Cada vez mais na rota dos ciberataques, o Brasil vai sediar, ainda em 2013, um centro de P&D para detecção de fraudes da RSA/EMC, o primeiro da companhia na América Latina e o terceiro no mundo, informou, em entrevista exclusiva ao Convergência Digital, o vice-presidente de vendas para a Americas da RSA, David Castignola.
Ele antecipou que a escolha do país para sediar a primeira unidade do centro de pesquisa na região – outros dois estão localizados em Israel e nos Estados Unidos – está ligada à crescente participação do Brasil no top 5 de ataques digitais às corporações. O Brasil ficou em quarto lugar no ranking de ciberataques, em estudo da companhia. Castignola – que veio ao Brasil pela primeira vez – participou de conferências de segurança realizadas pela empresa em São Paulo e em Brasília.
“Os olhos do mundo estão no Brasil. Teremos os megaeventos esportivos, há um mercado financeiro sólido e também o governo apostando muito em TI. Além de telecom e energia, que são alvos de ataques de hackers. Desenvolver soluções aqui, com olhos na América Latina, é um desafio, mas se faz necessário. O ritmo dos ataques está crescendo e exigem muita, mas muita inteligência”, disse Castignola, que no entanto, não quis dar data oficial para o anúncio – disse apenas que seria ‘em breve’. Também não quis comentar sobre valores.
O executivo da RSA – que está na companhia há 16 anos – diz que o combate aos crimes cibernéticos passa 100% pela educação do usuário. “Sem essa base, pode-se usar as melhores ferramentas que não haverá política que dê fruto, especialmente, em tempos de serviços na nuvem e da mobilidade, com o funcionário usando cada vez mais os seus próprios dispositivos no trabalho”, frisou.
Proibir o uso da mobilidade e impedir o uso de serviços na nuvem não são, definitivamente, a melhor estratégia, uma vez que o avanço da tecnologia é inevitável, pondera Castignola. Segundo ele, a ordem é, sim, cada vez mais definir políticas de segurança para serem cumpridas em todos os níveis do staff. “Antes, conversava muito com o CSO(Chief Security Officer. Agora, já falamos com o CFO(financeiro), com o próprio CIO, e até mesmo, com os executivos do board. Todos querem saber como proteger seus dados, suas informações. Se os cibercriminosos estão sofisticando seus ataques, as empresas devem buscar a inteligência para supera-los”, acrescenta o vice-presidente de vendas para Americas da RSA/EMC.
O relatório de fraudes do mês de fevereiro, feito pela equipe da RSA, mostra que o Brasil está entre os oito países que tiveram mais empresas vítimas de fraudes digitais no mundo. No total, segundo o estudo, 291 marcas foram atacadas globalmente em janeiro, um impulso de 13% em relação a dezembro de 2012. Os principais alvos foram os Estados Unidos e o Reino Unido, com respectivamente, 30% e 11%. O Brasil apareceu na quarta posição – empatado com a Itália, com 3% do total.
Site: Convergência Digital
Data: 07/03/2013
Hora: 10h33
Seção: Segurança
Autor: Ana Paula Lobo
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=33192&sid=18