A Intel apresentou nesta semana, durante seu evento anual Research@Intel, os mais recentes projetos de pesquisa da empresa. Durante mais de 20 anos, os estudiosos dos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento da Intel vêm produzindo tecnologias que passaram a fazer parte de nosso cotidiano, inicialmente focando nos microprocessadores que equipam nossos PCs, mas, em seguida, expandindo sua atuação para diversas outras áreas.
Sob a batuta de Justin Rattner, chefe do departamento de tecnologia da empresa, a Intel Labs criou uma rede de centros de pesquisas colaborativas em todo o mundo que utilizam os recursos da Intel. Com isso, segmentos acadêmicos e governos trabalham visando a promover inovações fundamentais em algumas das áreas mais difíceis e incômodas da tecnologia da computação.
O evento Research@Intel deste ano apresentou as mais recentes e inovadoras pesquisas realizadas pelos profissionais do Intel Labs, bem como as colaborações da companhia com instituições acadêmicas de todo o mundo. Várias demonstrações de pesquisas inovadoras foram realizadas no evento deste ano, incluindo tecnologias voltadas para enriquecer vidas, criar cidades, casas e escritórios inteligentes, além de revolucionar a maneira como as pessoas compram, se comunicam e dirigem seus carros. Uma pequena coleção de vídeos explica resumidamente 15 desses projetos. VEJA AQUI
Eis o resumo desses projetos.
1. Visualizando Big Data
A visualização de imagens incrivelmente detalhadas, como exames médicos, mapas em relevo ou simulações científicas ajuda os especialistas a descobrir conhecimentos escondidos e resolver problemas do mundo real. Mas o tempo que leva para renderizá-los (apresentá-los numa tela eletrônica), especialmente em dispositivos móveis, pode ser extremamente grande. A Intel Labs apresenta tecnologias do Instituto de Computação Visual da Intel que usam processamento híbrido cliente/nuvem para renderizar imagens em alta resolução em dispositivos que vão de smartphones, a uma parede cheia de monitores. A solução híbrida de diferentes sistemas de renderização possibilita – de forma mais acessível – que grupos de pessoas avaliem dados visuais críticos, como imagens de planetas da NASA, tomografias volumétricas 3D e até mesmo uma imagem fractal de 4 yottabytes (equivalente a 4 trilhões de trilhões de bytes de dados).
2. Veículos que se reconhecem uns aos outros
Muitos acidentes poderiam ser evitados com um pequeno aviso sonoro, luminoso ou táctil. Possibilitar que carros, caminhões, ônibus, motos, scooter e bicicletas se intercomuniquem e trabalhem juntos pode ser o primeiro passo para evitar colisões e outros acidentes. Com esse fito, uma comunicação rápida e confiável entre os veículos é fundamental, mesmos nas ruas lotadas das grandes cidades. A Intel Labs, por meio do Instituto de Pesquisa Colaborativa para Computação Conectada com reconhecimento de Contexto da Intel, está explorando as laternas traseiras de veículos automotivos para apoiar a transmissão de alta velocidade de dados de curtas distâncias entre veículos. A tecnologia usa modulação direta das luzes LED traseiras para codificar dados dentro do campo de visibilidade do veículo que vem logo atrás, ao mesmo tempo em que mantém um estado constante de iluminação ambiente. Sem praticamente nenhum custo extra, a tecnologia pode salvar vidas, dando aos veículos o poder de conversar entre si.
3. Cidades Conectadas Sustentáveis
Com mais de 50% da população do mundo vivendo em cidades, e a ONU projetando que este percentual para 70% até 2050, o desenvolvimento da infraestrutura para responder a esse crescimento é fundamental. A capacidade de viver e prosperar nas nossas futuras cidades dependerá desses avanços. A Intel Labs demonstrou no evento como a infraestrutura inteligente pode capturar, gerenciar, fundir e analisar dados sobre a cidade para ajudar a torná-la mais habitável.
O Instituto de Pesquisa Colaborativa da Intel em Londres está desenvolvendo sensores fixos e móveis para aproveitar em tempo real dados fornecidos voluntariamente por usuários mediante premiação por pontos e informações sobre a própria cidade coletadas por sensores estrateicamente distribuídos no espaço urbano de modo a fornecer soluções práticas para problemas que vão desde secas, inundações, longo tempo de deslocamento e desperdício de energia.
Uma rede de sensores pode ser usada para monitorar fluxos de tráfego e prever os efeitos de condições climáticas extremas no suprimento de água, resultando no fornecimento de informações praticamente em tempo real para os cidadãos por meio de monitores espalhados por toda a cidade e aplicativos móveis.
4. Casa inteligente
As residências nos países mais desenvolvidos possuem cada vez mais dispositivos conectados – PCs, telefones, TVs, sistemas de entretenimento, câmeras e luzes, para citar apenas alguns. No futuro, todos esses dispositivos poderão se comportar da maneira que gostamos, programados para as preferências de nossas famílias e atividades regulares, como por exemplo, saber quando as crianças entram pela porta da frente após a saída da escola, ou que o cãozinho da família precisa sair para passear e se aliviar.
Engenheiros irlandeses da Intel Labs estão desenvolvendo uma interface gráfica de usuário com módulos reutilizáveis a fim de permitir que as pessoas coordenem dispositivos com sensores a outras informações do que ocorre em casa. O novo modelo para programar uma casa ajudará qualquer pessoa a usar dispositivos, coordenar padrões e analisar os dados dos sensores para fazer uma casa inteligente se comportar da maneira que desejamos — tudo isso sem precisar ser um ás em programação nem um nerd de carteirinha.
5. A internet dos displays
O Instituto de Computação Visual da Intel — (uma colaboração entre a Intel Labs e universidades dos EUA e Alemanha — elimina a necessidade por cabos físicos quando o usuário deseja exibir conteúdo em vídeo. Seja para o entretenimento doméstico, ambientes de varejo ou projetos globais, a pesquisa da Intel Labs permite que todos os dispositivos conectados exibam o mesmo conteúdo, se conectem com qualquer quantidade de dispositivos ou de displays, e os localizem de qualquer lugar, sem a necessidade de cabos longos.
6. Crachá inteligente
Para uma colaboração verdadeiramente produtiva, as pessoas precisam permanecer conectadas e atualizadas sem interrupções, de preferência usando algum dispositivo que esteja próximo a elas o tempo todo. Porque não um crachá?
A Intel Labs está trabalhando em ambientes e sensores inteligentes que as pessoas podem simplesmente programar e esquecer que existem, deixando que esses dispositivos continuem trabalhando continuamente. Um crachá inteligente, apelidado de eBadge, é um dispositivo seguro que pode ser usando junto à roupa ou pendurado no pescoço e que carrega informações pessoais identificando e autenticando o usuário, além de coletando energia para se recarregar. O eBadge também pode trabalhar em parceria com um smartphone para exibir informações úteis tais como agenda, lembretes e mensagens de texto.
7. Reconhecimento de objetos
A Intel Labs apresentou um projeto de reconhecimento de objetos a partir de uma foto, em que o sistema destaca uma matriz tridimensional de pontos em um objeto sendo estudado e carrega esses dados em um banco de informações. Feito isso, é possível diferenciar o objeto registrado quando ele aparece numa foto, mesmo junto a outros objetos ou, em alguns casos, quando ele é parcialmente obstruído por outros objetos que aparecem na sua frente.
Unindo esses algoritmos a ferramentas de interpretação de voz, é possível estabelecer conexões semânticas entre pessoas e objetos — vínculos que também podem compor um perfil digital da pessoa em um banco de dados específico.
8. Telão em superfícies “burras”
Um dos projetos mostrados no evento apresenta um sistema de projeção de imagens em superfícies comuns, como paredes, mesas, assoalho e teto. Sensores colocados nas proximidades identificam movimentos de mão de um operador e podem ser programados para responder a comandos gestuais, tais como zoom in e out, deslocamento de imagens, captura de imagens em outra superfície menor, como um livro ou uma bandeja, movimentação de imagens por toque, entre outros.
Você já desejou que a tela sensível ao toque do seu celular pudesse mudar de tamanho com base nos apps que você está usando ou compartilhando para facilitar a visualização? Você já desejou não precisar levar o notebook nas suas férias, mas levou assim mesmo para atender uma eventual necessidade? Imagine a habilidade de exibir e interagir em qualquer superfície com qualquer dispositivo? Você não precisará mais se preocupar em levar aplicativos, dispositivos e monitores… você terá acesso a todos eles.
9. Gerenciando cargas cerebrais de trabalho
A Intel Labs está explorando maneiras para reduzir as ameaças geradas por motoristas distraídos. A evolução das tecnologias e métodos permite avaliar e alertar um motorista em estado de pos´sivel fadiga antes que ele cause um acidente. Tecnologias estão sendo desenvolvidas visando a acompanhar para onde o motorista está olhando e assim calcular as características da atividade cerebral e níveis de oxigênio relacionados com a habilidade de dirigir com segurança. A Intel Labs, junto com colaboradores universitários, está realizando pesquisas abrangendo neurociência e engenharia cognitiva, dando continuidade ao seu trabalho sobre a experiência do usuário no transporte.
10. Streaming de vídeos com qualidade
Outro projeto apresentado no evento explora a maneira mais apropriada para melhorar a experiência de transmissão de vídeo em streaming com o uso do protocolo MPEG Dynamic Adaptive Streaming over HTTP, conhecido pela sigla DASH. Ao combinar novas técnicas como feedback assistido pelo servidor e adaptação da taxa estimulada pela qualidade, a equipe da Intel pode transmitir vídeos de melhor qualidade com menos travamentos ou distorções para economizar nas taxas de transmissão de dados na rede. Esta demonstração apresenta soluções de transmissão DASH ponto a ponto nas quais os servidores transmissores e os clientes receptores estejam compartilhando estatísticas de transmissão. Com a ajuda de um novo componente, o gerenciador DASH, pode-se obter uma transmissão de alta qualidade, robusta e inteligente de vídeo em stream.
11. Execução composta direta
Tecnologias de computadores “vestíveis” e muitos outros designs de soluções embebidas, incluindo systems-on-a-chip, podem usar uma quantidade considerável do espaço de memória dos processadores que os dirigem. Enquanto a arquitetuta X86 ISA da Intel é reconhecida por ter uma boa densidade nativa, com tamanhos binários combinados entre as menores CPUs comerciais, o futuro precisará de processadores poderosos que requeiram ainda menos espaço.
A Intel Labs demonstra a tecnologia melhorando ainda mais este aspecto, permitindo uma redução considerável no espaço usado pela memória com custo fixo mínimo (5% de performance ou menos) para muitos aplicativos embebidos e móveis.
12. Descobrindo Relacionamentos – Twitter
A próxima fase do Big Data depende das explorações dos relacionamentos entre amplos e diversos conjuntos de dados. A Intel Labs e as universidades colaboradoras desenvolveram ferramentas que revelam conexões surpreendentes entre pessoas, coisas ou eventos, resultando uma inteligência acessível para uso profissional e pessoal.
Este projeto é uma colaboração do Centro de Ciências e Tecnologia da Intel para Big Data, e demonstra como técnicas de análises aproximadas podem reunir rapidamente o texto completo de milhões de tweets recentes e descobrir aqueles relacionados, de qualquer lugar do mundo. Tal análise aproximada tem uma taxa de acerto de 90%, ao mesmo tempo em que realiza a tarefa dez vezes mais rápido do que as análises tradicionais.
13. Descobrindo Relacionamentos – Grafos
Outro exemplo de tecnologia que permite conectar dados aproximados rapidamente é o Graph Builder, um software desenvolvido pela Intel no Centro de Ciências e Tecnologia para Computação em Nuvem da Intel na CMU, conhecido como Graph Lab, e uma aliança para pesquisas estratégicas da Intel. Este software é usado para descobrir conexões interessantes entre quaisquer duas entradas da Wikipedia, mesmo enquanto essas entradas estiverem sendo editadas. A ferramenta de análise preditiva encontra rapidamente a correlação entre dois elementos dentro de alguns graus de separação.
14. Velho versus novo
Durante a cobertura em vídeo do evento pelos jornalistas convidados, coexistiram três gerações de equipamentos. A mais antiga exigia câmera pesada, tripé gigante, duas pessoas — repórter e câmera-man — e uma maçaroca de fios. A intermediária se parece com a anterior, sendo que a câmera é pequena e de mão, filmando em HD. E a terceira, mais recente, prática, descomplicada e barata, é uma pessoa apenas usando um smartphone devidamente equipado com suporte telescópico e captador adaptado de áudio, podendo filmar em SD ou em HD.
15. Shopping inteligente
A Tecnologia Shelf-Edge (SET, na sigla em inglês) da Intel Labs pode detectar com sensores a presença de uma pessoa caminhando por um supermercado e ajudá-la a encontrar o que deseja, com base no seu perfil de compras anteriores no estabelecimento. Se o consumidor estiver, por eemplo, pensando em cozinhar salmão para o jantar, a SET pode recomendar o melhor vinho para acompanhar a refeição, com base nas suas preferências. Em termos de saúde pessoal, a SET também pode avisar o consumidor sobre alimentos que possam lhe causar uma reação alérgica, caso seu perfil registre quais são as sensibilidades da pessoa com relação a este ou aquele ingrediente.
Site: O Globo
Data: 27/06/2013
Hora: 11h48
Seção: Tecnologia
Autor: Carlos Alberto Teixeira
Link: http://oglobo.globo.com/tecnologia/intel-mostra-suas-apostas-para-futuro-8829989