Mesmo com a economia estagnada e o receio de uma nova crise global, empresas brasileiras, pelo segundo ano consecutivo, apontam que nos próximos 12 meses vão aumentar o investimento em segurança da informação. A conclusão é da Pesquisa Global de Segurança da Informação 2012, realizada anualmente pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) e pela revista CSO.
Dos 961 executivos de TI que responderam o estudo em solo nacional, 66% disseram que vão adotar essa estratégia. A Ásia lidera a lista com 73% e a média mundial é de 55%. No total, foram ouvidos 9,6 mil profissionais em 138 países.
“Por aqui, o espírito de otimismo continua. Entretanto, o crescimento não significa maturidade, já que muitas companhias deixam de lado medidas básicas de proteção como recuperação de desastres, planos de contingência e gestão de identidades”, alerta Sérgio Alexandre, sócio da consultoria de TI e Segurança da PwC.
Ricardo Dastis, consultor da PwC, aponta que após três anos de volatilidade econômica e resistência em realizar investimentos em segurança da informação, as empresas estão perdendo a habilidade de ter competências de proteção.
Mas nem tudo está perdido, diz. Quando perguntados sobre como o risco de acesso a informações confidenciais afeta a companhia, 70% dos entrevistados no Brasil afirmaram que essa invasão é muito contundente, enquanto 59% dos executivos ouvidos globalmente deram a mesma resposta. “Mostra que o País está amadurecendo e isso contribuiu para o desenvolvimento de práticas adequadas de segurança”, aponta o consultor.
Segundo Dastis, a atenção das companhias brasileiras em relação à proteção em torno de tecnologias emergentes, como mídias sociais, mobilidade e cloud computing está lado a lado com a média mundial. Por aqui, 38% das organizações têm estratégia de segurança para dispositivos móveis pessoais. Em todo o mundo, o percentual é de 43%. “Mesmo que o número seja considerável, ainda acredito que as companhias optam por bloquear o acesso”, observa Dastis.
Em relação à real execução de planos de segurança, 40% das companhias se consideram estrategistas, ou seja, são ótimas para planejar, mas encontram desafios para executá-los. A visão global é a de 43% se posicionam como líderes [executam a estratégia com determinação e entusiasmo].
Sobre a origem de incidentes de segurança nas empresas, uma surpresa. Clientes, parceiros e fornecedores são a maior fonte, apontados por 60% das companhias. “A terceirização vem crescendo e com isso incidentes saem do perímetro das empresas”, diz. No resto do mundo, a suspeita cai sobre funcionários e ex-funcionários.
Panorama mundial
Outro dado preocupante, afirma o consultor, é que a confiança nas práticas de segurança está caindo em escala global. Embora em todo o mundo, 72% dos executivos tenham indicado que confiam em algum nível, houve queda de 2006 para cá. “O índice antes era de 84%. Em 2009, companhias reduziram investimentos em proteção e essa queda é compreensível”, avalia.
Em 2011, as companhias disseram que o foco seria detecção de código malicioso, e, em seguida, filtros de conteúdo da web. “A conclusão aqui é que em cenário de cortes iniciativas de gestão de segurança são adiadas. Pode-se até adotar essa postura, mas viver sem soluções não é possível, já que crescem os ataques”, assinala Dastis.
Diante desse cenário, o executivo recomenda três ações vitais para as companhias que querem blindar o ambiente corporativo. “Use essas informações da pesquisa para definir uma visão para o seu programa de segurança da informação; defina e refina a estratégia de segurança da informação; e direcione a atenção para liderança, estratégia e alinhamento com os negócios e mantenha foco no cliente.”
Site: Computerworld
Data: 29/11/2011
Hora: 15h06
Seção: Segurança
Autor: Déborah Oliveira
Link: http://computerworld.uol.com.br/seguranca/2011/11/29/investimento-em-seguranca-crescera-no-pais-em-2012/