Mais de 90% das perdas de dados ocorrem por conta de ataques externos e 60% das companhias só identificam o problema meses ou anos depois. As constatações partem da operadora Verizon, que apresentou estudo durante o evento de segurança RSA.
Para o levantamento, a empresa compilou estatísticas de 90 casos de vazamento de informações investigados por ela ano passado. Trata-se de uma prévia de documento mais aprofundado que mostrará mais para frente, contendo inclusive as apurações de agências americanas, como o Centro de Estudos para Resposta e Tratamento de Incidentes em Computadores (CERT, na sigla em inglês)
A conclusão é de que 92% dos incidentes foram motivados por ofensivas externas e não de ameaças internas, como muitos estudos já indicaram.
“Creio que este é um mito da comunidade de segurança”. Afirmou Wade Baker, diretor de inteligência da Verizon Business. “Há menos pessoas dentro da organização do que fora dela e penso ser uma questão de lógica que incidentes externos ocorram mais que os internos”.
Ainda assim, o executivo admite que muitos problemas ocorreram por falhas de dentro da companhia, que podem não ter sido incluídas por não terem sido investigadas pela Verizon.
Ataques certeiros
Segundo a pesquisa, o roubo de credenciais foi um dos métodos mais utilizados pelos invasores em 2011. Alguns grupos até automatizaram seus procedimentos para encontrar postas específicas, como ocorreu com opcAnywhere, da Symantec, e depois tentavam acessar espaços fechados pelas senhas obtidas.
Ataques de injeção SQL tiveram uma frequência bem menor em 2011 e não constaram nem na lista dos dez mais, de acordo com Baker. Em geral, tal técnica é utilizada contra serviços financeiros.
Um indicativo que mesmo com o passar dos anos não melhora é em relação à identificação de falhas. Para a maioria das companhias são precisos meses para descobri-las, às vezes anos. Muitas vezes, aliás, só são encontradas por iniciativa de agências públicas, que as avisam sobre sua existência.
Restringir o acesso à portas que são essenciais à comunicação da empresa é tão importante quanto monitorar o tráfego que chega, disse Chris Porter, da divisão de risco da operadora. Segundo ele, a prática funciona como um filtro e ajuda a prevenir brechas.
Permitir que apenas aplicações de uma lista possam ser executadas nos servidores também é uma boa defesa, pois evita a contaminação por malwares quando hackers ganham acesso a eles. Para os pesquisadores, é mais fácil autorizar poucos aplicativos e bloquear os outros do que adicionar continuamente pragas recém-descobertas.
Site: Computerworld
Data: 05/03/2012
Hora: 11h
Seção: Segurança
Autor: Lucian Constantin
Link: http://computerworld.uol.com.br/seguranca/2012/03/05/perdas-de-dados-nas-empresas-decorrem-de-ataques-externos/