Levantamento global da PriceWaterhouseCoopers aponta um aumento no número de empresas que contratam serviços terceirizados na área de segurança da informação.
Os desafios não mudaram muito nos últimos anos, mas as empresas avançaram na forma como lidam para proteger os dados e a rede corporativa. Esta é uma das principais conclusões da oitava edição do estudo anual “Global Information Security Survey”, promovido pela PriceWaterhouseCoopers e as revistas CIO e CSO.
Dos 12.847 executivos das áreas de tecnologia e negócios consultados pelo estudo em todo o mundo, inclusive no Brasil, 67% colocaram os procedimentos que ajudem a organização a reduzir custos como uma prioridade para 2010. Contudo, a maioria reconhece não ter os recursos (tecnologias e/ou pessoas) para realizar esse trabalho, o que se reflete no aumento da demanda por prestadores de serviços terceirizados.
No estudo deste ano, mais da metade dos executivos entrevistados (52%) afirma que os fornecedores de serviços de gestão da segurança, ou MSSPs (Manager Security Service Providers), são hoje fundamentais para a estratégia de suas organizações. Enquanto que 19% citaram que empresas terceirizadas são relativamente importantes para a segurança corporativa.
O levantamento aponta ainda que mais de 30% das organizações consultadas colocam a terceirização de parte ou de todas as funções de segurança como uma prioridade para os próximos 12 meses. O volume percentual fica bem acima do estudo realizado em 2009, quando a mesma questão foi respondida por 18% dos entrevistados.
Para o principal especialista da divisão de serviços da PriceWaterhouseCoopers, Mark Lobel, o aumento do interesse em terceirizar a segurança está relacionado a uma visão mais estratégica dos departamentos de TI.
“O custo de fazer um mau trabalho dentro da empresa é menor do que o valor cobrado por um fornecedor, mas o gasto de implementar uma boa política de segurança internamente é muito mais alto do que o de contratar um provedor externo que faça o mesmo trabalho”, avalia Lobel.
Ainda de acordo com o levantamento, 32% dos entrevistados disseram que contratam empresas terceirizadas para ajudar a empresa a estabelecer padrões e políticas de segurança. Além disso, 24% terceirizam os procedimentos de gestão dos ambientes.
Fora da nuvem
Se, por um lado, a terceirização dos serviços relacionados à segurança da informação ganha força, do outro, poucos executivos consultados pelo estudo estão dispostos a adotar cloud computing (computação em nuvem) para esse fim. Entre os entrevistados no levantamento da PwC, 62% afirmaram ter pouca ou nenhuma confiança na capacidade de assegurar os ativos na nuvem. Além disso, 49% dos profissionais que já utilizam esse modelo computacional se mostraram reticentes em relação à confiança no ambiente.
Quando questionados sobre o que eles consideram o grande risco de apostar em cloud computing, os profissionais citaram a incerteza sobre as políticas de segurança implementadas pelos provedores de serviços em nuvem, questões relacionadas a treinamento inadequado de profissionais e dificuldade de realizar auditorias nos ambientes de cloud.
Otimismo nos investimentos
O relatório aponta também que, apesar das dificuldades econômicas enfrentadas por empresas de diversos países, as corporações não fizeram cortes drásticos em segurança. Pelo contrário, a maioria dos executivos entrevistados manteve ou aumentou os custos relacionados a esse tema ao longo de 2010.
Em relação ao próximo ano, a maioria (52%) demonstra uma intenção de ampliar em pelo menos 10% os gastos relacionados à segurança da informação. Enquanto que 9% pretendem aumentar em mais de 30% os investimentos na área.
Lobel, da PWC, nota que os gastos na área de segurança terão um aumento recorde, se as perspectivas do estudo se concretizarem. “As organizações podem até aprovar o orçamento, mas só vão liberar os recursos financeiros no último minuto”, cita o especialista. Entre os fatores que tendem a ser considerados nessa decisão estão o cenário econômico do próximo ano e a possibilidade de uma nova crise internacional.
De qualquer forma, o analista se diz confiante em um incremento na demanda por soluções mais sofisticadas de segurança em 2011, como reflexo de uma pressão que as empresas têm sofrido para se adequar às normas regulatórias e operar em ambientes cada vez mais baseados na Internet.
“Existe uma perspectiva de aumento nos investimentos em questões como segurança das aplicações e do acesso móvel à rede corporativa”, cita Lobel, que conclui: “Quando os orçamentos previstos saírem do papel, veremos muita coisa acontecer.”
Site: CIO
Data: 26/11/2010
Hora: 13h08
Seção: Gestão
Autor: ——
Link: http://cio.uol.com.br/gestao/2010/11/26/organizacoes-tem-aprimorado-as-politicas-de-seguranca/