
Pesquisa da AbraCloud aponta expectativa menor de expansão entre provedores brasileiros, em meio ao encarecimento de equipamentos e a mudanças no licenciamento de software
Ampliar operações digitais exige servidores, capacidade de processamento e investimentos que acompanhem as necessidades dos negócios. Para os provedores brasileiros de nuvem, essa equação enfrenta pressões: equipamentos mais caros, escassez de componentes e mudanças nas condições de licenciamento de software estão entre os fatores que levaram as empresas pesquisadas pela AbraCloud a reduzir suas expectativas de crescimento para 2026.
Segundo o levantamento divulgado pela TELETIME em 15 de outubro, os 26 provedores ouvidos em agosto projetam aumento médio de 32% no faturamento neste ano, ante os 39% previstos na pesquisa anterior. A diferença de sete pontos percentuais indica uma revisão do ritmo esperado de expansão. Os números representam as expectativas das empresas participantes, não uma projeção para todo o mercado brasileiro.
Equipamentos e licenças pressionam a operação
Entre os fatores apontados estão a dificuldade de aquisição de memórias e servidores de alto desempenho e o aumento dos custos dos equipamentos, impulsionado pela demanda por inteligência artificial. As novas políticas de licenciamento da VMware, adquirida pela Broadcom, também entram nessa conta e têm levado provedores a migrar para alternativas de virtualização de código aberto baseadas em KVM.
Para o empresário do setor de tecnologia, esse cenário coloca o planejamento da infraestrutura no centro das decisões. A avaliação de fornecedores, contratos e alternativas tecnológicas ganha relevância diante de condições que podem afetar o custo de ampliar a operação e a viabilidade de novos serviços.
Oferta para IA enfrenta obstáculos
O levantamento também identificou uma redução na proporção de participantes que oferecem nuvem para inteligência artificial com uso de GPUs, processadores empregados em tarefas que exigem elevada capacidade de computação. Esse percentual passou de 55% em 2025 para 39% em 2026.
A oferta varia conforme o porte: está presente em 60% dos grandes provedores e em 25% dos pequenos e médios. A pesquisa não detalha as causas específicas do recuo, embora a AbraCloud mencione dificuldades de aquisição de equipamentos diante da demanda global. Os dados tampouco permitem medir uma eventual redução da capacidade total disponível.
Para empresas que desenvolvem ou contratam soluções de IA, a implicação prática é avaliar a disponibilidade de processamento desde o planejamento do projeto. Além das funcionalidades da aplicação, entram na análise o custo de operação, a capacidade de expansão e as condições oferecidas pelos fornecedores.
A pesquisa expõe um desafio para a transformação digital: converter novas aplicações em serviços sustentáveis exige infraestrutura acessível e capacidade de investimento. Para quem fornece tecnologia e para quem a utiliza, essas condições precisam fazer parte da estratégia de crescimento.
Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser