Prestadores de serviço devem ter boa governança

Em praticamente todas as pesquisas sobre a computação em nuvem feitas até agora, a segurança é o item mais mencionado pelos entrevistados como uma das principais barreiras à sua adoção. Em alguns casos, isso ficou subjacente em alegações como “questões regulatórias” ou “disponibilidade dos recursos”. Agora, porém, quase 15 anos após o aparecimento da primeira aplicação em nuvem (o Salesforce, em 1999), os provedores de serviços já têm respostas consistentes para atrair os clientes e convencê-los de que hoje eles só têm a ganhar com a nuvem, seja em custos ou confiabilidade.

Welson Barbosa, diretor de negócios em cloud da EMC para América Latina, acredita que os investimentos em segurança feitos pelos provedores são mais do que suficientes: “Riscos sempre existem, mas os provedores de nuvem investem mais em segurança do que a maioria das empresas. Normalmente, os dados de muitas delas estarão mais bem protegidos em provedores do que em seus próprios data centers”, pondera.

Ricardo Chisman, diretor da consultoria Accenture, concorda com essa afirmação e recomenda o uso da nuvem para empresas cujos modelos de TI nunca chegam ao amadurecimento. Mais pessimista em relação à computação em nuvem, no entanto, o consultor de segurança Graham Cluley, ex-pesquisador das empresas Sophos, Dr. Solomon e McAfee, na Inglaterra, declarou ao Valor que as organizações nem sempre compreendem bem o risco de armazenar dados em nuvem: “Ao colocarmos nossos ‘chapéus’ de especialistas em segurança, devemos dizer que a nuvem é na verdade o computador de terceiros”.

Paulo Pagliusi, presidente da Procela, empresa de inteligência em segurança, lembra que ao migrar para nuvem uma empresa acaba abrindo mão de certos níveis de controle; por isso, precisa assegurar-se de que pode confiar no provedor e de que ele cumpre no mínimo as recomendações de segurança da Cloud Security Alliance e as de governança de TI da Isaca, dois órgãos que são referência nas padronizações do setor. “Mesmo assim”, diz ele, “nuvem é muito mais uma questão de confiança do que de segurança. Dependemos um pouco da confiança de que o provedor vai cuidar de muitas coisas que são importantes para nós.” Jay Heiser, vice-presidente da Gartner nos EUA, acredita que dentro de alguns anos provedores de todos os tamanhos terão também certificados ISO 27000 (sobre padrões de segurança em TI) para facilitar a sua avaliação por parte dos clientes. E por precaução dos órgãos certificadores, vários desses documentos precisam ser renovados anualmente, lembra Nelson Mendonça, diretor da Alog Data Centers.

Brian Contos, vice-presidente da empresa de segurança Blue Coat, lembra que a percepção do cliente em relação à segurança pode melhorar se ele tiver bom relacionamento com o provedor e puder trabalhar em conjunto para o estabelecimento de processos que protegerão suas operações. “Com isso, as nuvens podem ser seguras inclusive para ambientes críticos como produção de energia, petroquímica, tudo”, diz. As nuvens amadureceram em todos os sentidos, avalia Daniel Romio, diretor da Check Point no Brasil, e já é possível para qualquer empresa estender sua infraestrutura para dentro de uma delas com total segurança.

Site: Valor Econômico
Data: 27/02/2014
Hora: 05h
Seção: Empresas
Autor: Paulo Brito
Link: http://www.valor.com.br/empresas/3445378/prestadores-de-servico-devem-ter-boa-governanca

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