A pior das vulnerabilidades para fornecedores de infraestrutura crítica talvez seja os próprios funcionários.
Na semana passada, a Equipe de Respostas às Emergências da Indústria de Controle de Sistemas Cibernéticos (ICS-Cert) do Departamento de Segurança Interna reportou dois incidentes separados onde sistemas de TI, conectados diretamente a ativos-chave da indústria de energia, foram infectados com um malware que havia sido implantado pelo uso de unidades USB comprometidas.
Esses incidentes destacaram os buracos que existem nos controles básicos de segurança das organizações.
Durante o ano passado, as preocupações com relação à segurança da infraestrutura da rede de energia cresceram, à medida que malwares, como o Stuxnet e Flame, chamaram a atenção para as vulnerabilidades encontradas em importantes sistemas de controles industriais (ICS).
Dada a enorme complexidade de proteger sistemas de software incorporados Scada (controle de supervisão e aquisição de dados) – originalmente projetados para uso em ambientes com paredes e agora exposto à Internet -, não é difícil entender por que os fornecedores de infraestrutura ainda lutam para aumentar a segurança.
No entanto, o maior obstáculo não é o dilema técnico, mas a contínua incapacidade das equipes de gestão operacional e de segurança de TI em formar uma parceria produtiva.
“É realmente muito desanimador saber o quão pouco mudou, com base nessa falta de coesão entre as equipes de segurança de TI e da equipe operacional responsável por manter o funcionamento dos sistemas industriais”, disse o analista de segurança sênior da Gartner, Avivah Litan. “Ainda há uma cultura de burocracia organizacional e territorialismo, e pouca urgência em ter as coisas feitas. Todos respondem ao seu próprio chefe, os funcionários não são incentivados a trabalhar em conjunto e, apesar de toda a atenção, poucos CEOs ou executivos parecem estar focados no problema.”
Litan disse que, enquanto as empresas de serviços financeiros responsáveis por manter mercados eletrônicos online, em conjunto com as empresas de telecomunicações e alguns fabricantes de alta tecnologia, tiverem ganhos significativos em resolver esta questão, as empresas do setor de energia continuarão a ser problemáticas.
“Certamente ambos os times de segurança e funcionários operacionais estão cientes da ameaça, mas eles não são bem equipados para lidar com isso”, disse Litan. “O TI acha que pode cobrar e aplicar políticas tradicionais, enquanto os operadores dos sistemas Scada e outros sistemas ICS são muito cautelosos em permitir que alguém faça mudanças em seus ambientes. Até que a gerência sênior force esta cooperação, não haverá maiores ganhos – e mesmo assim isso levará tempo.”
Site: IDG Now!
Data: 29/01/2013
Hora: 10h
Seção: TI Corporativa
Autor: Matt Hines
Link: http://idgnow.uol.com.br/ti-corporativa/2013/01/25/infraestrutura-critica-de-industrias-continua-vulneravel-a-cibertaques/