Projeto ALI: Riosoft e Sebrae comemoram resultado de 2012

O ano de 2012 terminou com saldo positivo para os integrantes do programa ALI – Agentes Locais de Inovação. Em um ano de realização, mais de mil empresas foram sensibilizadas, e a iniciativa está próxima de atingir a meta de 700 organizações que venham a aderir ao projeto. A expectativa é que já no início deste ano esse objetivo seja alcançado. O projeto, desenvolvido pelo Sebrae, está sendo  executado no Estado do Rio de Janeiro, em parceria com a Riosoft e o TI Rio, exclusivamente para o setor de TI. A finalidade é capacitar as empresas do ramo para o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, visando a melhoria dos processos de gestão. 

As peças fundamentais de todo andamento desse projeto são os Agentes Locais de Inovação, que foram selecionados e capacitados pelo Sebrae, em parceria com a Riosoft, para captar e acompanhar durante o período de dois anos, empresas de tecnologia do Rio. “Os agentes passaram por uma capacitação muito densa feita pelo Sebrae, mas como esse projeto está sendo realizado com foco nas empresas de TI, foi necessária uma capacitação complementar que foi repassada pela Riosoft, tendo em vista a especificidade do setor”, explica Paulo Golzman, consultor sênior responsável pelo projeto na Riosoft. Ao todo são 14 agentes que avaliam o grau de inovação e propõem planos de ação de acordo com o diagnóstico de cada organização. 

No entanto, apesar de ser um programa gratuito, que proporciona ao empresário ter a empresa acompanhada pelo período de até 24 meses, alguns empreendedores se mostram receosos em aderir ao programa ALI.  “Percebemos a insegurança deles (os empresários) desde o início, pelo fato de o programa não ter custo e por isso eles não conseguem visualizar que só há benefícios. Acham, por exemplo, que será incorporado algum valor a ser pago no futuro”, afirmou o agente Nilton da Silva Nunes Junior.

A insegurança começa a se dissipar quando o empresário recebe o plano de ação baseado no diagnóstico feito pelo agente, e em muitos casos, o mapeamento realizado vai ao encontro à visão que o próprio empresário tem da empresa.  “O diagnóstico quase sempre confirma o que já se sabe, mas o acumulo de atividades faz com que ele (o empresário) não consiga priorizar o que deve ser feito e acaba não tomando as atitudes necessárias. Quando é apresentado um plano de ação, ele consegue dar mais credibilidade e confiabilidade ao programa”, disse Nilton Junior.

De acordo com a agente local de inovação, Michele Esteves Coelho, quando se trata de ações que visam a inovação, os resultados geralmente surgem a médio e longo prazos, porém muitos benefícios em aderir ao programa podem ser percebidos rapidamente. “Uma das empresas que eu acompanho já conseguiu adquirir o cartão do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social -, reestruturou a parte gerencial da empresa a partir do Empretec, e através de outros cursos e capacitações do Sebrae conseguiu visualizar novas possibilidades e expandir o mercado de atuação”.

O setor de TI, em sua grande maioria, é composto por profissionais que possuem um elevado grau de formação técnica. Dominam muito bem o objeto de negócio, porém carecem de uma formação gerencial e empreendedora. “Não são raros os casos de pessoas que trabalhavam em grandes empresas, mas não se sentiam realizadas e resolveram abrir a próprio empreendimento. Certamente, são muito bons no que fazem, mas percebemos que a formação empresarial desse profissional é quase zero, e é aí que entramos para ajudar”, esclarece o também agente local, Bruno Ramos Ferreira. 

O representante da CSP Consultoria, Philippe Gusmão, possui quase 50 anos de atuação no ramo de TI e aderiu ao programa. Ele destaca que sempre se manteve distante de iniciativas governamentais, e por descrédito, sequer investia tempo em ações que ofereciam determinados benefícios. Entretanto Gusmão foi categórico ao afirmar: “Já vi muita coisa acontecendo nesses meus anos de atuação, mas não vi nada tão estruturado e voltado para o segmento de TI como o Projeto ALI”, e acrescentou “É muito bom ser acompanhado por pessoas tão bem preparadas que são capazes de visualizar as necessidades de melhorias na gestão e processos”.
A empresa pode estar crescendo e prosperando, mas a falta de conhecimento específico sobre empreendedorismo pode resultar em alguma falha que coloca todo o negócio em risco. Foi o que contou o diretor comercial da Tekno Consultoria e Tecnologia, Douglas Torres. Segundo ele, apesar do bom desenvolvimento da organização, a empresa não possuía sequer uma marca registrada, e ao tentar solucionar o problema, as respostas obtidas foram alarmantes. “Tentei regularizar essa situação com o auxílio de empresas de consultoria especializada. Recebi dois e-mails informando que estávamos em situação ilegal e que se não fechássemos negócios com eles, seríamos denunciados. Através do ALI, tive ajuda de parceiros do projeto, com preços bem reduzidos e solucionei o problema”, testemunhou Torres que afirmou ainda: “Nós, profissionais de TI, somos muito capacitados tecnicamente, mas não sabemos quase nada de gestão e documentação. O ALI na minha empresa foi decisivo”.

Ainda que o objetivo do projeto seja acompanhar e propor soluções inovadoras para empresa, existe a preocupação de não se criar uma dependência do agente por parte do empresário. Sobre isso, o agente local Nilton Junior, ressalta também que “não podemos ser uma muleta, senão, ao final dos dois anos o agente se afasta da empresa e ela volta à estaca zero. A função do agente é também conscientizar o empresário da importância de ele mesmo se tornar inovador e buscar ações inovadoras para a empresa”.

A parceria Sebrae e Riosoft se consolida ainda mais com o sucesso do Programa ALI

Além da capacitação dos agentes feita em parceria entre o Sebrae e a Riosoft, para dar início aos trabalhos dos agentes, foi utilizada a base sindical do TI Rio – Sindicato das Empresas de Informática do Rio de Janeiro – com, aproximadamente sete mil empresas distribuídas pelas Regiões Serrana, Médio Paraíba, Norte, Litorânea Fluminense e Metropolitana do Estado. Cada um dos agentes tem a meta de trazer 50 empresas para o programa.

O resultado dessa empreitada ao final do ano de 2012 foi muito satisfatório. Ao todo, 1.113 empresas foram sensibilizadas, 537 aderiram ao projeto, 433 diagnósticos foram executados e 332 planos de ação iniciados. “Esses números foram amplamente comemorados. Estamos muito próximos da meta de 700 empresas que participarão do programa”, declarou Golzman.

Todo o desenvolvimento dessa iniciativa do Sebrae, que já é realizada em vários estados do Brasil, visa conscientizar e incorporar a cultura da inovação nas empresas. A coordenadora do Programa ALI no Estado do Rio de Janeiro, Poliana Dutra Valente, ressalta que o empresário deve buscar sempre a inovação, mesmo quando está em um bom momento. “O sucesso não pode fazer com o que o empresário perca o foco nem tenha medo de inovar”.

O segundo ciclo do projeto será voltado a diversos segmentos e não apenas ao de TI. Nessa nova etapa, serão capacitados pelo Sebrae cem agentes que terão a missão de captar 5.000 empresas. Poliana afirmou que o Sebrae optou por realizar primeiro um projeto de menor abrangência, e a parceria com a Riosoft somada a estrutura do TI Rio foram fundamentais para iniciar pelo setor de TI. “Em conjunto com a Riosoft, desenvolvemos um programa voltado exclusivamente para a TI. Já havia um mapeamento feito pelo TI Rio, já sabíamos onde estavam as empresas. Essa parceria certamente é a razão do sucesso dessa iniciativa”, afirmou Poliana.

O resultado do primeiro ciclo também foi um motivador para dar início à segunda fase. “Desde o início já tínhamos em mente que iríamos lançar um programa mais abrangente, porém quando se tem um resultado tão positivo quanto o que obtivemos é um chamariz para os demais empresários e sem dúvida dá ao projeto uma maior confiabilidade, pois os resultados e os depoimentos daqueles que já aderiram ao ALI comprovam que o programa é muito eficaz”, disse a coordenadora.

Texto: Bruno Nasser

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