Uma das medidas tomadas após as denúncias de que o Brasil – a exemplo do resto do mundo – é massivamente espionado pelos Estados Unidos já deu sinais de que não rendeu frutos. Conforme explicou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a comitiva que foi aos Estados Unidos buscar informações sobre a bisbilhotice americana não voltou com mais do que informações públicas.
“Passaram uma série de informações genéricas. Quando perguntados sobre metodologia, se negaram a dar informações”, revelou o ministro durante audiência pública realizada na última quarta-feira, 14/8, na Câmara dos Deputados. Ainda assim, Bernardo voltou a afirmar que “estamos convencidos que não há somente coleta de metadados, mas um monitoramento muito mais profundo”.
Os americanos teriam afirmado “que não têm atividade [de espionagem] no Brasil”. Porém, também esclareceram à comitiva brasileira que há limites ao que será divulgado sobre as atividades. “Foi mencionado por um representante do Departamento de Estado que eles consideravam a possibilidade de avançar em negociações políticas e diplomáticas, mas não vão abrir informações de segurança.”
O ministro relatou que para a reunião nos Estados Unidos “foram cinco técnicos qualificados do governo, chefiados por um embaixador, e tiveram conversa de mais ou menos duas horas com uma delegação chefiada pelo presidente [sic] da NSA, além de outras nove pessoas do governo americano, apresentadas como membros do staff, mas que sabemos incluía representantes do Departamento de Estado”.
Especificamente sobre o eventual envolvimento de empresas brasileiras na colaboração com a espionagem dos EUA, Paulo Bernardo relatou que os americanos “disseram que não tem competência para isso aqui, mas que as empresas de capital americano devem respeitar as leis americanas”. Como se viu no episódio, tanto as operadoras de telecomunicações como as empresas de Internet sediadas nos EUA repassam dados de clientes ao governo.
Em essência, portanto, o posicionamento é o mesmo que foi resumido pelo Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em visita ao Brasil na última terça-feira, 13/8, quando defendeu e deixou evidente que continuarão espionando. Como respondeu o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, a falta de transparência afeta as relações bilaterais. “Quando há falta de informação, isso pode enfraquecer a confiança.”
Site: Convergência Digital
Data: 14/08/2013
Hora: 12h34
Seção: Governo
Autor: Luís Osvaldo Grossmann
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=34558&sid=11#.UgvexNJkzko