
Com 2.300 agentes de IA em operação, instituição registra ganhos de produtividade e amplia o debate sobre o papel das decisões humanas na gestão empresarial.
O Banco do Brasil já utiliza cerca de 2.300 agentes de inteligência artificial (IA) em suas operações. Segundo a presidente da instituição, Tarciana Medeiros, essas ferramentas realizam atividades equivalentes ao trabalho de 20 mil pessoas em jornadas de seis horas diárias. A declaração foi feita durante o Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), realizado em São Paulo, na quarta-feira (7).
De acordo com a executiva, o uso da tecnologia proporcionou um ganho estimado de 1,5 milhão de horas de eficiência nos últimos 12 meses. Tarciana ressaltou, entretanto, que os números não representam a substituição de 20 mil funcionários, mas a possibilidade de direcionar o tempo das equipes para atividades que exigem maior interação humana, especialmente no relacionamento com os clientes.
A instituição atende aproximadamente 85 milhões de clientes, dos quais cerca de 35 milhões utilizam predominantemente os canais digitais. Com uma carteira de crédito próxima de R$ 1,3 trilhão e presença em 93% dos municípios brasileiros, o banco aposta na automação para ampliar sua capacidade operacional.
O limite entre a automação e a decisão humana
Apesar dos ganhos de produtividade, Tarciana destacou que a inteligência artificial não deve substituir a capacidade humana de avaliar situações complexas, especialmente quando envolvem questões éticas, sociais e econômicas.
Um dos exemplos apresentados foi a concessão de crédito ao agronegócio, atividade que exige considerar fatores que ultrapassam os indicadores financeiros. A executiva também mencionou o programa Desenrola, de renegociação de dívidas, para demonstrar a importância de compreender as circunstâncias individuais dos clientes.
A discussão evidencia um dos principais desafios da adoção da IA nas empresas: identificar quais processos podem ser automatizados e quais decisões precisam permanecer sob responsabilidade humana.
Produtividade exige capacitação e governança
O avanço dos agentes de inteligência artificial também coloca em evidência a necessidade de preparar profissionais e gestores para novas formas de organização do trabalho.
À medida que sistemas automatizados assumem tarefas operacionais e repetitivas, competências como análise crítica, interpretação de informações, relacionamento interpessoal e tomada de decisões estratégicas ganham relevância.
Outro ponto destacado pela presidente do Banco do Brasil foi a importância da governança no uso dessas tecnologias. A adoção de algoritmos exige atenção aos riscos de reprodução de vieses e discriminações, além de mecanismos de supervisão capazes de assegurar transparência e responsabilidade.
O caso do Banco do Brasil demonstra que a transformação provocada pela inteligência artificial vai além da redução do tempo necessário para executar tarefas. Ela também exige que as organizações repensem processos, desenvolvam competências e estabeleçam critérios para equilibrar eficiência tecnológica e responsabilidade humana.
Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser