IBM mergulha na consumerização e gerencia 80 mil dispositivos

A CIO da IBM Jeanette Horan tem muitos projetos de TI e sistemas com os quais se preocupar, mas talvez um dos mais prementes e oportunos é a estratégia de BYOD em curso na Big Blue, extensiva aos 440 mil funcionários da empresa ao longo do tempo.

A força de trabalho da IBM é “altamente móvel”, com muitos trabalhando nas instalações dos clientes, em escritórios domésticos e outros locais fora dos edifícios corporativos. Em uma recente entrevista no escritório da IBM em Cambridge, Massachusetts, Estados Unidos, Jeanette disse que a IBM tem há muito tempo um plano corporativo de mobilidade centrado na plataforma BlackBerry.

Mas com o tempo, mais iPhones e outros dispositivos começaram a ser usados no ambiente de trabalho, e IBM decidiu que era hora de encarar de frente a questão do BYOD (bring your own device). “Se nós não suportamos o uso desses dispositivos, nossos funcionários descobririam por conta própria como usá-los para acesso aos sistemas da companhia, colocando em risco informações corporativas”, diz ela.

O programa de BYOD da IBM “é realmente o de apoiar os empregados na forma como eles querem trabalhar”, afirma Jeanette. “Eles vão ter a ferramenta mais adequada para fazer o seu trabalho. Quero me certificar de que podemos permitir que façam isso, mas de uma forma que garanta a integridade do nosso negócio.” Para tanto, a empresa emitiu uma série de “orientações de computação segura”, em um claro esforço para aumentar a conscientização sobre a segurança on-line e a natureza sensível dos dados corporativos.

Até agora, cerca de 120 mil usuários estão acessando rede da IBM por meio de dispositivos móveis, e desse total, 80 mil usando seus próprios dispositivos pessoais, pagando as taxas mensais de serviço, de acordo com o porta-voz da IBM, Tim O’Malley. Os 40 mil restantes estão usando smartphones fornecidos pela IBM. A empresa tem uma projeção “agressiva” de crescimento do uso de dispositivos pessoais para este ano, mas prefere não mencionar um número específico, segundo O’Malley.

Um componente da política de BYOD da companhia é o uso do programa Traveler, da Lotus, que fornece um aplicativo cliente nativo a partir do qual os usuários móveis podem acessar o e-mail e o calendário Lotus Domino. A IBM também está avaliando o uso de VPN para proporcionar maior segurança e suporte para mais aplicações móveis.

A equipe de Jeanette gerencia esses dispositivos móveis por meio da plataforma Tivoli Endpoint Manager. Isso também permite que a IBM “limpe” os dispositivos no caso de serem perdidos ou roubados, ou de o empregado deixar a empresa. Os funcionários que querem usar seus próprios dispositivos têm de concordar com as políticas de Jeanette, que incluem que o seu dispositivo seja apagado ao deixarem a empresa.

A IBM poderia usar recipientes seguros para disponibilizar aplicativos nos dispositivos dos usuários, permitindo-os apagar apenas o recipiente e não o dispositivo inteiro, mas essa opção não tem sido utilizada até agora, segundo a CIO da IBM. Ela se diz ansiosa pela disponibilidade maior de hypervisors móveis que permitiriam que os dispositivos móveis pudessem executar sistemas operacionais diferentes e aplicativos relacionados para uso corporativo e pessoal.

Outro dilema enfrentado pelas empresas que optam pelo BYOD, incluindo IBM, diz respeito à possibilidade de desenvolver e manter aplicações nativas para cada plataforma móvel, ou se concentrar em aplicativos baseados em navegadores que possam ser escritos uma única vez e implantados multiplataforma. O padrão emergente HTML5, com as suas capacidades mais ricas, está ajudando a disseminar essa última opção.

“O HTML5 é, definitivamente, uma direção na qual estamos focados”, afirma Jeanette. “Não quero ter que manter aplicativos nativos para todos esses dispositivos. No entanto, não tenho certeza de que meus usuários vão achar essa opção aceitável”, diz ela.
Recente a IBM adquiriu a Worklight, que tem uma grande variedade de tecnologias de desenvolvimento de aplicações móveis, o que também deve ajudar as equipes de Horan. “Era uma lacuna no nosso portfólio”, explica.

Mas nem todo desafio para Horan em relação à gestão da estratégia de BYOT da IBM é tão técnico. A presença da empresa em 170 países torna a oferta de um plano de suporte corporativo algo complicado de gerir. “Infelizmente, temos que ter um contrato em cada país”, diz ela.

Site: Computerworld
Data: 30/03/2012
Hora: 14h
Seção: Tecnologia
Autor: Chris Kanaracus
Link: http://computerworld.uol.com.br/tecnologia/2012/03/30/ibm-mergulha-na-consumerizacao-e-gerencia-80-mil-dispositivos/

Pesquise no TI RIO