
O início de 2026 marca um ponto de inflexão relevante na trajetória recente da tecnologia. Após um período dominado pela escassez de semicondutores e pela disputa por capacidade computacional, o setor passa a lidar com um novo eixo crítico: a disponibilidade de energia em escala compatível com a expansão da inteligência artificial.
Nos últimos anos, o debate esteve concentrado em modelos, algoritmos e hardware. No entanto, informações publicadas recentemente por veículos internacionais como a Bloomberg indicam que a limitação central deixou de ser exclusivamente tecnológica. A infraestrutura energética passou a ocupar posição estratégica, tornando-se um fator determinante para a viabilidade e a continuidade dos projetos de IA em larga escala.
De acordo com análises da Bloomberg, empresas globais de tecnologia vêm enfrentando dificuldades crescentes para atender à demanda energética de data centers avançados, mesmo com elevados níveis de investimento. O consenso entre lideranças do setor é que a infraestrutura física, em especial a geração e a estabilidade no fornecimento de energia, tornou-se o principal gargalo para o crescimento da IA, superando, inclusive, a disponibilidade de chips especializados.
Energia como ativo estratégico
Nesse contexto, grandes empresas passaram a adotar estratégias mais diretas de garantia energética. Conforme noticiado pelo Nuclear News, a Meta anunciou, em janeiro, acordos que asseguram o fornecimento de aproximadamente 6,6 GW de energia nuclear até 2035. O objetivo é sustentar seu supercluster de inteligência artificial, denominado Prometheus, e reduzir a dependência das redes elétricas tradicionais.
Segundo o mesmo veículo, a iniciativa envolve parcerias com empresas consolidadas do setor energético e desenvolvedores de tecnologias nucleares avançadas, incluindo reatores modulares e sistemas de nova geração. O movimento indica uma mudança de postura no setor: a energia deixa de ser apenas um insumo operacional e passa a ser tratada como ativo estratégico de longo prazo.
Do chip à tomada: a mudança do gargalo
Até 2025, a principal restrição para a expansão da IA era a oferta de GPUs de alto desempenho, concentradas em poucos fabricantes. Em 2026, esse cenário ganha mais uma camada. Mesmo com eventuais avanços na cadeia de semicondutores, a limitação energética impõe um novo teto ao crescimento.
Análises publicadas pela CNBC reforçam essa leitura ao destacar que a capacidade computacional só se materializa quando acompanhada de infraestrutura elétrica estável e contínua. Executivos do setor, incluindo lideranças da indústria de hardware, já reconhecem publicamente que o ritmo da inteligência artificial será condicionado, cada vez mais, à disponibilidade de eletricidade confiável e ininterrupta.
Movimentos semelhantes vêm sendo adotados por outras empresas globais. A Microsoft, segundo reportagens da Reuters, anunciou a reativação de unidades nucleares para atender sua infraestrutura de nuvem. Na mesma linha, a Amazon e o Google avançam em investimentos em reatores modulares e soluções energéticas próprias, conforme divulgado por veículos especializados do setor.
Infraestrutura própria e novos modelos
Outro vetor relevante é a busca por maior autonomia energética. De acordo com informações publicadas pela Reuters, iniciativas como o Projeto Stargate – envolvendo a OpenAI e o SoftBank – apontam para um modelo de “fábricas de IA” verticalizadas, nas quais geração de energia, processamento e armazenamento passam a integrar um mesmo ecossistema.
Segundo a agência, a motivação é dupla: reduzir riscos de fornecimento e evitar pressões adicionais sobre as redes elétricas públicas, que já começam a sentir os efeitos do crescimento acelerado dos data centers. Ao investir em geração própria, as empresas buscam previsibilidade, estabilidade de custos e maior controle operacional.
Um novo paradigma
O avanço da inteligência artificial em 2026 evidencia uma mudança estrutural no setor de tecnologia. A IA deixa de ser compreendida apenas como um fenômeno digital e passa a ser reconhecida como um sistema profundamente dependente de infraestrutura física.
Energia contínua, previsível e em grande escala torna-se condição essencial para a competitividade tecnológica. Nesse cenário, fontes como a energia nuclear, associadas a novos modelos de reatores e sistemas de resfriamento avançados, ganham centralidade no debate global.
Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser