
Em encontro promovido pela TI Rio, candidato a deputado federal defendeu articulação política, acesso ao fomento, formação profissional e fortalecimento dos ecossistemas de inovação.
O Rio de Janeiro reúne universidades, centros de pesquisa, empresas e profissionais capazes de colocar o estado entre os principais polos tecnológicos do país, mas ainda precisa integrar esses ativos em torno de uma estratégia comum de desenvolvimento. A avaliação foi apresentada por Marcelo Verly, candidato a deputado federal, durante encontro promovido pela TI Rio no dia 31 de agosto.
Primeiro presidente da Regional TI Rio de Nova Friburgo, Verly possui uma trajetória ligada à interiorização da ciência, da tecnologia e da inovação no estado. No encontro, ele discutiu com diretores, empresários e lideranças do setor temas como integração entre capital e interior, acesso das empresas a recursos de fomento, modernização do poder público, qualificação profissional e inserção de jovens no mercado de trabalho.
“O estado do Rio é uma Ferrari com o freio de mão puxado. Nós ainda não conseguimos alcançar a plenitude do nosso potencial, fundamentalmente pela falta de integração”, afirmou.

Uma trajetória ligada à interiorização
A relação de Verly com o desenvolvimento tecnológico de Nova Friburgo começou ainda na década de 1990, quando assumiu a gestão de uma incubadora de empresas de base tecnológica. Posteriormente, participou da articulação para ampliar a presença de instituições de ensino e pesquisa na região e ocupou a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Nova Friburgo.
Durante sua passagem pela secretaria, entre 2018 e 2020, Verly também participou da articulação que levou o Rio Info pela primeira vez ao município. Mais tarde, esteve envolvido na construção e no fortalecimento de diferentes ecossistemas de inovação do estado.
Essa experiência também marcou sua atuação como primeiro presidente da Regional TI Rio de Nova Friburgo, estrutura criada para aproximar as empresas do interior, ampliar a representação regional e conectar os diferentes polos tecnológicos fluminenses.
Segundo Verly, o desenvolvimento do setor depende da construção de uma malha colaborativa capaz de reunir poder público, empresas, universidades, entidades representativas e sociedade civil.
“Eu não acredito na construção de um estado mais forte se não for por meio do desenvolvimento dessa malha colaborativa. As instituições são fundamentais, mas nenhuma instituição funciona se não tiver pessoas dedicadas ao trabalho de integração”, destacou.
Ecossistemas regionais de inovação
Um dos principais temas do encontro foi a necessidade de estruturar ecossistemas regionais de inovação, considerando não apenas municípios isolados, mas também suas relações econômicas, educacionais e produtivas com as cidades vizinhas.
Para Verly, cada região deve identificar suas vocações e as tecnologias capazes de aumentar sua competitividade. O poder público, nesse processo, deve atuar como articulador, indutor e também como contratante de soluções inovadoras.
O candidato citou mecanismos como os ambientes regulatórios experimentais e as compras públicas de inovação, que podem transformar municípios em espaços de desenvolvimento e teste de novas tecnologias.
“Com o poder de compra de uma administração pública, você pode acelerar soluções e transformar uma cidade em um laboratório a céu aberto”, afirmou.
Verly também defendeu a modernização dos serviços públicos municipais. Segundo ele, tecnologias já disponíveis podem facilitar o acesso da população aos serviços, melhorar a gestão urbana e contribuir para áreas como mobilidade, iluminação e segurança.
Acesso das empresas ao fomento
A dificuldade enfrentada por pequenas empresas para acessar financiamento e recursos destinados à inovação também ocupou parte do debate. Representantes da TI Rio destacaram que, embora o estado possua um grande número de empresas e estabelecimentos ligados à tecnologia, a participação fluminense em programas de fomento ainda está abaixo de seu potencial.
Verly avaliou que o problema não está apenas na elaboração de projetos, mas também na falta de acesso organizado às informações sobre editais, fundos e linhas de financiamento.
“Às vezes, não faltam apenas projetos. Falta acesso ao conhecimento que permite saber que existe uma linha de financiamento aberta e que é possível apresentar uma proposta”, observou.
Como alternativa, ele propôs a criação de uma espécie de janela única de oportunidades, reunindo, de forma permanente e organizada, informações sobre editais, recursos não reembolsáveis e outros mecanismos de apoio à inovação.
Durante o encontro, a TI Rio também apresentou a necessidade de mecanismos que reduzam as barreiras enfrentadas pelas pequenas empresas, como fundos garantidores e regras que facilitem a formação de consórcios empresariais. A possibilidade permitiria que organizações com competências complementares se unissem para participar de projetos de maior porte.
Verly manifestou apoio ao modelo e ressaltou que a representação política deve estar conectada às demandas formuladas coletivamente pelo setor.
“O mais relevante é vocalizar aquilo que o setor entende como necessário. Não ser um representante de si, mas de um segmento e de organizações que consigam fazer essa escuta”, declarou.
Formação profissional e entrada no mercado
A qualificação de profissionais foi outro ponto central da conversa. Empresários presentes ressaltaram que o desafio não se limita à oferta de cursos. Também é necessário criar condições para que os profissionais recém-formados tenham sua primeira experiência dentro das empresas.
Entre as propostas debatidas esteve a criação de uma bolsa-residência, que permitiria a entrada temporária de jovens nas empresas, especialmente nas organizações de pequeno porte, que nem sempre dispõem de estrutura financeira e operacional para formar novos profissionais.
Verly defendeu a ampliação do ensino técnico profissionalizante, conectado às demandas reais das empresas e às vocações econômicas de cada território. Para ele, a formação também deve incorporar experiência prática, educação empreendedora e desenvolvimento de habilidades socioemocionais.
O candidato citou como exemplo o Nova Frilab, iniciativa do ecossistema de inovação de Nova Friburgo que aproxima empresas e instituições de ensino para desenvolver projetos voltados à solução de problemas concretos da sociedade.
“É uma missão de vida ampliar a oferta de ensino técnico profissionalizante, ensino superior e abrir janelas de oportunidade”, afirmou Verly, ao recordar que um curso de datilografia realizado na juventude foi determinante para que tivesse acesso às primeiras oportunidades profissionais.
Compromisso com o diálogo permanente
Ao final do encontro, Verly assumiu o compromisso de manter uma agenda periódica de diálogo com o setor, caso seja eleito. A proposta é realizar encontros ao longo do mandato para acompanhar mudanças legislativas, ouvir demandas e transformá-las em projetos e iniciativas de articulação em Brasília.
“Quando alguém se dispõe a ser representante, o fundamental é não se distanciar. É preciso estar presente”, declarou.
Para o candidato, o Mapeamento da TI do Estado do Rio de Janeiro produzido pela TI Rio oferece uma base estratégica para essa atuação, ao organizar dados capazes de orientar políticas públicas, investimentos, formação profissional e decisões empresariais.
“Se você não tem dados, não consegue gerar políticas públicas. Hoje, as políticas que produzem mais resultados são aquelas construídas coletivamente, por meio de uma malha colaborativa”, concluiu.
Uma tradição de diálogo com candidatos
Tradicionalmente, a TI Rio promove encontros com candidatos a diferentes cargos eletivos, criando um espaço para apresentar as demandas das empresas de tecnologia, conhecer as propostas dos participantes e ampliar o debate sobre o papel estratégico do setor no desenvolvimento econômico e social do Estado do Rio de Janeiro.
Novos encontros serão realizados, com as datas divulgadas à medida que forem confirmadas.
Texto: Bruno Nasser