
Segundo encontro do Fórum Tecnológico do Rio de Janeiro reuniu poder público, empresas e academia para discutir formação profissional, empregabilidade e desenvolvimento tecnológico
A formação de profissionais para a nova economia, a retenção de talentos e a aproximação entre empresas, universidades e poder público voltaram ao centro do debate durante o Encontro RH da Inovação, realizado no dia 28 de maio, no Planetário da Gávea. Promovido pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação da Prefeitura do Rio de Janeiro em parceria com a TI Rio, o evento marcou o segundo encontro do Fórum Tecnológico do Rio de Janeiro, iniciativa criada para reunir representantes do poder público, do setor produtivo, das instituições de ensino e do ecossistema de inovação em torno da construção de uma agenda estratégica para o desenvolvimento tecnológico da cidade.
O Fórum Tecnológico do Rio de Janeiro busca criar um espaço permanente de diálogo capaz de conectar diferentes atores na construção de soluções para desafios relacionados à inovação, transformação digital, formação de talentos e desenvolvimento econômico. Nesse contexto, o RH da Inovação surge como uma das frentes temáticas do fórum, dedicada a discutir os desafios da qualificação profissional e da formação de capital humano para a economia digital.
Na abertura do encontro, o secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Gabriel Medina, destacou o esforço em curso para estruturar uma governança mais integrada para o setor.
“Uma das questões fundamentais que a gente tem discutido muito é justamente a falta de diálogo entre a universidade e o setor privado. É importante entender o que as empresas estão demandando e o que estamos formando para construir caminhos de desenvolvimento”, afirmou.
Dados transformados em política pública

Um dos aspectos relevantes apresentados durante o encontro foi a forma como pesquisas e diagnósticos produzidos pela TI Rio já estão sendo utilizados pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação para orientar políticas públicas de formação profissional e qualificação de mão de obra voltadas à economia digital.
Gabriel Medina revelou que a Secretaria realizou um cruzamento entre o Mapeamento do Setor de TI do Rio de Janeiro, diagnósticos das Naves do Conhecimento, estudos sobre inclusão produtiva da juventude e outras bases de dados públicas, utilizando ferramentas de inteligência artificial para identificar demandas e construir percursos formativos mais aderentes à realidade de cada território.
“A gente colocou o Mapeamento do Setor desenvolvido pela TI Rio, entendendo as empresas e esse ecossistema. Colocamos os diagnósticos dos territórios das Naves do Conhecimento e, com ajuda da inteligência artificial começamos a desenhar trilhas customizadas para a juventude. O resultado foi sensacional”, relatou.
Segundo o secretário, a ferramenta permitiu construir percursos formativos específicos para diferentes regiões da cidade, considerando tanto as demandas do mercado quanto as vocações econômicas locais.
Inteligência setorial para orientar decisões
Para o presidente da TI Rio, Alberto Blois, transformar informações em instrumentos capazes de orientar decisões públicas e privadas é um dos objetivos centrais do trabalho realizado pela entidade.
Segundo ele, a TI Rio vem consolidando um papel importante como fonte de inteligência setorial para o ecossistema tecnológico fluminense. Iniciativas como o Mapeamento do Setor de TI do Estado do Rio de Janeiro e a Pesquisa de RH permitem compreender com maior precisão a realidade do mercado, identificando onde estão as empresas, quais regiões concentram atividade tecnológica, quais competências são mais demandadas e quais desafios precisam ser enfrentados para fortalecer a competitividade do estado.
Para Blois, a produção contínua de diagnósticos e informações qualificadas é fundamental para orientar decisões empresariais, apoiar instituições de ensino e contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficientes.
“O empresário precisa saber quais são os profissionais disponíveis. A academia precisa entender quais competências o mercado está demandando. E o poder público precisa conhecer a realidade dos territórios para formular políticas mais eficientes”, destacou.
Segundo ele, muitas vezes o profissional sai da universidade tecnicamente preparado, mas encontra um mercado que já opera em uma velocidade diferente.
“Existe um gap entre aquilo que é ensinado e aquilo que as empresas precisam. A aproximação entre academia, empresas e governo é fundamental para reduzir essa distância.”
O desafio da retenção de talentos
Outro tema recorrente ao longo do encontro foi a disputa global por profissionais qualificados.

A head hunter da Robert Half, Mariana Cals, apresentou um panorama do mercado de tecnologia e chamou atenção para o fato de que as empresas do Rio de Janeiro já não competem apenas entre si.
“Hoje não competimos apenas com o mercado nacional. Competimos com empresas do mundo inteiro. Temos profissionais sendo contratados por empresas internacionais, recebendo em dólar e trabalhando remotamente”, explicou.
Segundo ela, o cenário torna ainda mais urgente a criação de estratégias locais de formação e retenção de talentos.
Mariana também alertou para a velocidade com que as competências técnicas se tornam obsoletas e destacou que habilidades como adaptabilidade, pensamento crítico, comunicação e aprendizado contínuo passaram a ser tão valorizadas quanto o conhecimento técnico.

“As habilidades técnicas mudam rapidamente. O que vai diferenciar o profissional é sua capacidade de aprender continuamente e se adaptar às transformações do mercado.”
Um fórum que começa a ganhar corpo
Embora esteja apenas em seu segundo encontro, o Fórum Tecnológico do Rio de Janeiro já demonstra uma evolução importante. O debate começa a sair do campo das percepções e avançar para a construção de diagnósticos compartilhados, articulação institucional e desenvolvimento de projetos concretos.
A utilização dos dados produzidos pela TI Rio para orientar políticas públicas, o envolvimento crescente da Prefeitura e a participação de universidades, empresas, especialistas em recrutamento e instituições de formação profissional indicam que a iniciativa caminha para se consolidar como um importante espaço de articulação do ecossistema tecnológico carioca.
Mais do que discutir desafios, o fórum começa a produzir encaminhamentos práticos e aproximar setores que historicamente atuaram de forma isolada. O presidente do TI Rio, sintetizou o entendimento que emergiu do segundo encontro:
“o futuro da economia digital do Rio de Janeiro dependerá cada vez mais da capacidade de conectar conhecimento, dados, formação profissional e desenvolvimento econômico em uma estratégia comum para o Rio de Janeiro”, finalizou Blois.
Texto: Bruno Nasser