
Estudo aponta que 12 milhões de negócios adotaram a tecnologia no país, embora apenas 15% tenham alcançado um nível avançado de aplicação
A Inteligência Artificial já está presente em metade das empresas brasileiras. O percentual representa aproximadamente 12 milhões de negócios e confirma o avanço acelerado da tecnologia no país. No entanto, a maioria das organizações ainda utiliza a IA de forma básica, sem integração efetiva aos processos estratégicos ou aos modelos de negócio.
Os dados fazem parte do estudo “Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil 2026”, realizado pela consultoria Strand Partners para a Amazon Web Services (AWS) e divulgado nesta quinta-feira, 3 de setembro, durante o AWS Summit São Paulo. O levantamento ouviu mil líderes empresariais, entre fundadores, presidentes e executivos, além de mil cidadãos.
Em apenas um ano, a proporção de empresas que utilizam IA passou de 40% para 50%. Apesar do crescimento, 58% das organizações que adotaram a tecnologia permanecem no nível básico, empregando ferramentas prontas, como chatbots e assistentes generativos, principalmente para tarefas rotineiras e ganhos pontuais de eficiência.
Outros 27% já integram a IA a produtos e serviços. Apenas 15%, porém, atingiram o estágio considerado avançado, no qual a tecnologia é utilizada para transformar processos, desenvolver soluções próprias ou criar novos modelos de negócio.
Investimentos crescem, mas retorno ainda é pouco mensurado
O interesse empresarial continua aumentando. De acordo com a pesquisa, 68% das organizações ampliaram os investimentos em IA no último ano e 76% classificam sua adoção como uma prioridade estratégica alta ou máxima.
Os resultados também começam a aparecer. Entre as empresas que utilizam IA, 72% relataram ganhos de produtividade e 79% esperam que a tecnologia contribua para o crescimento dos negócios nos próximos 12 meses. Além disso, 88% já utilizam serviços de nuvem como infraestrutura de suporte.
A dificuldade está em transformar esses investimentos em resultados mensuráveis. Somente um terço das empresas afirma ter confiança para calcular o retorno obtido com a IA. Sem indicadores claros, governança de dados e objetivos definidos, muitas iniciativas permanecem restritas à experimentação.
“O desafio dos líderes hoje não é o acesso à tecnologia, mas a preparação para a nova onda da IA”, afirmou Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil.
Falta de profissionais limita avanço
A escassez de competências digitais e conhecimentos especializados em IA aparece como uma das principais barreiras, mencionada por 48% das empresas. Apenas 21% se consideram preparadas para adotar tecnologias de próxima geração, como agentes de IA capazes de executar tarefas com maior autonomia.
Nesse cenário, o desafio não está apenas em contratar ferramentas, mas em formar equipes, organizar dados, estabelecer regras de governança e identificar problemas concretos que possam ser resolvidos pela tecnologia.
Para as empresas brasileiras de TI, o avanço abre espaço para serviços de integração, desenvolvimento de soluções personalizadas, capacitação, segurança, infraestrutura em nuvem e acompanhamento de resultados. O levantamento também indica que as startups estão à frente das pequenas, médias e grandes empresas na adoção avançada e no lançamento de produtos baseados em IA.
Os números mostram que a primeira etapa da adoção já está em curso. A disputa agora será pela capacidade de levar a Inteligência Artificial para além de tarefas isoladas e transformá-la em uma ferramenta estruturada de produtividade, inovação e geração de novos negócios.
Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser