
O avanço acelerado da inteligência artificial dentro da administração pública começou a gerar um novo tipo de preocupação no Governo do Estado do Rio de Janeiro: a fragmentação tecnológica e o risco de segurança causado pelo uso desorganizado de diferentes plataformas de IA por servidores e órgãos públicos.
A avaliação é de que o uso simultâneo de ferramentas distintas, sem integração entre si, cria um ambiente considerado crítico para a gestão pública. Segundo o diretor de Segurança da Informação do Proderj, Fábio Ivo, o problema vai além da produtividade e já entrou diretamente no campo da segurança da informação e da governança de dados.
Na prática, o Estado enfrenta hoje um cenário em que diferentes inteligências artificiais operam de maneira isolada, sem compartilhamento de informações ou interoperabilidade. Isso impede a construção de relatórios integrados e dificulta uma visão unificada da administração pública. O resultado, segundo ele, é um ambiente fragmentado, onde cada sistema “enxerga” apenas uma parte da operação.
O entendimento dentro do governo é de que essa pulverização tecnológica compromete a gestão estratégica e amplia vulnerabilidades. Plataformas diferentes armazenam dados de maneiras distintas, utilizam arquiteturas próprias e operam sob regras específicas de privacidade e processamento de informações. Para o setor público, isso pode representar desde dificuldade operacional até riscos de vazamento de dados sensíveis.
Diante desse cenário, o Governo do Rio prepara novas normas para disciplinar o uso de inteligência artificial dentro dos órgãos públicos estaduais. A chamada Instrução Normativa 7, prevista para julho, deve estabelecer diretrizes iniciais para utilização dessas ferramentas. A regulamentação, porém, ainda não definirá completamente quais tipos de dados poderão ou não ser inseridos em sistemas de IA.
A intenção é avançar posteriormente para uma padronização mais rígida, prevista em uma futura Instrução Normativa 9. A expectativa é que essa etapa estabeleça critérios mais claros sobre plataformas autorizadas, segurança da informação, integração entre sistemas e limites de uso por servidores públicos.
O movimento acompanha uma preocupação crescente de governos ao redor do mundo sobre soberania digital, governança algorítmica e controle de informações estratégicas. No caso fluminense, o foco imediato está em impedir que servidores utilizem ferramentas não autorizadas sem controle institucional.
Segundo Fábio Ivo, o Estado já entende a inteligência artificial como uma questão direta de segurança pública digital. A preocupação central é que decisões individuais de uso de IA, sem padronização ou monitoramento, acabem expondo dados estratégicos do governo a plataformas externas.
A tendência é que o Rio de Janeiro avance para um modelo mais centralizado de gestão de IA, no qual ferramentas homologadas passem a operar dentro de parâmetros únicos de segurança, integração e governança.
Texto: Redação TI Rio
Curadoria editorial: Bruno Nasser