Nuvem: veja medidas importantes na hora de mudar de provedor

O pedido de falência do provedor de cloud computing norte- americano Nirvanix, recentemente, reacendeu discussões sobre as melhores práticas de segurança em caso de rompimento de contratos ou necessidade de transferência das aplicações para outro provedor. Segundo os especialistas é importante adotar medidas antes da contratação do fornecedor para evitar pesadelos como os vividos pelos clientes da Nivanix, que receberam aviso para que encontrassem um novo parceiro de nuvem no prazo de um mês.

Depois desse episódio, especialistas recomendam contratos bem elaborados com cláusulas claras de direitos e deveres, bem como sobre as questões de segurança envolvidas no processo de migração para outro data center. Veja as melhores práticas que eles indicam nessas situações:

Faça due diligence e investigue a saúde financeira do provedor

O relatório da Cloud Security Alliance, de fevereiro de 2013, sobre cuidados para contratação de serviços, identificou falta de diligência como uma ameaça constante para os contratos de consumo de TI por esse modelo. Segundo o relatório, muitas companhias que optam por esse sistema não têm equilíbrio na hora de dosar os requerimentos para seleção dos parceiros. Elas colocam muito foco na segurança da informação e privacidade ou se concentram mais na redução de custos e economia, sem investigar a saúde financeira dos fornecedores, afirma John Howie, Chief Operation Officer (COO), da Cloud Security Alliance.

“E, mesmo sabendo se o fornecedor tem rentabilidade, não significa garantia de estabilidade”, acrescenta Adam Gordon, Chief Information Security Officer (CISO) do New Horizons Computer Learning Centers. Para ele, a falta de gerenciamento estratégico sinaliza se a empresa pode cair de um penhasco rapidamente, da noite para o dia, sem que ninguém perceba.

As organizações devem analisar cuidadosamente a situação financeira do provedor de nuvem. Elas podem investigar empresas públicas examinando seus documentos oficiais, como através da Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA ou de outros órgão que regulamentam companhias abertas. “Esse trabalho irá detalhar as finanças do fornecedor de cloud e os riscos identificados”, ensina Howie.

“Se possível, examine as finanças auditadas, pelo menos dos últimos dois ou três anos”, recomenda Gordon. Verifique se os relatórios demonstram uma tendência positiva do crescimento global, gestão controlada do capital e dos negócios”, orienta o especialista.
Gordon aconselha que as contratantes de nuvem sejam realistas para ver flutuações e os resultados negativos do fornecedor ao longo de um período de tempo, mesmo que estejam olhando para o ecossistema de cloud computing de prestadores como Amazon Web Service Amazon (AWS). “Devemos esperar ver um crescimento positivo na receita e lucratividade, bem como expansão do provedor em dois ou três anos”, afirma Gordon.

Os demonstrativos financeiros devem apontar negócios e estratégias fortes de crescimento. É importante que indiquem uma direção, planejamento de longo prazo, boa gestão de risco e capacidade do provedor de enfrentar crises, mantendo um foco, esclarece Gordon.
“Investimentos que suportam uma estratégia de crescimento de longo prazo e aquisição de participação de mercado são indicadores importantes para medir a estabilidade de um prestador de serviço”, endossa o CISO, do New Horizons Computer Learning Centers.

Peça ajuda a um broker de nuvem

Howie recomenda grandes empresas a considerarem a contratação de brokers de cloud para avaliar requerimentos de provedores, riscos envolvidos nas operações deles e selecionar parceiros em conformidade com os negócios da companhia.

“Esses brokers vão fazer um exame completo e determinar o potencial deles para entrega dos serviços”, esclarece o executivo. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) dos EUA produziu um publicação especial em que define o papel de um broker de nuvem para orientas companhias que buscam consultoria nessa área.

O CIO e executivos C-Level devem ser envolvidos no relacionamento com os brokers de nuvem a fim de estabelecer o alinhamento estratégico necessário para orientar o consumo de serviços em cloud, explica Gordon.

“Você pode encontrar exemplos práticos do mundo real de setores bem-sucedido na contratação de brokers. O estado do Texas, por exemplo, vem adotando um modelo de corretagem de nuvem desde 2011, assim como muitos órgãos federais dos EUA”, acrescenta o especialista.

Estabeleça garantias por contrato

Para as organizações que não têm recursos para contratar um corretor de nuvem, a Cloud Security Alliance recomenda que façam contratos bem elaborados sobre as responsabilidades em caso da interrupção do serviço. As cláusulas contratuais devem mencionar como será o processo de migração e apoio do prestador de serviços. É importante abordar aspectos como as ferramentas que serão cedidas e toda assistência que será dada na transferência de dados para fora da nuvem, em tempo hábil, em formatos que o permitam processar suas operações em outro provedor, sem prejuízo aos seus negócios.

De acordo com Howie, os contratos de serviços em nuvem devem incluir muitas garantias. Uma delas é exigir que o provedor reserve dinheiro em uma conta vinculada à assistência na migração dos dados. Estes acordos também podem estabelecer que os equipamentos de armazenamento e processamento devem ser acessíveis pelo cliente em caso de fracasso do negócio.

Os contratos pode incluir ainda referências à garantia de terceiros ou de seguros. Howie afirma que o documento pode obrigar o fornecedor a divulgar bimestralmente sua situação financeira e que o não cumprimento pode gerar rescisão contratual, caso os resultados apontem que provedor está em apuros.

Tenha um plano de continuidade de negócios

Um contrato bem elaborado não será suficiente para mitigar riscos. Empresas terão de pesar cuidadosamente os riscos da contratação de um fornecedor que pode, de repente, parar de oferecer o serviço. “As empresas devem sempre ter uma estratégia de saída na manga como parte de um plano de gestão de continuidade de negócios”, adverte Howie.

O guia de orientação da Cloud Security Alliance inclui recomendações para as empresas considerarem cenários de como vão mover dados de um prestador de serviço de nuvem. “A portabilidade é um aspecto fundamental a ser considerada no processo de seleção dos provedores de nuvem, principalmente em situações de recuperação de desastres”, diz Howie
O fracasso comercial de um provedor de nuvem é um desastre empresarial e algo que o planejamento de gestão de continuidade de negócios das empresas deve prever, segundo recomendações da Cloud Security Alliance.

Conheça bem a arquitetura da plataforma de nuvem usada

A seção 6.3.2 do guia sobre Orientação de Segurança da Cloud Security Alliance recomenda que as empresas conheçam a arquitetura e plataforma dos serviços de nuvem usados para processar suas aplicações para evitar desafios técnicos na migração para outro provedor.

Tecnologias de autenticação e de gestão de identidade (IAM) proprietários podem impedir a portabilidade de dados na nuvem. As aplicações e serviços para um ambiente de nuvem que não usa o mesmo padrão é uma barreira. O ideal é que os provedores adotem sistemas de IAM baseados em tecnologias abertas como Security Assertion Markup Language (SAML), de acordo com o guia de orientação de segurança da Cloud Security Alliance. Atenção com essas questões pode tornar a migração menos sofrida.

Remova todos os dados

A Cloud Security Alliance aconselha ainda que as empresas tenham a posse e controle das chaves de criptografia para assegurar uma saída segura e conveniente do seu provedor de nuvem. Da mesma forma, as organizações devem se certificar de que fizeram a remoção completa de todos os seus metadados do provedor, evitando que o data center permaneça com qualquer informação de seu negócio.

Uma empresa pode fazer tudo que for necessário para ter certeza de que suas aplicações e dados sejam movidos para outro provedor sem prejuízo, caso ocorra situações como a que aconteceu com o Nivanix. Em caso de dúvidas, as companhias podem consultor o guia de segurança da Cloud Security Alliance, que fornece instruções detalhadas para uma migração segura.

Site: Computerworld
Data: 06/12/2013
Hora: 7h30
Seção: Negócios
Autor: David Geer
Link: http://computerworld.uol.com.br/negocios/2013/12/06/nuvem-veja-medidas-importantes-na-hora-de-mudar-de-provedor/

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