Muitas vezes o investidor parece um fantasma para as empresas. A maioria dos funcionários nunca o vê, só ouve o seu nome pelos corredores ou em reuniões. Mas, a sua presença é imprescindível para sobrevivência de quase todos os tipos de empreendimentos inovadores, principalmente startups. Neste universo das empresas nascentes, ávidas por caminhos que alavanquem o seu negócio, desmistificar essa figura é ainda mais importante.
Segundo estimativa do Bank of America, o Brasil ocupava o último lugar entre os 56 países emergentes quando o assunto era crescimento esperado do PIB em 2016. De fato, o momento não é dos mais encorajadores para investidores e empreendedores. No primeiro semestre deste ano, estimo que não houve nem dez rodadas de investimentos fechadas no país, enquanto no ano passado, somente no primeiro trimestre, identifiquei aproximadamente 30. Isso, porém, não quer dizer que ninguém está investindo no país. Sempre há fundos que estão à procura daquela solução inovadora, seja ela desenvolvida em um país em crise ou não.
Uma pesquisa da KPMG e da ABVCAP concluiu que a indústria de private equity e venture capital cresce ainda de forma consistente no país, com um aumento no volume de investimento de cerca de 40% em 2015, em relação a 2014. Bom, isso quer dizer que é possível conseguir algum aporte no Brasil? Sim. Por isso, mais do que nunca, é preciso entender o que o mercado está procurando. Veja alguns pontos cruciais para uma negociação:
1. Crescimento mínimo
Hoje, o mercado busca, especialmente, negócios de baixo risco e com crescimento exponencial, ou seja, mais do que 10% ao mês. Isso, muitas vezes pode parecer um paradoxo, já que risco é o que, quase sempre, gera o crescimento.
2. Comparação ao exterior
Esse paradoxo está ainda mais presente no campo das negociações. Do lado de quem vai investir o dinheiro, há preferência pelos negócios que demonstram boa performance e competitividade, quando comparados a iniciativas semelhantes do exterior. Isso fornece uma base, um parâmetro do valor dessa empresa e do potencial retorno em relação ao investimento.
3. Legalidade
Uma regra básica vale aqui: o risco é sempre inerente à escala. Sendo assim, o negócio tem que estar bem assegurado em termos tecnológicos, legais e operacionais. Se o empreendedor não atentar para isso, pode não só perder a chance de receber um aporte, como espantar de vez o investidor.
4. A aposta: fintechs
Não há dúvidas que as fintechs são a bola da vez quando o assunto é investimento. Recentemente, cinco empresas que oferecem soluções financeiras inovadoras no mundo, conseguiram investimentos de R$ 500 milhões, em apenas dez dias. Sim, dez dias. Isso só reforça o quanto o segmento e, principalmente, o nicho relacionado a tecnologias financeiras está na crista da onda.
5. A aposta (2): SaaS
E se você possui uma empresa com um software por assinatura (SaaS, Software as a service), tenho boas notícias: vários fundos no país estão olhando diretamente para essa área. No entanto, é preciso abusar da cautela. Como já frisei, a situação ainda é delicada por aqui. Devido ao receio regulatório e à crise econômica, poucos fundos brasileiros estão efetivamente caçando oportunidades de investimento.
6. Esqueça os unicórnios
De forma geral, os investidores estão rastreando empresas do tipo baratas, aquelas que sobrevivem em qualquer condição, nas situações mais adversas. Anteriormente, os fundos de venture capital buscavam os chamados unicórnios, empresas que poderiam rapidamente valer mais de R$ 1 bilhão, mesmo sem dar retorno financeiro algum. O mercado financeiro é outro e, por isso, esqueça os unicórnios neste momento.
Mas, afinal, o que buscam esses anônimos que podem garantir a escala que o seu empreendimento tanto almeja? O cenário agora é mais receptivo a empresas de baixo risco e com crescimento mensal de mais de 10%. O importante sempre é reconhecer que o mercado não é o mesmo de quatro anos atrás. Porém, grandes ideias, aliadas a um time excelente e um pitch atrativo podem fazer com que o investidor aposte novamente nas empresas. A questão-chave é: você está pronto para encontrá-lo?
(*) Piero Contezini é CEO e cofundador da fintech Asaas
Site: CIO
Data: 22/08/2016
Hora: 9h
Seção: Opinião
Autor: Piero Contezini
Foto: ——
Link: http://cio.com.br/opiniao/2016/08/22/investidor-voce-esta-pronto-para-encontra-lo/