Microsoft, Google, Facebook mostram aumento dos pedidos de vigilância

Google, Facebook e Microsoft estão entre as empresas de tecnologia que mostram um aumento no número de solicitações de dados de seus usuários feitos por um tribunal secreto de vigilância dos EUA. As informações foram liberadas na segunda-feira (3).

Os dados variam de acordo com a empresa, embora os números mostram que o conteúdo de milhares de contas de usuários foi consultado nos últimos anos pelo tribunal dos EUA de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA), que supervisiona os pedidos de mandados de vigilância para as investigações de segurança nacional.

O tribunal tem recebido destaque com a divulgação de documentos de vigilância feitas pelo ex- funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden, desde junho passado.

O Google recebeu da FISA solicitações de conteúdo referentes a uma quantidade entre 9 mil e 10 mil contas de usuários durante a primeira metade de 2013, e de 7 mil a 8 mil no primeiro semestre de 2011.

A corte visualizou conteúdo relacionado a um número entre 15 mil e 16 mil contas da Microsoft, sendo que esse número estava entre 11 mil e 12 mil no segundo semestre de 2011.

No Facebook, durante o segundo semestre de 2012, o tribunal procurou dados em cerca de 4 mil a 5 mil contas de usuário da rede, disse a empresa em um relatório. A empresa recebeu mais pedidos da FISA durante o primeiro semestre de 2013 – sendo esse número entre 5 mil e 6 mil contas.

Dependendo da empresa, o conteúdo pode incluir mensagens privadas, documentos, fotos ou vídeos.

Ao liberar esses novos números, as empresas esperam ficar mais transparentes com relação às solicitações de dados que recebem do governo ligados à segurança nacional.

“A publicação destes números é um passo na direção certa”, disse Richard Salgado, diretor jurídico do Google para a aplicação da lei e segurança da informação, em um post no blog da empresa.

Ainda não está claro, no entanto, se os números crescentes se deram pelo aumento do interesse por parte das autoridades de vigilância nos dados armazenados por empresas ou no crescimento do uso dos serviços prestados por essas empresas.

O Yahoo e o LinkedIn também divulgaram na segunda-feira novos dados relacionados aos pedidos de dados públicos vinculados à segurança nacional. No Yahoo, a empresa disse que recebeu pedidos da FISA relacionados ao conteúdo de entre 30 mil e 31 mil contas durante o primeiro semestre de 2013.

Porque o número de pedidos da FISA só podem ser publicados seis meses após o final de cada período de relatório, as empresas ainda não pôde fornecer números do segundo semestre de 2013.

Com um número tão grande de usuários – o Facebook sozinho tem mais de 1,2 bilhão – o número de solicitações de dados recentemente revelado representam apenas uma pequena fatia do total de usuários das empresas, mas eles ajudam a lançar luz sobre a importância dos dados digitais para as autoridades no interesse da segurança nacional.

Não ficou claro quantas solicitações feitas pela FISA foram cumpridas pelas empresas. Uma porta-voz do Facebook disse que a rede social não poderia revelar essa informação. A Microsoft, em seu anúncio, disse que iria continuar a contestar as ordens que acredita não ter validade jurídica.

Mais transparência

Os dados da FISA são os primeiros a serem divulgados desde que empresas de tecnologia como Facebook, Google e Microsoft foram autorizadas a dar mais informações sobre as solicitações de dados feitas pelo governo, seguindo processos movidos pelas companhias.

O acordo, que foi anunciado pelo presidente Barack Obama juntamente com o Departamento de Justiça dos EUA, foi projetado para oferecer mais transparência sobre as ordens policiais e de segurança nacional.

Como resultado, as empresas de tecnologia podem agora divulgar separadamente os números solicitações de segurança nacional (NSLS) e pedidos da FISA que recebem, em vez de juntá-los em um mesmo relatório.

A empresa agora também pode dizer quantos dos pedidos da FISA eram relacionados ao conteúdo das contas e quantos não tem relação com conteúdo, tais como nomes de usuários. A Apple já liberou novos dados na semana passada em resposta.

Ao contrário dos pedidos da FISA, NSLs não necessariamente são usados para solicitar o conteúdo. Em vez disso, são usados para outros tipos de pedidos como nomes, endereços e tempo de serviço.

Anteriormente, o Facebook só poderia afirmar que, para o primeiro semestre de 2013, o volume total de contas de usuários relacionados à pedido da lei de qualquer tipo era uma fração de 1 por cento.

Ainda assim, mesmo com essas restrições, as informações que as empresas estão autorizadas a revelar permanece vaga. Por exemplo: as companhias são limitadas a relatar os dados em intervalos de 1000.

Para solicitações da FISA relacionados a informações que não tem a ver com conteúdo, o Facebook disse que os dados foram consultados em contas de “entre 0 e 999” usuários durante o primeiro semestre de 2013.

As empresas disseram que continuarão a defender a reforma das práticas de vigilância do governo e uma maior transparência sobre o nível de acesso à dados de usuários que os governos solicitam.

O Google afirmou ainda que quer divulgar o número exato dos tipos de pedidos que recebe, bem como o número de usuários que tais pedidos afetam.

Site: IDG Now!
Data: 04/02/2014
Hora: 16h03
Seção: Internet
Autor: Zach Miners
Link: http://idgnow.com.br/internet/2014/02/04/microsoft-google-facebook-mostram-aumento-dos-pedidos-de-vigilancia/

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