sobre isso hoje, pois o consumo no País é cada vez maior e, portanto, cada vez maior é o resíduo”.

O relatório da ONU – Organização das Nações Unidas – divulgado em 2010, aponta que o Brasil é o líder entre os países emergentes na geração de lixo eletrônico per capita.   Esses dados podem ser encontrados no estudo realizado pelo TI Rio/Riosoft: E-lixo no Brasil. A pesquisa visa conscientizar os profissionais e empresários do setor a respeito da sustentabilidade.

Instituída pela Lei 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS – traz uma série de medidas sobre a destinação correta desses e outros equipamentos. Um dos pontos fundamentais desse normativo é a logística reversa, que é formada um conjunto de ações para facilitar o retorno dos resíduos aos seus geradores para que sejam tratados ou reaproveitados.

O consultor explica que essa lei gerará uma grande demanda de trabalho e, portanto, possibilidade de novos negócios. “Essa lei coloca a responsabilidade da destinação correta do resíduo eletrônico no gerador do equipamento. Se houver alguém que resolva esse problema para as essas empresas, certamente será apoiado por elas. O investimento nesse ramo é relativamente baixo em face dos ganhos que serão gerados quase que imediatamente”.

Na dimensão social, o reuso dos equipamentos pode colaborar significativamente para a diminuição desse tipo de lixo. “Existem projetos que recebem computadores em desuso. Desmontam três ou quatro aparelhos e montam um novo, que serão utilizados para capacitação e inclusão digital de pessoas de baixa renda”.  ressaltou Paulo.

Para o técnico em manutenção de computadores, Vinicius Luz, que esteve presente na palestra na Nave do Conhecimento do Parque de Madureira, as informações obtidas durante o evento foram úteis e produtivas. ”Possuo um projeto voltado para reciclagem de componentes eletrônicos, mas estou me aventurando, ele (Paulo Braga) me deu um norte do que devo fazer ou não. Eu tinha uma visão de que esse era um mercado possível, aqui eu aprendi como alcançar o objetivo”.

É importante lembrar que o TI Rio e a Riosoft oferecem aos empresários do município do Rio de Janeiro o serviço de coleta gratuita de resíduos eletrônicos por meio de uma parceria firmada com a Fábrica Verde. Para mais informações clique aqui.

Por Bruno Nasser

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