Relatório do Reuters Institute aponta colapso do modelo de distribuição da mídia e antecipa impactos para marcas

relatório do reuters institute aponta colapso do modelo de distribuição da mídia e antecipa impactos para marcas

Um novo relatório do Reuters Institute acende um alerta para o futuro da comunicação digital. O estudo Journalism and Technology Trends and Predictions 2026 indica que executivos de mídia esperam uma queda média de 43% no tráfego vindo de buscadores nos próximos três anos, resultado direto da transformação do search tradicional em motores de resposta baseados em inteligência artificial.

O levantamento mostra que a forma como as pessoas acessam informação está mudando rapidamente. Conteúdos passam a ser consumidos por meio de IA generativa, feeds algorítmicos e creators, reduzindo drasticamente o número de cliques e a relação direta entre audiência e produtor de conteúdo.

Segundo o relatório, o tráfego global originado no Google já caiu cerca de 33% em apenas um ano. Plataformas que historicamente sustentaram a distribuição da mídia digital também perderam relevância: o Facebook, da Meta, registra queda de 43%, enquanto o X apresenta retração de 46%, deixando de ser fontes centrais de audiência para publishers.

A pesquisa aponta ainda que novas interfaces começam a ganhar espaço. O ChatGPT cresce como porta de entrada para informação, mas ainda representa apenas 0,02% dos referrals, evidenciando um consumo cada vez mais mediado por respostas automáticas, sem redirecionamento para os sites de origem.

Na avaliação dos pesquisadores, esse cenário caracteriza um colapso estrutural do modelo de distribuição, baseado na dependência de plataformas terceiras. O conteúdo continua sendo produzido e consumido, mas frequentemente é resumido, reescrito ou apresentado fora do ambiente original, sem gerar tráfego, reconhecimento ou vínculo com o autor.

Diante desse contexto, o relatório identifica uma mudança estratégica nas redações. Em vez de ampliar volume, os publishers estão reduzindo conteúdos genéricos e concentrando investimentos no que não pode ser facilmente intermediado por inteligência artificial. 91% dos executivos afirmam priorizar reportagens originais e investigativas, 82% ampliam o foco em análise e contexto, e 75% apostam na construção de comunidades, eventos e relacionamento direto com o público.

O estudo também destaca o fortalecimento dos creators, que deixaram de ser uma ameaça periférica para disputar atenção e confiança em larga escala. Cerca de 70% dos executivos afirmam que creators capturam hoje uma atenção que antes era da mídia tradicional, enquanto 39% temem perder talentos para esse ecossistema. Nesse cenário, o YouTube desponta como a principal tendência do ano, ao combinar escala, retenção de audiência e narrativas personalizadas.

Para especialistas, o que ocorre no jornalismo funciona como um sinal antecipado para marcas e empresas. O relatório sugere que estratégias baseadas em conteúdo genérico e distribuição dependente de plataformas tendem a perder eficácia. Em um ambiente de informação fragmentada e mediada por algoritmos, o valor passa a estar na capacidade de gerar conversas, contexto e relacionamento direto, e não apenas alcance.

Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno NasserUm novo relatório do Reuters Institute acende um alerta para o futuro da comunicação digital. O estudo Journalism and Technology Trends and Predictions 2026 indica que executivos de mídia esperam uma queda média de 43% no tráfego vindo de buscadores nos próximos três anos, resultado direto da transformação do search tradicional em motores de resposta baseados em inteligência artificial.

O levantamento mostra que a forma como as pessoas acessam informação está mudando rapidamente. Conteúdos passam a ser consumidos por meio de IA generativa, feeds algorítmicos e creators, reduzindo drasticamente o número de cliques e a relação direta entre audiência e produtor de conteúdo.

Segundo o relatório, o tráfego global originado no Google já caiu cerca de 33% em apenas um ano. Plataformas que historicamente sustentaram a distribuição da mídia digital também perderam relevância: o Facebook, da Meta, registra queda de 43%, enquanto o X apresenta retração de 46%, deixando de ser fontes centrais de audiência para publishers.

A pesquisa aponta ainda que novas interfaces começam a ganhar espaço. O ChatGPT cresce como porta de entrada para informação, mas ainda representa apenas 0,02% dos referrals, evidenciando um consumo cada vez mais mediado por respostas automáticas, sem redirecionamento para os sites de origem.

Na avaliação dos pesquisadores, esse cenário caracteriza um colapso estrutural do modelo de distribuição, baseado na dependência de plataformas terceiras. O conteúdo continua sendo produzido e consumido, mas frequentemente é resumido, reescrito ou apresentado fora do ambiente original, sem gerar tráfego, reconhecimento ou vínculo com o autor.

Diante desse contexto, o relatório identifica uma mudança estratégica nas redações. Em vez de ampliar volume, os publishers estão reduzindo conteúdos genéricos e concentrando investimentos no que não pode ser facilmente intermediado por inteligência artificial. 91% dos executivos afirmam priorizar reportagens originais e investigativas, 82% ampliam o foco em análise e contexto, e 75% apostam na construção de comunidades, eventos e relacionamento direto com o público.

O estudo também destaca o fortalecimento dos creators, que deixaram de ser uma ameaça periférica para disputar atenção e confiança em larga escala. Cerca de 70% dos executivos afirmam que creators capturam hoje uma atenção que antes era da mídia tradicional, enquanto 39% temem perder talentos para esse ecossistema. Nesse cenário, o YouTube desponta como a principal tendência do ano, ao combinar escala, retenção de audiência e narrativas personalizadas.

Para especialistas, o que ocorre no jornalismo funciona como um sinal antecipado para marcas e empresas. O relatório sugere que estratégias baseadas em conteúdo genérico e distribuição dependente de plataformas tendem a perder eficácia. Em um ambiente de informação fragmentada e mediada por algoritmos, o valor passa a estar na capacidade de gerar conversas, contexto e relacionamento direto, e não apenas alcance.

Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser

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