O Mobile World Congress 2014 termina hoje em Barcelona, mas mostrou bem como a chamada Internet das Coisas já está agitando o vários setores da tecnologia. A expressão está tornando-se mais do que apenas um “hype”, ou promoção sensacionalista.
O evento foi palco para a exposição de uma variedade estonteante de dispositivos vestíveis, com capacidade de comunicação em rede, sistemas de segurança de automóveis, equipamentos de info entretenimento, e tecnologia de monitoração para todos os tipos de aparelhos de consumo e industriais. Conforme empresas de telecomunicações, a indústria automobilística, fornecedoras de de SaaS e de equipamentos de rede interligam dispositivos, a um ritmo cada vez mais rápido, alimentam a disrupção nos seus próprios segmentos, além de outros segmentos industriais através do fornecimento de novos serviços.
“Quase todas as empresas vão tornar-se um negócio de Internet das coisas”, disse Jahangir Mohammed , CEO da Jasper Wireless. “Os benefícios são tão profundos que tornam inevitável isso acontecer”.
Vários líderes da indústria de TIC falaram dessa evolução em várias sessões. “Não há como parar [essa tendência]“, disse Joe Tucci, CEO da EMC. “A Internet das coisas está chegando, e é melhor causar a disrupção, ou preparar-se para ela”, afirmou.
“Tem a ver com a interligação das coisas, através de um conjunto de sensores, de uma forma a ajudar os usuários e consumidores”, explicou o CEO da Cisco Systems, John Chambers.
“Pensem no que se pode oferecer a um espectador de TV em casa, ao se colocar sensores nos tênis dos jogadores da sua equipe de basquete favorita ou na bola”, sugeriu Chambers.
Potenciais aplicações podem incluir a exibição de análise de padrões de jogo e de movimentos da bola, exemplificou.
Mas os fabricantes precisam ter certeza de que eles estão desenvolvendo produtos em uma arquitetura subjacente consistente, disse Chambers. O truque será facilitar a interligação nas casas e nas empresas, sugere Chambers.
“Será possível reduzir as despesas dos clientes simplificando as operações e a gestão de infraestruturas e dos processos de negócios, disse Chambers.
Já Reneé James, Presidente da Intel Corporation, destacou como a Intel está redefinindo a infraestrutura de redes para reduzir custos e facilitar que os provedores de serviços forneçam experiências melhoradas e novos serviços aos clientes por meio da extração de valor de negócios das enormes quantidades de dados. “O contínuo crescimento do ecossistema móvel depende da solução dos difíceis desafios computacionais – liberar o potencial dos dados durante a conexão segura e confiável de bilhões de dispositivos, com tecnologias computacionais e de comunicação de ponta”, disse James.
A explosão dos dispositivos móveis e o rápido crescimento da Internet das Coisas estão estimulando a transformação da infraestrutura de rede para atender a crescente demanda por mais conectividade e dados em tempo real. A Intel está habilitando esta transformação ao fornecer hardware e software padronizados que aplicam padrões abertos e economias de alto volume para reduzir custos, enquanto acelera o fornecimento de novos serviços, capacidades e modelos de geração de renda para os provedores de serviços.
Em um esforço para levar os benefícios da abordagem baseada em padrões para as redes de comunicações consistente com o trabalho da Intel em data centers e na nuvem, James anunciou a ampliação dos relacionamentos com Alcatel-Lucent e Cisco para acelerar as tecnologias de função de virtualização de rede (NFV, na sigla em inglês) e da rede definida por software (SDN, na sigla em inglês). Ao trabalhar para otimizar essas tecnologias na arquitetura Intel, os provedores de serviços poderão oferecer uma rede mais rápida e flexível que os permitam acionar rapidamente novos serviços.
James também destacou inúmeros testes baseados na Intel com operadoras globais, incluindo China Mobile, SK Telecom e Telefônica que estão demonstrando os benefícios da NFV e da SDN para habilitar serviços personalizados e com reconhecimento de contexto, melhorar a utilização de recursos e simplificar as instalações e atualizações.
Realidade regional
Na América Latina, a proliferação dos dispositivos móveis é uma realidade na região, mas a medida que o negócio tradicional começa a saturar, as estratégias se focam em novos nichos como o negócio de M2M ou na variante mais nova no segmento residencial que são os dispositivos que podem ser vestidos, os chamados smart wearables, com um campo de aplicações enorme, explica Ignácio Perrone, Consultor Sênior da Frost & Sullivan para a região. O Grupo Telefónica, um dos gigantes das telecomunicações na América Latina, anunciou hoje um acordo com a LG, Samsung e Sony Mobile para introduzir seus serviços nestes pequenos dispositivos que podem ser levados no pulso ou integrar-se nas roupas.
“O anúncio tem dois lados. Por um lado, a decisão da Telefónica indica o tamanho da oportunidade do negócio, tão relevante que nenhuma empresa deve querer perder. Mas, além disso, a entrada de um gigante como a Telefónica (com quase 200 milhões de clientes na região) neste negócio assegura um forte impulso e um nível de competição que redundará em uma maior adoção desta tecnologia”, explica Perrone. De acordo com ele, é de se esperar que no futuro outros fabricantes de dispositivos busquem associar-se com a Telefónica, enquanto que a empresa deverá articular um ecossistema mais completo para prover serviços que seus clientes valorizem e pelos quais estejam dispostos a abrir a carteira. Enquanto isso, a bola está do lado da Claro, a grande rival da Telefónica na região.
Site: CIO
Data: 27/02/2014
Hora: 15h42
Seção: Tecnologia
Autor: ——
Link: http://cio.com.br/tecnologia/2014/02/27/mobile-world-congress-comprova-a-internet-das-coisas-vai-alem-do-201chype201d/