As mudanças que estão sendo produzidas na rede mundial de computadores pela proliferação de aparelhos móveis e a introdução dos conceitos de mobilidade, computação em nuvem, big data (geração diária de grandes quantidades de informação) e de redes sociais estão criando a web 3.0. A constatação é parte do estudo Horizon Watching, usado como base pelo diretor de tecnologia da IBM Brasil, José Carlos Duarte Gonçalves, para apresentar ontem na segunda edição da Business IT South America, a BITS, as onze principais tendências em tecnologia.
Segundo ele, a tecnologia da informação faz um retorno ao processamento de dados centralizado, como era na época do mainframe, porque o uso crescente da computação em nuvem cria a ideia de um “grande computador universal”, acessível de qualquer aparelho. A mudança para a nuvem – privada ou pública – pressupõe um melhor aproveitamento dos recursos e demanda um consumo menor de energia.
“Isso está ligado ao princípio da sustentabilidade. Permite, por exemplo, uma redução de até 51% nos custos dos servidores, já que em média, um servidor dedicado é efetivamente ocupado apenas durante 6% do tempo. Com a nuvem é possível usar melhor os equipamentos e, ainda, criar a possibilidade de cobrança pelo tempo de uso”, disse. Ele ressaltou que, por trás da nuvem, está a segunda grande tendência: a virtualização de aplicações, desktops, redes, armazenamento de dados, servidores e data center.
O terceiro ponto é o uso das redes sociais. Segundo dados da IBM, 57% das empresas de destaque são mais propensas a permitir que seus colaboradores usem ferramentas sociais, potencializadas pela tendência de mobilidade. Entre 2006 e 2011, o uso e o acesso a aplicações móveis subiram dez vezes.
Com isso, é possível imaginar outra tendência apontada por Gonçalves, a geração de milhões de informações não estruturadas. O big data contrasta a abordagem tradicional da tecnologia da informação (estruturada, analítica e lógica) com essa nova percepção (criativa, de pensamento holístico e de intuição). O desafio para as empresas é fazer a integração corporativa.
Gonçalves detalhou também o projeto IBM Watson, que deu a uma máquina comercial da IBM a capacidade de fazer a intersecção entre as tendências de big data, dados analíticos e de mudança nas formas de interação entre homem e computador. Isso foi feito por uma aplicação semântica e natural de linguagem, para permitir que a máquina saísse do conceito binário (de zeros e uns) e entrasse no nível de interpretação. Inicialmente, o desafio era desafiar campeões de programas de perguntas e respostas (do tipo onde era dada a resposta e o participante tinha que indicar a pergunta). Porém, atualmente a ideia é usada em projetos da área médica (para indicar possibilidades de diagnóstico e tratamento) e está sendo adaptada para fazer análise de carteiras de investimentos.
A mudança na interação entre homem e máquina (exemplificada pelos projetos kinect e siri) e as tradicionais preocupações com segurança também são tendências, segundo Gonçalves, que fechou a lista com a questão da sustentabilidade e com a transformação dos conceitos em produtos de consumo. “Essas tendências já chegaram, estão aí. São preocupações atuais e acontecem sem que a gente tenha controle. Os empresários devem olhar isso como oportunidade. Se um não olhar, o concorrente vai olhar e ele pode ter um problema no negócio, quando alguém criar algo novo.”
Site: Jornal do Comércio
Data: 14/06/2012
Hora: ——
Seção: Tecnologia
Autor: Clarisse de Freitas
Link: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=93506