Prepare-se para a biometria

Já se sabe que as vendas globais de dispositivos móveis superaram as vendas de computadores tradicionais. Este foi um momento de redefinição para a indústria de TI, chegando à era do “dispositivo móvel como o novo desktop”.  À medida que eles rapidamente tornaram-se o canal preferido das pessoas para o consumo de informações, a comunicação e a realização de transações financeiras, o próximo momento de referência será quando a maioria das interações dos clientes com empresas e com o governo também passar a ocorrer através de dispositivos móveis.

Como é de se esperar, o malware está seguindo essa evolução em TI e, rapidamente, também está passando para o canal móvel – com pouco ou nenhum atraso. Na realidade, como mencionei em um  post recente no blog da COMPUTERWORLD nos Estados Unidos, de acordo com a Symantec, a frequência de ataques em plataformas móveis passou por um grande aumento, justamente na mesma ocasião em que as remessas de dispositivos móveis superaram a comercialização de computadores tradicionais.

Além disso, em alguns países, as plataformas móveis estão passando por um número maior de ataques em comparação com os PCs tradicionais. De acordo com o Security Threat Report, 2013 (Relatório de Ameaças de Segurança, da Sophos) na Austrália e nos EUA, os índices de exposição a ameaças à plataforma Android estão excedendo os índices relacionados aos PCs.

No Brasil, este ainda não é o caso, mas o mesmo estudo aponta que o percentual de dispositivos móveis que sofrem ataques no Brasil realmente foi maior que nos EUA. A Sophos define o índice de exposição a ameaças, ou TER (do inglês, Threat Exposure Rate), como a porcentagem de PCs e dispositivos Android que sofreram ataques de malware por um período de três meses, sejam bem-sucedidos ou não.

Ao observarmos as transações financeiras realizadas online, vemos que, atualmente, a América Latina está passando por um grande crescimento na área de comércio eletrônico. De acordo com a empresa de consultoria de comércio eletrônico E-bit, “as vendas online no Brasil durante o primeiro semestre do ano totalizaram R$ 12,7 bilhões (US$ 5,2 bilhões), o que representa 60% de todas as transações de comércio eletrônico realizadas na América Latina no período”.

Só no período do Natal, o comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 4,3 bilhões. Atualmente, embora seja uma pequena porcentagem do total geral do comércio eletrônico, “no primeiro semestre, 3,6% das vendas online foram realizadas com o uso de smartphones e tablets, em comparação a 1,3% no mesmo período do ano anterior” – este é um aumento de 300%.

Neste contexto de ampla mudança do setor para o uso de dispositivos móveis como o novo desktop, do crescente número de ataques de malware direcionados a esses aparelhos e com o grande aumento do comércio eletrônico móvel na América Latina, principalmente no Brasil, gostaria de falar sobre como a consumerização de tecnologias de segurança cibernética, como a biometria, pode ajudar a amenizar alguns dos atuais problemas e possibilitar mais crescimento do mercado.

Como vocês podem imaginar, os brasileiros estão naturalmente mais preocupados com a segurança de suas transações online e de seus dados financeiros. Uma pesquisa recente chamada Unisys Security Index, realizada em 12 países e que incluiu entrevistas com mais de 1.000 brasileiros, avaliou a percepção dos consumidores em diversos aspectos relacionados à segurança. O estudo concluiu que 75% dos brasileiros estavam muito preocupados com o fato de outras pessoas obterem ou usarem as informações de seus cartões de crédito/débito.

Grande parte das pessoas entrevistadas (67%) estava extremamente preocupada com o roubo de identidade que pode levar ao acesso não autorizado ou ao uso indevido de informações pessoais.

A pesquisa também mostrou que a maioria dos brasileiros entrevistados se sentia, de alguma forma, confiante com a capacidade das tecnologias biométricas de proteger os dados pessoais em suas transações financeiras. Na realidade, 75% dos 1.000 brasileiros entrevistados afirmaram que estavam um pouco ou muito confiantes com a capacidade das tecnologias biométricas, como impressão digital, identificação por íris e reconhecimento facial ou da retina, de proteger suas transações financeiras.

O que é necessário para proteger as transações móveis? Obviamente, não há algo que proporcione segurança absoluta, mas a biometria é um passo rumo à direção certa para fornecer um nível mais forte de autenticação. O que é necessário para difundir a biometria móvel? É necessário um interesse público em adotar essa forma de autenticação – e parece que há – e também de fabricantes de dispositivos que consigam introduzir esse recurso de uma forma que não seja dispendiosa e fácil de usar. O recurso deverá ser parte integrante do smartphone ou tablet, e não um complemento com um custo extra e elevado.

A boa notícia é que, como a segurança cibernética é consumerizada com outros aspectos da indústria de TI, esses tipos de inovações na biometria de baixo custo e com facilidade de uso já estão sendo introduzidos na próxima geração de dispositivos móveis em todo o mundo. Órgãos do governo e CIOs com visão de futuro agora têm uma excelente oportunidade de utilizar essa tecnologia para aumentar a segurança de suas interações com clientes e cidadãos.

(*) Nicholas D. Evans lidera o Programa Estratégico de Inovação da Unisys e foi apontado como um dos 100 principais líderes de TI em 2009 pelo prêmio Computerworld’s Premier 100 IT Leaders

Site: CIO
Data: 24/01/2014
Hora: 10h24
Seção: Opinião
Autor: Nicholas D. Evans
Foto: ——
Link: http://cio.com.br/opiniao/2014/01/24/prepare-se-para-a-biometria/

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