Dados, riscos e … sustentabilidade: Porque 2026 será diferente

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Finais ou inícios de ano são sempre muito parecidos: retrospectivas, previsões, grandes apanhados e aquela tentativa marota de prever o futuro com base no que aconteceu no passado. Este texto não seria diferente e eis que vejo 2026 como um ano bem desafiador. No Brasil, uma economia patinando e eleições presidenciais serão temas tratados à exaustão. No resto do planeta, uma grande instabilidade política e convulsões sociais explodindo ditarão a narrativa.

Mas e no mundo corporativo, o que nos espera?

Como economista que trabalhou por muito tempo com análise de cenários, numa vibe totalmente Mãe Dinah, vejo algumas tendências e alguns fatos entrando de vez na nossa rotina. Inteligência artificial, por exemplo, já é um tema mais que consolidado. A questão agora é como utilizá-la no dia a dia das empresas como gente grande de verdade. Porque já deu essa história de reduzir custos com design e redação botando o estagiário para usar o Canva ou o Chat GPT!

Análise de dados ainda é a bola da vez, apesar de não ser nada novo. Afinal, uma coisa é você analisar uma maçaroca de informações a partir de uma macro feita no Excel (acreditem em mim, isso existe e muito nas empresas até hoje), outra é você usar uma IA a seu favor, economizando tempo, aumentando a confiabilidade das informações e utilizando os dados para gerar real valor para a empresa.

No meio de tudo isso, vejo ainda dois temas gritando: riscos e sustentabilidade. No que diz respeito à gestão de riscos, esse é um assunto super normalizado dentro das empresas. Já sustentabilidade, apesar de estar aí há mais de duas décadas, só foi ganhar os holofotes em 2020, com a ascensão do ESG. Para quem ainda não é familiarizado, ESG é a sustentabilidade corporativa praticada pelo mercado financeiro. 

Pois bem, dentro da sustentabilidade, o tema mais forte é o das mudanças climáticas. Net Zero, Escopo 3, crédito de carbono… um monte de jargão técnico para no fim das contas dizer que a forma como as empresas está operando não está nada legal. E que se nada for feito, assim como aconteceu na pandemia, o prejuízo vai ser grande. 

No entanto, apesar de estar cada vez mais inserida na estratégia das empresas, a grande verdade é que a sustentabilidade corporativa ainda é feita com base no “feeling” dos profissionais. Menos assertividade, menos fatos e dados e mais coração. É aí que eu vejo a grande oportunidade para os profissionais de tecnologia. Porque em um mundo cada vez mais complexo e com demandas reais de sustentabilidade, um coração bom e um Excel para controle de dados não funcionam mais.

Se eu disser que a avaliação de riscos (não só de sustentabilidade) da maioria das empresas ainda é feita a partir de ferramentas de gestão que a galera aprendeu lá nos anos 70, 80 e 90, vocês acreditam? Pois é. Em pleno 2026, em um mundo baseado em algoritmos, uma das atividades mais importantes das empresas é feita com base na percepção das pessoas.

É aí que entra a importância dos profissionais e das empresas de tecnologia e do oceano azul que se apresenta para navegar. Porque hoje, o que existe de tecnologia voltada para gestão da sustentabilidade é incipiente. E em contraposição, o que se tem dentro das empresas são riscos reais podendo gerar grandes impactos financeiros. Imaginem o tamanho do prejuízo causado por uma operação paralisada por conta de um evento climático? Ou o B.O que é uma grande empresa estar associada a um fornecedor que faz uso de trabalho análogo ao escravo?

Eu, como profissional com quase 20 anos de experiência, digo que o mercado de sustentabilidade está completamente aberto a profissionais de tecnologia. Mas saber codar ou construir redes neurais não basta. A área de sustentabilidade tem suas especificidades e por isso é fundamental ter um bom conhecimento sobre o tema. E não, não tem nada a ver com meio ambiente. Sustentabilidade corporativa é sobre negócios, melhoria de processos, gestão de riscos, acesso a novos mercados. Se você for um profissional de tecnologia e entender isso, você vai ser O CARA em 2026.

Julianna Antunes
CEO Sustentaí; Sustentabilidade corporativa, ESG, inovação e estratégia.
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