O que tem a ver com tecnologia uma empresa que processa vísceras de tilápia descartadas por piscicultores e as transforma em óleos para a indústria de rações? E uma companhia que coleta bambus de pequenos produtores para construir pérgulas, quiosques e outras estruturas? A resposta é: tudo. Ambas as iniciativas, uma no Ceará e outra em São Paulo, fazem parte da lista de 50 empreendedores do projeto SAP Expoentes, projeto da gigante alemã de tecnologia em parceria com a americana Endeavor.
— Começamos o projeto pelo Brasil, e ele seguirá depois para outros mercados emergentes, como a Índia — conta Nicolette Van Exel, diretora global de Responsabilidade Social Corporativa da SAP. — Inicialmente foram avaliadas 500 empresas e, das 50 resultantes, serão escolhidas 20, ainda este ano. Elas ganharão acesso a uma plataforma digital que oferecerá diversos recursos, de orientações sobre como captar capital a ferramentas de software de última geração.
O projeto visa a preparar os empreendedores para prosperar no mercado, de forma sustentável e gerando mais empregos, e o investimento da parceria SAP-Endeavor na empreitada é de € 2 milhões, num período de três anos.
— A primeira coisa que fazemos neste tipo de projeto de responsabilidade social é automatizar o back-office da empresa — diz Sanjay Poonen, presidente de Soluções Globais e da Divisão de Mobilidade da SAP. — Elas passam a usar nossas aplicações de contabilidade, RH, e assim por diante.
Outro benefício é fazer análise de dados nas pequenas empresas para identificar tendências no ambiente de trabalho ou no varejo. E outra aposta é no back-end operado por dispositivos móveis, um mercado que Poonen crê ter imenso potencial no Brasil.
— Vocês têm aqui mais de 200 milhões de pessoas com dispositivos móveis, e a maior penetração de smartphones entre os mercados emergentes — diz.
Entre as empresas selecionadas nesta fase, há desde projetos de agricultura até programas de turismo cultural e educação. Na área tecnológica, estão listadas companhias como a 24×7, que disponibiliza livros em máquinas automáticas semelhantes às de refrigerante, a preços módicos; a PETE, que usa material apoiado em robótica pedagógica; a Pro-Laudo, de telerradiologia à distância; a Enersud, que produz equipamentos de microgeração de energia limpa; a Nanotech do Brasil, que desenvolve soluções em nanotenologia para economia de energia; e a Oniria, que atua na área de serious games.
Site: O Globo
Data: 27/03/2013
Hora: 12h05
Seção: Economia
Autor: André Machado
Link: http://oglobo.globo.com/tecnologia/projeto-investe-2-milhoes-em-empreendedores-brasileiros-7959471