Mobilidade: você sabe o que é Cope?

Bring Your Own Device (Byod), estratégia que permite e estimula que funcionários levem para empresa seus dispositivos pessoais para uso profissional, tem conquistado as companhias mais exigentes que buscam ampliar a produtividade e reduzir o investimento em hardware. Mas o modelo não agrada a todos, fazendo emergir um novo fenômeno: o Cope (sigla em inglês para “de propriedade da empresa, pessoalmente habilitado”).

O modelo chamou a atenção do mercado depois que a CEO do Yahoo, Marissa Mayer, contrariando o movimento do BYOD, revelou seu desejo de que os funcionários usassem iPhone ou aparelhos Android, substituindo os modelos BlackBerry da empresa.

Ela passou a promover o Cope como tática móvel, uma alternativa para o BYOD. O objetivo do COPE é fornecer muitas das vantagens do Bring Your Own Device, mas com mais controle. Em BYOD, o empregado possui o dispositivo e o usa para acessar a rede corporativa e ainda os dados empresariais. Na modalidade “propriedade da empresa, pessoalmente habilitado”, a organização entrega o aparelho para o funcionário, mas ele pode usá-lo para fins pessoais.

Segundo Ray Wang, principal analista e CEO do instituto de pesquisa norte-americano Constellation Research, Cope é projetado para manter as rédeas da TI, mas permitir o uso de dispositivos como tablets e smartphones. “É também uma forma de abordar algumas das questões em torno da segurança, do custo e das despesas operacionais”, observa.

O analista da Constellation Research aponta que Cope também significa que os dispositivos estão sob garantia da empresa. “Por outro lado, os desafios incluem as preferências do usuário. Quando pessoal e tecnologia de consumo excedem a capacidade dos dispositivos corporativos Cope falha”, alerta.

Na visão de Souvenir Zalla, CEO do Edge Group no Brasil, Cope tem avançado por dois motivos. O primeiro é a cultura de que o device da empresa já está homologado e por isso tem políticas mais fortes de segurança. O segundo é a onda de conservadorismo para assegurar que informações sigilosas não serão acessadas por pessoas mal-intencionadas. “Porém, acredito que COPE vai contra a naturalidade da liberdade de adoção do dispositivo de preferência do usuário e pode impactar negativamente na produtividade”, avalia.

Zalla diz que o Edge Group realizou pesquisas com 40 executivos de TI no Brasil para identificar se os dispositivos de uso pessoal são os preferidos dos profissionais. “Eles declararam que essa estratégia amplia a produtividade. Isso porque, eles já estão acostumados com o aparelho”, destaca. “O funcionário tende a usar e a ser mais produtivo na plataforma que ele escolhe”, completa.

Para Wang, Cope é uma consequência do Byod. “A empresa compra os dispositivos e oferece aos funcionários. Os gerentes de TI que buscam maior controle tentam mudar o pêndulo para o lado da gestão centralizada”, avalia. “Para aqueles que precisam proteger seus dispositivos e preferem um ritmo mais lento de mudança, Cope é uma maneira de chegar lá”, completa. Zalla concorda. “Algumas empresas vão pular Cope e partir para o Byod. Outras vão para Cope como forma de transição.”

Em 2013, a expectativa é que essa tendência cresça. “Cope acaba de surgir como uma alternativa. A maioria das empresas tem impulsionado o investimento em TI. Os orçamentos de TI estão abaixo de 5%, mas os gastos com tecnologia crescem de 18% para 20%. Byod têm impactado nessa tendência”, aponta Wang.

Levantamento global realizado pela empresa de pesquisa Vanson Bourne a pedido da Citrix aponta que nem todas as empresas concordam com as políticas do Byod, mas um número cada vez maior está mudando a postura em relação à tendência. Das empresas ouvidas, 84% já baniram o uso de dispositivos pessoais para acessar recursos corporativos, sendo 51% já revogaram a proibição total ou parcialmente.

Das organizações que investem em Byod, 38% oferecem subsídio equivalente ao valor do dispositivo; 40% dão alguma remuneração para subsidiar parte do custo do dispositivo e 19% não oferecem nenhuma compensação financeira.

Para organizações que querem desenvolver uma estratégia de Cope, Wang lista alguns passos. “Estude os usuários existentes e como os dispositivos devem ser oferecidos. Espere para proporcionar muitas opções e apoiar ciclos rápidos de inovação ou encare o retrocesso dos negócios”, finaliza.

Site: Computerworld
Data: 08/11/2012
Hora: 7h30
Seção: Tecnologia
Autor: Déborah Oliveira
Link: http://computerworld.uol.com.br/tecnologia/2012/11/06/mobilidade-voce-sabe-o-que-e-cope/

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