IA ainda não entrega valor esperado nas empresas e expõe desafio entre hype e realidade

ia ainda não entrega valor esperado nas empresas e expõe desafio entre hype e realidade

Apesar de ocupar o centro das estratégias corporativas e concentrar bilhões em investimentos ao redor do mundo, a inteligência artificial ainda não se traduz, na prática, em ganhos concretos para a maioria das empresas. A constatação evidencia um descompasso crescente entre expectativa e resultado.

Segundo Norbert Jung, CEO da Bosch Connected Industry, braço tecnológico da multinacional alemã, cerca de 95% dos projetos de inteligência artificial atualmente não geram valor econômico efetivo. A fala sintetiza um sentimento cada vez mais presente no setor produtivo: a tecnologia avança rapidamente, mas sua aplicação ainda encontra barreiras estruturais dentro das organizações.

O cenário revela que, embora a IA esteja amplamente difundida em discursos estratégicos, sua implementação segue, em grande parte, restrita a fases experimentais. Muitas empresas acumulam dados em escala inédita, mas enfrentam dificuldades para transformá-los em produtividade, eficiência ou vantagem competitiva.

Essa percepção não é isolada. Estudos recentes apontam que, mesmo com investimentos entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões em inteligência artificial generativa, a maior parte das organizações ainda não registra retorno financeiro relevante. O problema, portanto, não está na ausência de tecnologia, mas na capacidade de integrá-la de forma efetiva aos processos de negócio.

Especialistas indicam que o caminho para reverter esse quadro passa pela combinação entre inteligência artificial, conhecimento humano e operação industrial. A chamada “cointeligência” surge como um modelo mais promissor, no qual máquinas e pessoas atuam de forma complementar, ampliando a capacidade de decisão e execução.

Na indústria, esse movimento já começa a se materializar. Sistemas robóticos equipados com IA e visão computacional vêm sendo utilizados para automatizar tarefas complexas, como montagem de componentes, trazendo ganhos concretos de produtividade e flexibilidade. Nesse contexto, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta analítica e passa a atuar diretamente no ambiente físico.

Brasil busca protagonismo na corrida da IA

Neste cenário, o Brasil aparece como um dos países com potencial para ampliar sua presença global na área. Com um ecossistema tecnológico consolidado e mão de obra qualificada, o país reúne empresas, instituições de pesquisa e iniciativas voltadas à inovação que já atuam com inteligência artificial em diferentes frentes.

Representantes do setor destacam que o Brasil possui capacidade técnica compatível com os principais centros globais, além de uma base crescente de profissionais especializados. O interesse internacional por talentos brasileiros também reforça esse posicionamento.

O desafio, no entanto, é: mais do que adotar inteligência artificial, será necessário aprender a gerar valor com ela. A próxima fase da transformação digital não será definida por quem possui a tecnologia mais avançada, mas por quem conseguir aplicá-la de forma integrada, estratégica e orientada a resultados.

Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser

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