Microsoft agora é empresa de “dispositivos e serviços”, diz Steve Ballmer

Pare de pensar na Microsoft apenas como uma empresa de software. Não é mais, de acordo com o CEO Steve Ballmer.

“É verdadeiramente uma nova Era na Microsoft”, diz ele em sua carta anual aos acionistas, e isso significa que a empresa está focada na venda de hardware interligado com serviços em nuvem. “Esta é uma mudança significativa, tanto no que fazemos quanto no modo como nos enxergamos – uma empresa de serviços e dispositivos”, diz Ballmer em sua carta.

Isso inclui produtos para consumidores e aqueles desenvolvidos para as empresas, com uma sobreposição significativa que ele espera ser capaz de alavancar o movimento BYOD (traga o seu próprio dispositivo) para promover o uso de dispositivos pessoais em redes corporativas.

“Fantásticos dispositivos e serviços para o usuário final irão conduzir nossos negócios corporativos pra frente, dado o fato de que os empregados têm cada vez mais influência na tecnologia que utilizam no trabalho – tendência chamada de ‘Consumerização de TI’”, diz ele na carta.

Isso é sobre onde a Microsoft tem estado e onde precisa ir, diz Jim McGregor, analista principal na Tirias Research, companhia de serviços baseados na Internet. “Todas as aplicações precisam se deslocar para a nuvem”, diz, assim como a empresa está fazendo com o Office 365.

A necessidade de criar seus próprios dispositivos não está tão clara, diz McGregor, e pode até ser um risco. Historicamente, fornecedores que tentaram produzir de tudo – de sistema operacional a aplicativos, passando por dispositivos – falharam.  A Apple, com o iPad e iPhone, conseguiu fazer com que o modelo tivesse um sucesso enorme, mas não pela excelência das peças individuais, diz ele. “A Apple pode não ser a melhor em cada um desses, mas quando você coloca tudo junto, obtém a melhor solução”, argumenta.

Anos de trabalho

A Microsoft está correndo para alcançar isso, mas pode levar anos, já que acertar tudo logo na primeira vez é improvável. “Pode levar anos, mas não chegará a ser uma década”, disse McGregor. Mas, desde que a empresa continue comprometida com os dispositivos e modelos de serviços e mostre melhoras, poderá obter sucesso, disse o analista. Arriscado ou não, mesmo que falhe, a Microsoft é grande o bastante e tem recursos suficientes para absorver esse fracasso.

Redmond continua a ser uma empresa de software, tendo Ballmer mencionado isso em sua carta ou não, ressaltou McGregor. “O que ele está dizendo é que precisam estar no ramo de hardware; e os parceiros ainda não enxergaram isso”, disse. O Surface é um dispositivo atraente, comentou, que a Microsoft tinha que desenvolver, porque precisava de um hardware para exibir as melhores vantagens do seu software e serviços. “Eles vieram com essa ideia porque não estavam felizes com o que recebiam dos OEMs”, disse McGregor.

Bem que este poderia ser o caso do Windows Phone 8, dado o baixo número de vendas de telefones feitos por parceiros. Em sua carta, Ballmer disse que a empresa irá abraçar novos formatos para dispositivos híbridos como o Surface, mas não disse se isso significa um Windows Phone 8 próprio. Mas ele enfatiza que a subordinação de serviços para todos os tipos de hardware é fundamental. “Além disso, como podemos desenvolver e atualizar nossos serviços de consumo, nós vamos fazê-lo de forma a tirar o máximo proveito dos avanços de hardware, que complementam um ao outro e que unificam todos os dispositivos que as pessoas usam diariamente”, disse.

Um objetivo importante para a empresa: “estabelecer uma plataforma Windows sólida, por meio de computadores, tablets, smartphone, servidor e nuvem para dirigir um ecossistema próspero de desenvolvedores, unificar a experiência do usuário entre os dispositivos e aumentar a agilidade ao trazer novos avanços para mercado”, diz a carta.

Site: Computerworld
Data: 11/10/2012
Hora: 10h10
Seção: Negócios
Autor: Tim Greene
Link: http://computerworld.uol.com.br/negocios/2012/10/11/microsoft-agora-e-empresa-de-dispositivos-e-servicos-diz-steve-ballmer/

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