
Encontro reuniu empresários de diferentes segmentos para debater os impactos da Reforma Tributária e da Tributação da Renda sobre os negócios
A TI Rio reinaugurou, na quarta-feira, 29 de julho, o auditório de sua sede com uma palestra sobre dois temas que têm mobilizado o meio empresarial: a Reforma Tributária e a Tributação da Renda. O encontro, conduzido pelo advogado tributarista Ismail Salles, sócio do escritório Moura Tavares Advogados Associados, lotou o espaço e reuniu empresários de tecnologia e de outros segmentos.
Referência na área, Salles apresentou os principais pontos de atenção relacionados às mudanças no sistema tributário e respondeu às dúvidas dos participantes. O debate passou por tributação do lucro, importação e exportação de serviços, estrutura de custos e os efeitos da transição sobre o fluxo de caixa das empresas.
“A Reforma Tributária está despertando uma série de dúvidas e preocupações. Todos estão buscando se planejar para lidar com as mudanças”, afirmou.
O que muda para as empresas
A Reforma Tributária do consumo substituirá gradualmente PIS e Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), e ICMS e ISS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), seguindo a lógica de um Imposto sobre Valor Agregado, com créditos aproveitados ao longo da cadeia. A transição começou em 2026, ano de teste da CBS e do IBS, e seguirá em etapas até a substituição completa dos tributos atuais, período em que empresas conviverão com regras do sistema antigo e do novo, exigindo ajustes em sistemas de gestão, emissão fiscal, formação de preços e procedimentos contábeis.
Essa convivência entre dois modelos explica boa parte das dúvidas do encontro. No setor de tecnologia, a atenção é redobrada: muitas empresas prestam serviços a clientes em diferentes estados, municípios e países, e operações de importação e exportação de serviços têm regras próprias para local de tributação e aproveitamento de créditos.
“Foi uma oportunidade de tratar de muitas dúvidas com um público diverso, desde a tributação do lucro até a exportação e a importação de serviços, questões bastante complexas para o setor de tecnologia da informação”, destacou Salles.
Créditos tributários e proteção do caixa
Um dos principais alertas da palestra foi a necessidade de as empresas avaliarem desde já suas estruturas de custos e despesas. No novo sistema, o tributo devido considera os créditos gerados nas aquisições, mas o momento do recolhimento e o da apropriação do crédito nem sempre coincidem, o que pode gerar necessidade temporária de capital de giro.
Outro ponto de atenção é o split payment: mecanismo previsto na legislação da reforma pelo qual a parcela de tributos pode ser separada durante a liquidação financeira da operação e direcionada diretamente à administração tributária, alterando a dinâmica de recebimento hoje utilizada por muitos negócios.
“Em algum momento da transição, o empresário poderá sofrer um impacto no caixa até que o ciclo de créditos volte a um patamar de estabilidade. Por isso, a recomendação para qualquer empresa, de qualquer setor, é direta: cuide do caixa”, ressaltou Salles.
Planejamento para além da área fiscal
A discussão mostrou que a reforma não deve ser tratada apenas como questão contábil, mas envolve também as áreas financeira, comercial, jurídica e tecnológica das empresas, da formação de preços à revisão de contratos e sistemas de gestão.
Além da exposição, o encontro teve intensa participação do público, com empresários compartilhando experiências e discutindo como preparar seus negócios para a transição.
Novo espaço para debates
A atividade também marcou uma nova etapa para o auditório da TI Rio, que passa a receber iniciativas voltadas à circulação de ideias e à aproximação entre empresários, especialistas e profissionais de diferentes áreas.
A Reforma Tributária é apenas um dos temas que a TI Rio pretende continuar debatendo. A entidade realiza periodicamente palestras, cursos e eventos sobre assuntos relevantes para os setores empresarial e tecnológico. Fique atento aos canais oficiais para as próximas divulgações.
Texto: Bruno Nasser