Ao abrir uma nova empresa, o empreendedor brasileiro ganha três ”inimigos”: os Governos Municipal, Estadual e Federal.
À primeira vista, essa afirmação pode parecer exagerada, mas é considerada verdadeira para quem tem a responsabilidade de gerir um negócio no Brasil. Aqui é muito difícil abrir e também fechar uma empresa. E, durante sua vida, que para a maioria dos novos empreendimentos tende a ser curtíssima, reflete a dura realidade diária que todos tentam sobrepujar.
É famoso o emaranhado de leis, impostos, taxas, portarias, etc., que diariamente são criados ou modificados pelos diversos governos na tentativa de arrancar mais dinheiro dos contribuintes, apesar de já termos uma das maiores cargas tributárias do mundo.
Mas esse malefício não é exclusividade das empresas, ele se estende a todos os cidadãos e fica impregnado no dia-a-dia das pessoas. E o governo faz vista grossa. Um bom, o mais adequado seria dizer-se mau exemplo, é o Imposto de Renda (IR), pois a cada ano temos uma inflação maior sem a contrapartida de reajuste nos limites de aplicação das respectivas alíquotas, como se todos vivêssemos na Suíça.
Os serviços públicos, de modo geral, não são concebidos para a excelência do atendimento. O trabalhador se quiser consultar com um médico, terá de faltar ao trabalho num dia útil, pois não há como ser atendido normalmente aos finais de semana ou, então, em horários fora do tradicional das 08 às 18 horas. Isto sem mencionar que a localização das unidades de atendimento não considera que a grande maioria hoje mora nas periferias das grandes cidades.
A maior parte dos serviços públicos ainda ignora que há mais de uma década estamos no Século XXI, vivendo a convergência da Tecnologia da Informação (TI) com as Telecomunicações. Tudo ainda é feito para que o cidadão seja obrigado a faltar ao serviço e se dirigir – num trânsito cada vez mais infernal – a alguma autarquia para, por exemplo, requerer um simples serviço ou certidão.
Todos parecem se esquecer que há quase 30 anos, na década de 80, foi empreendido no Brasil um grande esforço para colocar a administração pública a serviço do cidadão: o Programa de Desburocratização coordenado pelo Ministro Hélio Beltrão. Com ele buscou-se tornar menos difícil a vida dos brasileiros, tendo removido várias barreiras, além de chamar a atenção de todos para uma série de idiossincrasias criadas por governos distanciados da boa gestão.
Penso que é hora de voltarmos a discutir e rever os processos de atendimento promovidos pelos serviços públicos em qualquer nível, mas desta vez à luz da TI. Temos alguns bons exemplos, como as urnas eletrônicas e os processos de emissão de passaportes e de declaração do IR. Mas o que hoje é exceção deveria ser a norma para os demais setores do governo.
Esse programa de revisão, por si só, representaria uma excelente oportunidade de geração de bons negócios para empreendedores e inúmeras empresas brasileiras de TI, pois a irritante, gritante e inesquecível dor provocada pelas enormes filas e péssimos atendimentos oferecidos pelos serviços públicos, encontraria alívio e enormes ganhos com as soluções que somente um povo tão criativo como o brasileiro pode desenvolver.
O programa também poderia incluir a implementação de banda larga gratuita nas cidades e a desoneração total sobre qualquer tipo de hardware e software, para promover a aceleração da informatização da população brasileira e atrair, dessa forma, investidores interessados em financiar as boas ideias que certamente surgirão.
Dentre as inúmeras oportunidades que nos defrontamos está o prontuário eletrônico, a caderneta de saúde, campanhas de prevenção para grupos de risco, transporte público, EAD – Ensino à Distância tanto para educação em geral como para desenvolvimento e treinamento de servidores, etc..
Enfim, este é um grande cavalo encilhado que está passando ao lado de todos. Para o bem de todos não podemos perdê-lo.
Site: Baguete
Data: 24/05/2013
Hora: 15h01
Seção: Colunas
Autor: Luiz Otavio Nascimento
Link: http://www.baguete.com.br/colunistas/colunas/1205/luiz-otavio-nascimento/24/05/2013/que-tal-usar-a-ti-para-melhorar-os-servico