Pare de tratar mobilidade como um centro de custo

Conversas entre gestores sobre mobilidade invariavelmente acabam em discussões sobre programas de  BYOD (traga seu próprio dispositivo) e COPE (de propriedade da empresa, pessoalmente ativado). Rapidamente se transformam em um debate sobre o que é melhor, o que é mais fácil de suportar, ou o que vai gerar custo extra. E se transforma, então, em um exercício de custo. Um ou outro líder irá formar uma equipe para estudar os custos associados com a mobilidade e o que pode ser feito para reduzi-los. Pare! Está tudo errado.

O objetivo de qualquer programa de mobilidade deve ser permitir que os negócios da empresa atenda seus objetivos. Isso significa melhorar os processos de negócios, reinventando modelos  antigos e criando novos que permitam que o negócio cresça por meio do uso da tecnologia móvel. Fornecer a seus usuários as ferramentas certas – o que significa o dispositivo combinado com o aplicativo certo – para que possam se concentrar em suas próprias tarefas, quando e onde for preciso. Tornar a sua força de trabalho mais flexível e ágil, aumentando a sua produtividade e eficiência.

O problema de tratar a mobilidade como centro de custos é que não importa o quão boa sejam suas intenções, você acabará reduzindo as expectativas e tomando  atalhos em um esforço para economizar alguns dólares. Você até conseguirá ser efetivo, quando seus usuários utilizarem apenas um tipo de dispositivo, porque ele é mais barato comprar diretamente do fabricante.
Mas pode haver um aplicativo que faça um trabalho melhor e permita que seus funcionários trabalhem com um pouco mais de flexibilidade, e que custa o dobro da solução que você usa – não importa se ela é ou não  a mais adequada. Nesse momento você começa a fazer concessões. Os compromissos  com redução de custos acumulam e, eventualmente, o levam de volta para a terra de pensamento legado.  Essa é a abordagem errada.

Custo versus valor

Não estou dizendo que o custo não seja importante. Estou apenas propondo que você passe a olhar para a mobilidade de uma forma um pouco diferente.  Quando olhar para o uso de celulares na empresa se concentre nos valores que esse uso agrega. Descubra o quão mais produtivos os funcionários se tornam. Calcule quanto mais ágil sua uma empresa se tornou. Pare de olhar para o celular como um centro de custo e comece a olhar para o valor que ele proporciona.

Vamos pegar o exemplo de um  perito da companhia de seguros. Há poucos anos atrás, se você tivesse um acidente de carro, poderia chamar o perito e marcar uma consulta para inspeção dos danos a seu carro. O perito iria se deslocar até o local onde o veículo estivesse, tirar fotos, iniciar um relatório e voltar para o escritório para finalizá-lo. Iria fazer alguma pesquisa em seu carro – quantos anos tinha, onde foi o dano, se oc6e já teve outros acidentes semelhantes – e só depois, se tivesse sorte, autorizar o reembolso do conserto.

Hoje, o perito pode chegar com um dispositivo móvel, tiras fotos, enviá-las para o sistema com todo o seu histórico de acidentes e o do carro, verificar os custos de reparação e até mesmo emitir um cheque na mesma visita. Em resumo, pode gastar um quarto da quantidade de tempo necessária no passado, e atender a  mais clientes a cada dia. Qual o valor desse ganho de tempo para a companhia de seguros, que racionalizou o processo?

O mesmo pode acontecer em uma linha de produção. Você pode ter uma dúzia de máquinas carimbando e agrupando peças. Cada funcionário é capaz de checar o funcionamento da máquina uma vez por hora, anotando todas as estatísticas relevantes sobre a forma como ele está produzindo. No final do turno, você coleta a papelada e transfere os dados para um computador. Detectado algum problema, você só poderia corrigi-lo no fim do dia, quando todos os dados fossem analisados.

Hoje, você pode fazer a mesma coisa com um tablet. Toda a informação relevante é processada imediatamente, possibilitando detectar problemas e determinar correções  ais cedo. Eventualmente, estas máquinas serão analisadas automaticamente enquanto você gasta seu tempo trabalhando em outra coisa. Quanto essa racionalização de tarefas vale para o negócio?
Precisamos parar de olhar para tudo como um centro de custo e passa para olhar para os ganhos que proporcionarão aos nossos usuários e nossos negócios. Pode não ser uma equação de ROI simples. Mas é cada vez mais necessária.

Site: CIO
Data: 09/04/2013
Hora: 13h39
Seção: Gestão
Autor: Brian Katz
Link: http://cio.uol.com.br/gestao/2013/04/09/pare-de-tratar-mobilidade-como-um-centro-de-custo/

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