Com a hegemonia de tablets e smartphones, além de serviços e aplicativos baseados na nuvem, o limite entre a vida pessoal e o trabalho tornou-se muito tênue. Hoje, dispositivos e aplicativos para consumidores e empresas são praticamente intercambiáveis. Estudos recentes estimam que 79% das empresas têm funcionários que usam ferramentas de compartilhamento de arquivos ou colaboração no ambiente de trabalho, com ou sem aprovação.
Dada a liberdade, a velocidade e a simplicidade da tecnologia, não é surpreendente que os funcionários usem seus dispositivos e aplicativos pessoais para serem mais produtivos no local de trabalho. O desafio é exatamente esse, como os líderes empresariais e de TI de hoje podem combater o uso crescente de dispositivos pessoais não autorizados no ambiente de trabalho, trazendo maior segurança e rastreabilidade das informações corporativas. Este novo cenário hoje é conhecido como “Shadow IT”.
A necessidade de combate ao crescimento dessas zonas de sombra tecnológica deve-se a diversos riscos que eles representam para a segurança das empresas. Do ponto de vista da TI, o uso de aplicativos não autorizados não é só uma questão de violação da política da empresa, mas também uma possível exposição de dados confidenciais e críticos para a empresa.
A Shadow IT expõe uma empresa a uma série de riscos que variam entre roubo de dados, passando por temas de compliance regulatório até phishing e golpes, ameaças competitivas e comprometimento da reputação.
Por mais assustador que pareça, a Shadow IT não é inimiga. Ela é apenas uma resposta natural para o desejo dos funcionários de trabalhar melhor e com a mesma facilidade, eficiência e liberdade de que desfrutam em suas vidas cotidianas. Estudos recentes mostram que os funcionários hoje estão mais satisfeito com as soluções que usam em casa do que as soluções que usam nas empresas.
Tentar controlar ou impedir que as pessoas usem seus aplicativos e dispositivos pessoais no trabalho é similar à situação de desenhos antigos, onde um azarado herói usa o dedo para tapar o buraco de uma represa. Para cada buraco que ele consegue tapar, outros 10 surgem, até que ele não tem mais como tapar os buracos e a represa estoura.
Se considerarmos que o uso dos aplicativos de produtividade cresceu 121% em 2014 fica claro que a tendência de dispositivos e aplicativos pessoais no local de trabalho continuará a crescer em proporções cada vez maiores. Uma forma de lidar com o assunto é não combater, mas enxergar o outro lado da Shadow IT.
Em vez de tentar bloquear aplicativos e dispositivos, os responsáveis pela tomada de decisões de TI devem aproveitar o valor que a tecnologia em nuvem pode proporcionar ao local de trabalho e encontrar maneiras de instruir seus funcionários sobre os riscos de aplicativos não autorizados, além de capacitá-los com ferramentas e serviços mais úteis e eficientes que possam ser gerenciados em um ambiente seguro.
A lição mais importante que podemos aprender com a Shadow IT é que as empresas não precisam mais escolher entre agilidade e segurança. É possível oferecer uma solução de TI que atenda às necessidades dos funcionários e minimize o risco corporativo.
O primeiro passo para concretizar o potencial positivo da Shadow IT é analisar como os funcionários colaboram, se comunicam e utilizam soluções para aumentar a produtividade. Isso significa avaliar quais aplicativos e serviços são usados, entender o que eles querem fazer com essas ferramentas e identificar soluções melhores, mais seguras e produtivas.
*Fernando Teixeira é diretor de tecnologia e Solution Engineer do Google para América Latina.
Site: Computerworld
Data: 17/07/2015
Hora: 8h20
Seção: Gestão
Autor: Fernando Teixeira
Link: http://computerworld.com.br/o-outro-lado-da-shadow-it