Um estudo da GSMA, entidade ligada às teles, divulgado ontem, 24/04, mostra que 88% dos usuários de aplicativos móveis do Brasil têm medo da coleta de informações pessoais. Só que, ao mesmo tempo, 74% admitem que concordam com as regras impostas pelo mercado sem uma leitura prévia dos contratos de uso . Em caso de problema, a maior parte dos assinantes recorre à operadora para reclamar seus direitos e não para a loja onde o aplicativo foi vendido. Esse é, aliás, um ponto-chave: conciliar uma política comum entre teles- que perderam vez no mundo das lojas de aplicativos- e gigantes como Google e Apple, que seguiram uma linha própria de atuação e demarcaram território.
“O brasileiro quer consumir aplicativo móvel, mas tem medo de ter seus dados coletados. E em caso de dúvida, recorre à tele. Ele vai na operadora reclamar. A situação chegou num ponto que estamos discutindo o tema no encontro latinoamericano”, revela Amadeu de Castro, diretor da GSMA no Brasil, em entrevista ao Convergência Digital. A questão do consumo de aplicativos é crucial para a rentabilidade das teles nos serviços de dados e envolve, um novo round, com titãs como Google e Apple, que têm lojas próprias, com regras específicas para a venda de aplicativos, e que já demarcaram território nesse mercado.
“A ideia é reunir todo o ecossistema que atua no mundo de dados para tentar uma solução. Privacidade de informação é tema relevante para o assinante e temos que tratar com uma política de mercado, com as regras de privacidade sendo respeitadas por todos os atores”, defende Castro. A pesquisa no Brasil apresenta essa tendência de controle do uso de dados pessoais. Tanto que 92% dos usuários brasileiros querem que lhes seja pedida a devida permissão antes que compartilhem sua localização com um determinado serviço ou aplicativo. Além disso, 55% acreditam que um conjunto consistente de regras deve ser aplicado a qualquer empresa que tenha acesso à sua informação de localização geográfica.
O estudo também mostra que as teles aparecem como a principal fonte de reclamação dos usuários na questão de privacidade. O levantamento apura que 58% dos clientes de serviços de mobilidade recorrerão a sua operadora caso sofram uma séria invasão de privacidade no uso de um aplicativo, independente de quem seja a responsabilidade; 29% recorrerão à loja que vendeu o aplicativo e 34% diretamente ao desenvolvedor. Segundo dados da GSMA, a falta de confiança na forma como os dados pessoais são coletados e compartilhados funciona como uma barreira à adoção ampla de aplicativos móveis na América Latina, um mercado estimado, globalmente, em 29 bilhões de dólares (cerca de 58 bilhões de reais), que cresce a uma taxa de 36% ao ano.
Conheça os principais pontos ligados à privacidade de dados móveis no Brasil, segundo o levantamento da GSMA:
– 88% dos usuários brasileiros de aplicativos móveis pesquisados preocupam-se que esses aplicativos possam coletar informações pessoais sem o seu consentimento e metade dos que tem essa preocupação irão limitar o uso desses aplicativos, a não ser que melhores garantias sejam oferecidas;
– 58% dos clientes de serviços de mobilidade recorrerão a sua operadora caso sofram uma séria invasão de privacidade no uso de um aplicativo, independente de quem seja a responsabilidade; 29% recorrerão à loja que vendeu o aplicativo e 34% diretamente ao desenvolvedor;
– 78% dos brasileiros querem configurar suas próprias preferências com relação ao tipo e ao tempo dos anúncios publicitários que recebem em seus dispositivos móveis;
– 55% acreditam que um conjunto consistente de regras deve ser aplicado a qualquer empresa que tenha acesso à sua informação de localização geográfica;
– 92% dos usuários brasileiros querem que lhes seja pedida a devida permissão antes que compartilhem sua localização com um determinado serviço ou aplicativo;
– 63% daqueles que estão familiarizados com serviços baseados em localização acreditam no seu valor; entretanto, 77% desses usuários desejam poder ligar ou desligar essa funcionalidade;
e
– 74% das pessoas que concordam com declarações de privacidade sem lê-las dizem que é porque elas são demasiadamente longas
A pesquisa foi coordenada pela Futuresight Ltd., sob encomenda da GSMA, e envolveu mais de 1.500 usuários de dispositivos móveis no Brasil e mais de 4.500 usuários, no total, entre Brasil, Colômbia e México.
Site: Convergência Digital
Data: 24/04/2013
Hora: 11h01
Seção: Internet 3G e 4G
Autor: Ana Paula Lobo
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=33579&sid=17